quarta-feira, 4 de março de 2026

Guria sem juízo, mas com endereço no meu caos

        Eu já entendi quem tu é! Ou, pelo menos, aceitei. Não porque seja fácil, mas porque cansei de brigar com o que não muda. Te aceitar foi menos derrota e mais sobrevivência. Aprendi a te ler nos silêncios, a decifrar tuas ausências e a perdoar antes mesmo do pedido chegar, quando chega!


Teu jeito torto tem um efeito curioso em mim. Faz mal, mas não afasta! Machuca, mas não expulsa! É como se teu descompasso encontrasse eco no meu. Tu chega sem aviso, fica pouco, deixa rastro e some! E eu fico, fingindo força, jurando que dessa vez é definitivo.


Toda vez prometo que não vou mais estar aqui! Que quando tu resolver voltar, vai encontrar porta fechada e coração ocupado. Mas a verdade é que basta um sinal teu pra eu desfazer o discurso inteiro. Meu mundo, contra toda lógica, ainda reconhece o teu passo.


Eu te mando ir! Se perder um pouco por aí! Se procurar em esquinas que não são as minhas. Porque a vida ensina pelo cansaço, e talvez só longe tu entenda o que perto tu nunca valorizou. As voltas sempre ensinam mais do que as chegadas.


Quanto à dor, não te preocupa! Ela já se acomodou em mim de um jeito estranho, quase íntimo. Não grita, não sangra! Ela insiste! Dói devagar, como quem aprendeu a esperar. E talvez seja isso o que mais me assuste: não é o que tu faz, é o quanto eu ainda fico.

 

 

J.K – 31.01.26




Nenhum comentário:

Postar um comentário