Vou confessar uma coisa que talvez muita gente também pense, mas poucos têm coragem de dizer em voz alta. Eu adoro educação! Adoro gente gentil, educada, simpática! Mas existe um tipo muito específico de educação que anda faltando nas redes sociais: a educação com o horário dos outros. Porque, sinceramente, sábado e domingo às quatro ou cinco da manhã não é “bom dia!”. É praticamente um atentado contra o sono alheio!
Tem gente que acorda cedo, eu sei! Parabéns,
inclusive! Deve ser ótimo ver o sol nascer, ouvir os passarinhos e sentir
aquele cheiro de café recém passado. Mas transformar essa experiência
espiritual em uma avalanche de mensagens no celular dos outros, nesse horário,
é quase um esporte radical. Principalmente para quem ainda está no meio do
segundo sonho da noite, tentando decidir se ganha na loteria ou se casa com a
pessoa certa.
E o problema nem é a mensagem em si. “Bom dia”,
flores, solzinho, versículo, gif animado, tudo muito bonito. O problema é o
horário! Porque nem todo mundo deixa o celular no silencioso. E, quando aquele
plim invade o quarto às cinco da manhã, a pessoa acorda achando que é uma
emergência. Quando olha, é uma imagem com um girassol sorrindo e a frase: “Que
seu dia seja abençoado!”. Nessa hora, o único pensamento realmente abençoado é:
“Meu Deus, por que eu não silenciei esse grupo?”. Pior que isso são as
mensagens de trabalho. Me poupe! A minoria dos seus contatinhos não vai comprar
algo ou querer saber de suas promoções ou lançamentos às quatro ou cinco da
manhã.
Claro, eu entendo que existem contatos que a gente
não pode simplesmente apagar da vida. Tem colega de trabalho, cliente, parente,
aquela tia que manda vinte mensagens por dia e ainda pergunta se você viu
todas. A vida adulta tem dessas coisas! A gente aprende a conviver, respirar
fundo e seguir em frente.
Mas deixo aqui um humilde pedido público, quase um
manifesto em defesa do sono: se acordou às cinco da manhã no fim de semana e
está cheio de energia, maravilhoso! Vá ler um livro, lavar o carro, caminhar,
ir à academia, tomar um chimarrão, preparar um café caprichado, conversar com o
vizinho que também acorda cedo, transar e até filosofar sobre a vida no boteco
da esquina. A lista é grande e cheia de opções dignas. Só não precisa acordar o
resto do planeta junto.
Porque mensagens de bom dia e de trabalho são
bonitas, carinhosas e bem-vindas. Mas, acredite em mim, elas continuam lindas
às oito da manhã. E, até lá, muita gente ainda está ocupada fazendo uma coisa
muito importante: dormindo em paz.
J.K
– 14.03.26

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