Se por milagre e magia eu acordasse Papai Noel em um único dia, confesso: antes mesmo de vestir o gorro, meu coração já estaria acelerado. Não pela responsabilidade dos presentes, mas pela chance rara de tocar o mundo sem pedir nada em troca. Eu sairia pelas ruas, becos e avenidas com o mesmo cuidado para ricos e pobres, porque naquele dia o valor não estaria no embrulho, mas no gesto. Cada entrega seria um pedido silencioso de esperança.
Depois do último presente entregue, viria a magia
que eu mais desejaria realizar. Não seria luz, nem brilho, nem espetáculo.
Seria simples e profunda: faria com que as pessoas se abraçassem. Abraços
longos, sinceros, como os de eternos namorados, como os de amigos que se
reencontram depois de anos. Abraços que curam mágoas antigas, que silenciam
rancores e lembram que ninguém nasceu para atravessar o mundo sozinho.
Nesse dia, a paz não seria discurso nem promessa.
Ela simplesmente reinaria. As discussões perderiam a força, o orgulho ficaria
sem voz, e o medo não encontraria lugar para se esconder. O mundo, ainda que
por poucas horas, se pareceria com um conto de fadas — não por ser perfeito,
mas por ser humano. Pessoas rindo sem motivo, chorando sem vergonha, vivendo
sem armaduras.
Talvez, ao final do dia, eu deixasse de ser Papai
Noel e voltasse a ser apenas eu. Mas guardaria comigo a esperança de que algo
tivesse ficado. Um abraço lembrado, um gesto repetido, um pouco mais de
gentileza espalhada. Porque, no fundo, o verdadeiro milagre do Natal não é a
magia de um homem de vermelho — é a coragem de amar quando o mundo insiste em
endurecer.
JK – 17.12.25

Nenhum comentário:
Postar um comentário