segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Se eu fosse Papai Noel por um dia

 Se por milagre e magia eu acordasse Papai Noel em um único dia, confesso: antes mesmo de vestir o gorro, meu coração já estaria acelerado. Não pela responsabilidade dos presentes, mas pela chance rara de tocar o mundo sem pedir nada em troca. Eu sairia pelas ruas, becos e avenidas com o mesmo cuidado para ricos e pobres, porque naquele dia o valor não estaria no embrulho, mas no gesto. Cada entrega seria um pedido silencioso de esperança.

 

Depois do último presente entregue, viria a magia que eu mais desejaria realizar. Não seria luz, nem brilho, nem espetáculo. Seria simples e profunda: faria com que as pessoas se abraçassem. Abraços longos, sinceros, como os de eternos namorados, como os de amigos que se reencontram depois de anos. Abraços que curam mágoas antigas, que silenciam rancores e lembram que ninguém nasceu para atravessar o mundo sozinho.

 

Nesse dia, a paz não seria discurso nem promessa. Ela simplesmente reinaria. As discussões perderiam a força, o orgulho ficaria sem voz, e o medo não encontraria lugar para se esconder. O mundo, ainda que por poucas horas, se pareceria com um conto de fadas — não por ser perfeito, mas por ser humano. Pessoas rindo sem motivo, chorando sem vergonha, vivendo sem armaduras.

 

Talvez, ao final do dia, eu deixasse de ser Papai Noel e voltasse a ser apenas eu. Mas guardaria comigo a esperança de que algo tivesse ficado. Um abraço lembrado, um gesto repetido, um pouco mais de gentileza espalhada. Porque, no fundo, o verdadeiro milagre do Natal não é a magia de um homem de vermelho — é a coragem de amar quando o mundo insiste em endurecer.

 


JK – 17.12.25



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