Tirei férias e, junto com elas, fui buscar o que realmente importava. Saí de Caxias e fui até São Marcos buscar minha mãe para passar uma semana comigo, antes do Natal. Ela mora com minha irmã, mas naquele período era comigo que ela estaria. Confesso que, no caminho, pensei no quanto o tempo passa depressa e no privilégio silencioso que é ainda poder buscá-la, abrir a porta do carro e dizer: “vem passar uns dias comigo”.
A semana foi intensa, do jeito que a vida real é.
Teve faxina no apartamento, daquelas que cansam o corpo e organizam a alma.
Teve visitas, compromissos, idas e vindas, compras feitas sem pressa, mas com
alegria. E, no meio de tudo isso, uma velinha de 85 anos encantada com cada
detalhe. Ela amou tudo. Cada gesto simples parecia grande aos olhos dela — e
isso, sem eu perceber, também me ensinava a olhar melhor para a vida.
Entre um dia corrido e outro, houve um desses
momentos que a gente guarda para sempre. Sentados no sofá, abraçadinhos,
assistimos juntos ao show de Maria Bethânia e Caetano Veloso na televisão. Ali,
o mundo desacelerou. Não era só música. Era memória, era afeto, era o tempo
fazendo as pazes com a gente. Eu senti que aquele abraço valia mais do que
qualquer palavra.
Hoje, quase sessentão, posso dizer sem vergonha
nenhuma: mãe ainda é o melhor presente de Natal que alguém pode querer. Não vem
em caixa, não tem laço, não se compra. É presença, é cuidado, é amor que
atravessa o tempo. E se existe milagre nessa época do ano, ele atende pelo nome
de convivência.
JK – 17.12.25

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