domingo, 28 de dezembro de 2025

Quando o limite é o silêncio

Eu já tentei tantas vezes ser a versão de mim que você considera “certa”. Ajustei meus gestos, meu ritmo, minhas escolhas. Mas nada nunca pareceu suficiente. Você critica tudo: o que faço, o que deixo de fazer, até o que faço do jeito que você pediu. E, para não te magoar, fui engolindo cada incômodo, cada pequena injustiça, como quem finge que nada pesa. Agora, pesa!


Não me peça beijos. Beijos não se pedem! Não me peça para apagar as mensagens que você escreve; simplesmente apague. Não espere que eu argumente ou tente explicar. Você nunca entendeu, ou talvez nunca quis entender. Suas palavras chegam como ordens, não como diálogo, e eu já sei que qualquer tentativa vira só mais um motivo para você apontar o dedo.


Não se preocupe comigo. Eu não vou mais brigar, não vou mais levantar a voz, não vou mais tentar provar nada. Toda vez que tentei, bati na mesma parede — dura, imutável, sempre pronta para me lembrar de que meu jeito é sempre o errado. E, sinceramente, eu estou cansado de ser colocado nesse lugar.


Tudo continua igual. As conversas, os gestos, o ritmo da casa. Nada vai mudar — a não ser eu. E não é uma mudança feita de explosão, nem de fuga. É um recuo silencioso. Vou parar de discutir, de argumentar, de tentar ser ouvido. Vou apenas concordar. Não por submissão, mas por exaustão. Porque às vezes o silêncio é o único lugar onde ainda sobra um pouco de paz.

 

30.11.25 – J.K








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