Chegar aos 60 anos não é apenas somar tempo. É sentir o peso das horas no corpo, na memória e, principalmente, no silêncio. Aos 60, a gente não corre mais para chegar; caminha para permanecer. Cada passo carrega uma história, cada pausa carrega um entendimento que só o tempo ensina.
A sabedoria que vem com essa idade não é bonita nem
romântica. Ela nasce das perdas, das escolhas erradas, dos amores que não
ficaram e das promessas que fizemos a nós mesmos e não cumprimos. Aprendi que
quase nada é definitivo, exceto o tempo que passou. E que insistir em certas
dores é desperdiçar o pouco que ainda nos resta.
Aos 60, a morte deixa de ser uma ideia distante.
Ela senta ao nosso lado em alguns dias, observa em silêncio e nos lembra, sem
pressa, que o fim existe. Não como ameaça, mas como limite. E é justamente esse
limite que dá valor às manhãs simples, aos abraços demorados, às conversas
honestas e às despedidas feitas com dignidade.
Não sei quanto tempo ainda tenho, mas sei melhor
como quero viver o que resta. Quero menos ruído e mais verdade. Menos gente
pela metade e mais presença inteira. Aos 60, não espero mais começar de novo.
Espero apenas continuar — consciente, grato e em paz com a finitude que, enfim,
aprendi a respeitar.
JK – 19.12.25

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