Eu já entendi quem tu é! Ou, pelo menos, aceitei. Não porque seja fácil, mas porque cansei de brigar com o que não muda. Te aceitar foi menos derrota e mais sobrevivência. Aprendi a te ler nos silêncios, a decifrar tuas ausências e a perdoar antes mesmo do pedido chegar, quando chega!
Teu jeito torto tem
um efeito curioso em mim. Faz mal, mas não afasta! Machuca, mas não expulsa! É
como se teu descompasso encontrasse eco no meu. Tu chega sem aviso, fica pouco,
deixa rastro e some! E eu fico, fingindo força, jurando que dessa vez é
definitivo.
Toda vez prometo
que não vou mais estar aqui! Que quando tu resolver voltar, vai encontrar porta
fechada e coração ocupado. Mas a verdade é que basta um sinal teu pra eu
desfazer o discurso inteiro. Meu mundo, contra toda lógica, ainda reconhece o
teu passo.
Eu te mando ir! Se
perder um pouco por aí! Se procurar em esquinas que não são as minhas. Porque a vida
ensina pelo cansaço, e talvez só longe tu entenda o que perto tu nunca
valorizou. As voltas sempre ensinam mais do que as chegadas.
Quanto à dor, não
te preocupa! Ela já se acomodou em mim de um jeito estranho, quase íntimo. Não
grita, não sangra! Ela insiste! Dói devagar, como quem aprendeu a esperar. E
talvez seja isso o que mais me assuste: não é o que tu faz, é o quanto eu ainda
fico.
J.K – 31.01.26

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