quinta-feira, 19 de março de 2026

Fazer do chão a própria vida

         Tem tanta gente cruzando o meu caminho todos os dias, mas a sensação que me acompanha é sempre a mesma: sigo só! Não é falta de companhia, é um tipo de solidão que mora por dentro. Aprendi a andar assim, meio fechado, meio inteiro demais para dividir. E às vezes nem sei mais viver de outro jeito!

 

 Já larguei coisas, já deixei pessoas, já abandonei versões antigas de mim. Mas há algo de que ninguém escapa: o tempo! Ele não pede licença! Corre, me empurra, me lembra que os dias são contados. E quando penso nisso, sinto um frio que não é medo da morte! É medo de não ter vivido com coragem suficiente.

 

 Só que descobri uma coisa: se eu transformo o lamento em pensamentos bons, algo dentro de mim renasce. Quando decido que a dor não vai me definir, ela perde a força. Eu posso amar de novo! Posso recomeçar quantas vezes for preciso! Posso estender o braço para o mundo e assumir o homem que estou tentando ser, mesmo com falhas, mesmo atrasado, mesmo imperfeito.

 

 Durante muito tempo meu peito foi um deserto! Não porque o mundo fosse árido, mas porque eu era! Havia gente ao meu redor, oportunidades, afetos e eu ali, seco! Até que, num dia comum, uma voz suave me falou de alegria com uma naturalidade que me desmontou. Não foi milagre, foi encontro! E bastou!

 

 Hoje entendo que minha história não termina na solidão que me acostumei a carregar! Ela se transforma quando eu permito! Talvez eu ainda caminhe só em muitos trechos, mas já não estou vazio! Se um dia eu me despedir, quero que seja assim: com a certeza de que fiz do chão a minha vida, e da dor, aprendizado! E que, antes de ir, eu aprendi a amar sem fugir.

 

J.K – 14.02.26




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