sábado, 27 de dezembro de 2025

Cocteau Twins e o lugar onde você me encontra

Escuto Cocteau Twins e deixo que a música dissolva o mundo ao meu redor. As vozes etéreas se espalham pelo ar como um convite silencioso, abrindo uma porta que só nós dois conhecemos. É nesse intervalo entre nota e respiração que você aparece, primeiro como lembrança, depois como presença — suave, inevitável.


No meio da melodia, imagino seus passos lentos se aproximando, como se o chão reconhecesse o peso exato da tua vontade. Nada urgente, nada apressado. Apenas a certeza tranquila de quem sabe que o encontro não precisa de explicação. O ar muda, a pele desperta, e o pensamento de você percorre meu corpo como um arrepio que conhece o caminho.


De olhos fechados, tudo ganha textura. O toque que não existe se torna quase real, desenhando na minha pele a ausência mais íntima que já senti. E é curioso como a imaginação, quando te escolhe, não mente: ela traduz o desejo em gesto, o silêncio em entendimento, o instante em entrega lenta.


Quando a música termina, não há turbulência, apenas uma paz quente, daquelas que ficam mesmo depois que a fantasia se dissolve. Você não está aqui, mas, por alguns minutos, esteve tão perto que quase pude te tocar. E talvez seja isso que me encanta: a forma como você preenche até o que ainda não aconteceu.


30.11.25 – J.K




 

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