Achei que amar fosse simples: chegar com o coração aberto e oferecer felicidade como quem estende as mãos. Mas a vida não negocia com planos tão ingênuos. Nem sempre o sentimento encontra abrigo do outro lado. Às vezes ele volta, cansado, perguntando em silêncio por que não foi escolhido.
Eu tentei chegar
mais perto, mostrar que havia verdade no que eu sentia. Fiz do olhar um
convite, do gesto uma promessa discreta. Mas você passava como quem não
percebe, e eu ficava ali, parado, aprendendo que querer alguém não garante ser
visto. O desejo, quando não encontra resposta, aprende a falar sozinho.
Houve um dia em que
pensei em desviar o rosto, fingir indiferença. Não funcionou! Algumas emoções
denunciam a gente sem pedir permissão. Bastou te ver para tudo se entregar: o
pensamento correu solto, o coração acelerou, e a imaginação fez o que sabe
fazer melhor, criar um refúgio onde não há rejeição.
Nesse espaço
inventado, tudo era possível! Não havia pressa, nem medo, nem desencontro. Só a
ideia de nós dois seguindo o impulso do que sentíamos, sem culpa, sem cálculo.
Pensar nisso me fez bem, como fazem os sonhos que aquecem antes de dormir.
Talvez seja isso
que eu queira agora: permanecer mais um pouco nesse estado suspenso. Onde o
desejo ainda não foi interrompido pela realidade, onde o amor não precisa se
explicar. Se for apenas sonho, que seja! Só não me acorde antes da hora.
J.K – 07.02.26

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