sexta-feira, 13 de março de 2026

Do jeito que sou, sem legenda

       O que eu mais quis, no fundo, nunca foi mudar ninguém. Foi ser aceito inteiro, com as partes silenciosas e as partes apressadas. Com a timidez que chega antes da coragem e com o amor que, quando vem, não sabe ser pouco. Não sei fingir versões melhores de mim! Eu só sei chegar como sou!

 

 Carrego um jeito contido, quase cuidadoso demais, como quem pede permissão para sentir. Mas também trago impulsos que não avisam, vontades que atravessam o corpo rápido, sem cerimônia. Sou feito dessas duas forças que se estranham e se completam: o pudor que observa e o desejo que avança quando encontra espaço.

 

 Vivo tentando equilibrar essa liberdade meio desajeitada que me empurra para os encontros certos. Não forçados, não ensaiados! Aqueles que simplesmente acontecem, quando duas trajetórias se cruzam sem estratégia. É aí que tudo flui melhor, quando ninguém precisa se explicar demais.

 

 Gosto dessa aproximação sem manual, desse chegar devagar que de repente já está perto. Existe algo muito honesto nisso: deixar que as coisas se acomodem sozinhas, no ritmo que pedem. Quando é assim, fica fácil ficar. Fica leve! Fica verdadeiro!

 

 No fim, é só isso que eu peço: ser acolhido sem edição. Porque quando aceitam a gente como a gente é, o encontro deixa de ser esforço e vira lugar.

 

J.K – 07.02.26




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