Às vezes eu me pego ouvindo perguntas que parecem vir de outro planeta. Empresários, gerentes, consultores questionando por que as vendas estão baixas, como se não estivéssemos todos vivendo a mesma realidade. Dá quase vontade de perguntar em qual país eles estão morando, porque aqui, no nosso chão, a crise financeira apertou de verdade — e, para completar, o clima resolveu brincar com a gente. Tempestades, calor absurdo, frio fora de hora… Deu a louca no tempo, e nós ali, tentando seguir.
Mesmo assim, existe algo dentro de mim que não desiste. Uma faísca que insiste em brilhar, dizendo baixinho que essa fase não é eterna. Que, apesar do caos, há um amanhã sendo construído, e que cada dia difícil que atravessamos também nos ensina a ser mais fortes, mais atentos, mais humanos.
E é por isso que deposito tanta expectativa no ano que vem. Que os novos líderes que assumirão suas cadeiras tenham a sensibilidade que faltou a tantos. Que olhem para o país não como máquina de poder, mas como um corpo vivo que sente, sofre, trabalha, sangra e precisa respirar melhor. Que entendam que legislar não é proteger partidos ou interesses privados — é cuidar de gente.
No fim das contas, o que nos resta é essa crença quase teimosa de que tudo vai melhorar. E talvez seja justamente ela que nos mantém de pé. Seguimos com esperança, porque desistir nunca fez parte da nossa história — e porque o Brasil merece, urgentemente, um futuro mais digno que o presente que estamos enfrentando.
JK - 12.12.25

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