terça-feira, 3 de março de 2026

Quando a volta vira festa

        Avisar que estou chegando é mais do que dar notícia: é acender a casa por dentro. Gosto de imaginar o cheiro da comida tomando conta do ar, a cerveja ficando no ponto certo, a cama renovada como quem prepara abrigo. Voltar é isso: é saber que tem um lugar me esperando do jeito mais simples e verdadeiro.

 

Não chego com cerimônia! A mala fica jogada no primeiro canto, o chinelo vai onde der, o abraço vem antes de qualquer conversa. Quero sentir o perfume conhecido, aquele que anuncia que estou em casa. Não precisa arrumar demais, só deixar espaço pra presença e pra riso solto.

 

Peço que a casa respire leve! Uma limpeza rápida, uma planta aqui, outra ali, um incenso que espante o resto da semana. Enquanto isso, a vida segue lá fora: sol, concreto, calor na pele e no coração. Porque quando eu volto, quero encontrar alegria acumulada, não pressa guardada!

 

Gosto dos detalhes que fazem diferença! A música certa tocando, o cuidado no cabelo que não vai durar muito, a roupa escolhida sabendo que vai sair do lugar. É o jogo bonito da intimidade: preparar sabendo que vai bagunçar.

 

E, se der, que o mundo espere! Criança bem cuidada, telefone em silêncio, compromissos adiados sem culpa. Quando eu volto, volto inteiro! Quero noite longa, casa cheia de nós e a sensação boa de que não preciso ir a lugar nenhum, porque cheguei exatamente onde precisava estar.

 

J.K – 31.01.26




 

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