quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Crônica do 50+ que desafiou dezembro (E perdeu feio!)

 Eu acordei um belo dia de dezembro e pensei: “Vou emagrecer.”

Sério! Eu realmente pensei isso!


Aos 50 e tantos anos nas costas, eu ainda tenho coragem de acreditar em milagre. Onde é que eu estava com a cabeça? Será que o calor derreteu meu raciocínio? Será que o espírito natalino me hipnotizou? Só sei que, naquele momento, eu acreditei.
E olha… arrependimento bate forte.

Porque tudo — absolutamente TUDO — fica mais gostoso no fim do ano. Até a água parece mais calórica.
Eu respiro perto do panetone e já engordo 300g. Se vejo um tender, pronto, já ganhei meio quilo. E a maionese? A maionese me olha com aquele ar sedutor, aquela textura brilhante, como quem diz: “Vem, meu filho, cai na tentação…”

E eu caio. Tropeço! Me jogo. Me entrego. Sem resistência.
Porque resistir pra quê?! Dezembro é praticamente um esporte radical.

E as confraternizações? TEM CONFRATERNIZAÇÃO ATÉ COM PESSOAS QUE EU NEM SABIA QUE CONHECIA.
Tem confraternização da firma, da firma da firma, da firma da firma terceirizada, dos amigos, dos inimigos, da turma da escola de 1987, do grupo do WhatsApp que nunca fala nada, da tia que só lembra que eu existo quando é pra comer.

Eu passo mais tempo confraternizando do que vivendo.

E aí vem a parte trágica:
Seis semanas pra perder 11 quilos.
Um final de semana — UM SÓ — pra ganhar dois.
Eu deveria ser estudado pela NASA. Minha capacidade de absorver calorias é algo extraterrestre.

E meu humor? Fui pesar e perdi junto. Sumiu.
A balança quase me expulsou.
A calça 42? Só entra se eu fizer um pacto com alguma entidade desconhecida.
As 44? Ficam tão largas que parece que estou usando roupa emprestada de um fantasma.
E as camisas?
GG me sufoca.
EG me engole.
Eu pareço um homem que vive numa fronteira estreita entre dois tamanhos que se odeiam.

No fim das contas, eu só queria entrar no Ano Novo sem arrebentar nenhum botão em público. Só isso.
Mas a vida é dura.
E o frango assado também.

Então sigo firme — firme no garfo, firme no chope, firme na rabanada — porque a essa altura, sinceramente, emagrecer no fim do ano é tão possível quanto ver o Papai Noel descendo a chaminé do meu apartamento.


A verdade é uma só:
Emagrecer no fim do ano?
É mais fácil encontrar Papai Noel na esteira da academia suando com garrafinha de água.

E sinceramente?

Quer saber? Em janeiro eu resolvo.
Talvez.
Quem sabe.
Se não tiver churrasco.

 

JK – 23.11.25






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