Avisar que estou chegando é mais do que dar notícia: é acender a casa por dentro. Gosto de imaginar o cheiro da comida tomando conta do ar, a cerveja ficando no ponto certo, a cama renovada como quem prepara abrigo. Voltar é isso: é saber que tem um lugar me esperando do jeito mais simples e verdadeiro.
Não chego com
cerimônia! A mala fica jogada no primeiro canto, o chinelo vai onde der, o
abraço vem antes de qualquer conversa. Quero sentir o perfume conhecido, aquele
que anuncia que estou em casa. Não precisa arrumar demais, só deixar espaço pra
presença e pra riso solto.
Peço que a casa
respire leve! Uma limpeza rápida, uma planta aqui, outra ali, um incenso que
espante o resto da semana. Enquanto isso, a vida segue lá fora: sol, concreto,
calor na pele e no coração. Porque quando eu volto, quero encontrar alegria acumulada, não
pressa guardada!
Gosto dos detalhes
que fazem diferença! A música certa tocando, o cuidado no cabelo que não vai
durar muito, a roupa escolhida sabendo que vai sair do lugar. É o jogo bonito
da intimidade: preparar sabendo que vai bagunçar.
E, se der, que o
mundo espere! Criança bem cuidada, telefone em silêncio, compromissos adiados
sem culpa. Quando eu volto, volto inteiro! Quero noite longa, casa cheia de nós
e a sensação boa de que não preciso ir a lugar nenhum, porque cheguei
exatamente onde precisava estar.
J.K – 31.01.26

Muito bom!!
ResponderExcluirObrigado por ler!
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