sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Quando a esperança insiste em ficar

 Às vezes eu me pego ouvindo perguntas que parecem vir de outro planeta. Empresários, gerentes, consultores questionando por que as vendas estão baixas, como se não estivéssemos todos vivendo a mesma realidade. Dá quase vontade de perguntar em qual país eles estão morando, porque aqui, no nosso chão, a crise financeira apertou de verdade — e, para completar, o clima resolveu brincar com a gente. Tempestades, calor absurdo, frio fora de hora… Deu a louca no tempo, e nós ali, tentando seguir.


Mesmo assim, existe algo dentro de mim que não desiste. Uma faísca que insiste em brilhar, dizendo baixinho que essa fase não é eterna. Que, apesar do caos, há um amanhã sendo construído, e que cada dia difícil que atravessamos também nos ensina a ser mais fortes, mais atentos, mais humanos.


E é por isso que deposito tanta expectativa no ano que vem. Que os novos líderes que assumirão suas cadeiras tenham a sensibilidade que faltou a tantos. Que olhem para o país não como máquina de poder, mas como um corpo vivo que sente, sofre, trabalha, sangra e precisa respirar melhor. Que entendam que legislar não é proteger partidos ou interesses privados — é cuidar de gente.


No fim das contas, o que nos resta é essa crença quase teimosa de que tudo vai melhorar. E talvez seja justamente ela que nos mantém de pé. Seguimos com esperança, porque desistir nunca fez parte da nossa história — e porque o Brasil merece, urgentemente, um futuro mais digno que o presente que estamos enfrentando.


JK - 12.12.25






Nenhum comentário:

Postar um comentário