O Natal chegou todo pomposo, com luz piscando, peru seco e promessa de milagre na ceia. Eu fiz minha parte: comi demais, critiquei a comida alheia e reclamei do calor. Resultado? Papai Noel passou lá em casa, olhou bem pra minha cara e decidiu que eu não merecia nem um par de meias furadas. Fui oficialmente rebaixado à categoria “mal menino”, sem direito a recurso.
O clima não ajudou. Aquele senhor de vermelho
parecia mais cansado do que eu numa segunda-feira. Nada de barriga farta ou
riso contagiante. Tinha cara de quem pegou trânsito, perdeu o trenó no estacionamento
e ainda esqueceu a senha do Pix. Pediu comida, não presente. E eu, solidário e
falido, só consegui oferecer o que sobrava no prato: quase nada, mas com muito
amor… e zero proteína.
O mais constrangedor foi perceber que o espírito
natalino estava parcelado. Tudo em suaves prestações: a ceia, os presentes, a
boa vontade. Até a culpa veio dividida em doze vezes sem juros. Enquanto isso,
o bom velhinho parecia desempregado, desiludido e claramente repensando a
carreira. Talvez abrisse um podcast. Ou um curso online: “Como sobreviver ao
Natal sem enlouquecer”.
No fim, fiquei sem presente, mas com uma lição
valiosa: se comportar mal no ano rende boas histórias, mas péssimos natais.
Mesmo assim, confesso… não me arrependo tanto. Porque se o Natal é tempo de
reflexão, o meu serviu pra entender que às vezes a maior dádiva é rir da
própria falta de juízo
— ainda que isso custe um presente esquecido no saco do Noel. 🎄😄
26.12.25 -
JK

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