O Natal sempre me convida ao silêncio. Um silêncio diferente, que não é vazio, mas cheio de perguntas. Segundo a tradição, foi nesse tempo que Jesus nasceu, trazendo uma mensagem de libertação, amor e entrega. E, ainda assim, olhando para o mundo — e para mim mesmo — percebo o quanto continuamos distantes daquilo que Ele tentou nos ensinar. O ouvimos, mas raramente deixamos que sua palavra nos transforme.
Há mais de dois
mil anos, a cruz permanece diante de nós como símbolo de amor extremo, e mesmo
assim insistimos em repetir velhos padrões. Julgamos, dividimos, ferimos.
Muitas vezes crucificamos de novo, não com pregos, mas com indiferença, egoísmo
e falta de compaixão. Confesso que dói reconhecer isso, porque não falo apenas
do mundo — falo de mim também.
Em noites como
essa, me pergunto quando aprenderemos de verdade. Quando vamos nos abraçar sem
desconfiança, como quem reconhece no outro um irmão de caminhada? Quando o amor
deixará de ser discurso e passará a ser gesto? Amor simples, como o de mãe.
Amor firme, como o de pai. Amor que acolhe, divide e não exige nada em troca.
Vivemos tempos em
que a ganância fala alto, onde poucos têm muito e muitos têm quase nada.
Falamos em paz, mas alimentamos conflitos. Criamos leis, muros e interesses que
protegem apenas alguns, esquecendo que humanidade não se escolhe — se cuida. Às
vezes parece que estamos caminhando para longe do essencial, distraídos demais
para perceber.
Mesmo assim, algo
dentro de mim insiste em acreditar. Que ainda há tempo! Que ainda podemos
mudar. Que o Natal não seja apenas uma data, mas um reencontro com aquilo que
realmente importa. Que o verdadeiro espírito natalino renasça em nós, não como
promessa vazia, mas como atitude diária.
Que neste Natal a
gente reveja prioridades, cure feridas e reacenda a fé. Fé no amor, na empatia,
no humano. Fé serena, quase teimosa, de que dias melhores não são apenas
possíveis — eles começam quando cada um de nós decide ser um pouco mais luz no
caminho do outro.
JK – 21.12.25

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