Tem tanta gente cruzando o meu caminho todos os dias, mas a sensação que me acompanha é sempre a mesma: sigo só! Não é falta de companhia, é um tipo de solidão que mora por dentro. Aprendi a andar assim, meio fechado, meio inteiro demais para dividir. E às vezes nem sei mais viver de outro jeito!
Já larguei coisas, já deixei pessoas, já abandonei versões antigas
de mim. Mas há algo de que ninguém escapa: o tempo! Ele não pede licença!
Corre, me empurra, me lembra que os dias são contados. E quando penso nisso,
sinto um frio que não é medo da morte! É medo de não ter vivido com coragem
suficiente.
Só que descobri uma coisa: se eu transformo o lamento em
pensamentos bons, algo dentro de mim renasce. Quando decido que a dor não vai
me definir, ela perde a força. Eu posso amar de novo! Posso recomeçar quantas
vezes for preciso! Posso estender o braço para o mundo e assumir o homem que
estou tentando ser, mesmo com falhas, mesmo atrasado, mesmo imperfeito.
Durante muito tempo meu peito foi um deserto! Não porque o mundo
fosse árido, mas porque eu era! Havia gente ao meu redor, oportunidades,
afetos e eu ali, seco! Até que, num dia comum, uma voz suave me falou de
alegria com uma naturalidade que me desmontou. Não foi milagre, foi encontro! E
bastou!
Hoje entendo que minha história não termina na solidão que me
acostumei a carregar! Ela se transforma quando eu permito! Talvez eu ainda
caminhe só em muitos trechos, mas já não estou vazio! Se um dia eu me despedir,
quero que seja assim: com a certeza de que fiz do chão a minha vida, e da dor,
aprendizado! E que, antes de ir, eu aprendi a amar sem fugir.
J.K – 14.02.26

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