Você pode até dizer que virou página, que reorganizou a vida, que limpou as gavetas da memória. Mas tem coisas que não obedecem à nossa vontade! Eu sei que, por muito tempo ainda, vou morar em pequenos cantos do seu cotidiano, nesses lugares onde ninguém percebe, mas tudo permanece.
Não são os grandes gestos que resistem! São as miudezas! Um som
parecido com o meu riso! Uma roupa antiga que te transporta para uma tarde
qualquer! Um jeito torto de falar, uma mania boba, uma implicância carinhosa.
Essas coisas pequenas carregam um peso imenso! Elas não se apagam com discursos
firmes nem com novas promessas.
Talvez alguém esteja agora ocupando o espaço que um dia foi meu! Talvez ele diga palavras bonitas, talvez tente acertar onde eu falhei! Mas amor
não é competição de frases bem ditas. Amor é marca! E marca não se copia, se
sente! Até os meus defeitos, aqueles que você fingia corrigir, acabam virando
lembrança involuntária.
Vai ter noites em que o silêncio do seu quarto vai ficar maior do
que o mundo. E, sem querer, você vai buscar uma imagem minha na memória, mesmo
que outra pessoa esteja ao seu lado. Não porque você queira voltar! Mas porque
o que a gente viveu deixou vestígios que o tempo demora a dissolver.
Eu sei que os anos passam e que quase tudo se transforma em quase nada! Mas “quase” ainda é alguma coisa! E quando um amor foi inteiro, ele não desaparece de uma vez. Ele se espalha! Se dilui! E, de vez em quando, reaparece. Você pode tentar me esquecer! Pode repetir isso quantas vezes quiser! Mas, em algum detalhe distraído da vida, eu ainda vou existir.
J.K – 15.02.26

Nenhum comentário:
Postar um comentário