Depois de muito passear com Helena Horacia — minha mãe, diga-se de passagem — temos um ritual sagrado: escolher um filme, ajeitar o sofá e dar o play. Cinco minutos depois, ela já está dormindo profundamente, enquanto eu sigo firme, assistindo sozinho e fingindo que não fui abandonado. Olho pro lado, vejo aquele soninho tranquilo e penso: missão cumprida. Querida, cansei ela nos passeios.
Nessas férias comigo, essa simpática e amável
velinha de 85 anos, que por acaso é a mulher que me colocou no mundo, se
transforma em chef de cozinha cinco estrelas. Não existe, definitivamente,
chefe melhor do que ela. Tudo tem gosto de infância, de cuidado e de “come mais
um pouquinho”. E eu como. Sempre! Porque recusar comida de mãe não é uma opção,
é um pecado capital.
Como se não bastasse, minha mãe ainda limpa a
casinha, organiza o que eu finjo não ver e faz tudo com uma alegria desarmante.
Entre um pano e outro, surgem presentes, lembrancinhas, surpresas e aquele
olhar satisfeito de quem cuida sem pedir nada em troca. Eu observo e penso que
estou claramente sendo mimado além da conta.
No meio de tantos carinhos, mimos e afagos, fica
impossível não amar ainda mais essa mulher que é minha mãe. Só dói uma coisa:
uma semana passa rápido demais quando a gente está rodeado de amor verdadeiro.
Dá vontade de pausar o tempo, desligar o calendário e ficar ali, sendo filho,
enquanto ela cochila no sofá e me deixa, de novo, sozinho com o filme.
JK – 17.12.25

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