Tá chegando aquela época em que o ar parece ganhar perfume de festa e promessa. As luzes piscam diferente, a gente respira mais fundo e o coração, teimoso, começa a bater no ritmo das esperanças novas. É tempo de erguer taças, soltar rolhas e deixar que as estrelas – as do céu e as das garrafas – nos lembrem que a vida ainda sabe surpreender. Confesso: não sou exatamente fã de espumantes, mas adoro a sensação das bolhas fazendo cócegas na garganta, como se a bebida cochichasse segredos de alegria, sucesso e prazer.
Só que, pra
mim, essa temporada vai além dos rituais de Natal e Réveillon. Porque a
verdade, talvez você não saiba, é que eu não quero só duas datas contigo. Quero
dias inteiros, semanas inteiras. Quero aquela rotina bonita que se constrói
devagar, onde até o silêncio vira companheiro. Quero caminhar ao teu lado pelas
ruas de Caxias do Sul como quem redescobre a própria história — cada esquina um
suspiro, cada avenida um sorriso que a gente ainda não deu.
Imagino nós dois entrando em todas as livrarias da cidade, folheando livros como quem folheia futuros possíveis. E depois, claro, experimentando cada café, um por um, até eleger o nosso preferido — aquele onde o garçom nos reconheceria pelo brilho no olhar. Caxias tem esse dom: abraça devagar, mas quando acolhe, não solta mais. E eu queria te mostrar isso, queria ver teus olhos descobrindo aquilo que sempre fez o meu peito ficar em casa.
Quero
dividir contigo nossa herança italiana, a fartura da mesa, o cheiro do pão
quente, o vinho que esquenta até a alma. Quero te convidar pra dançar a
Tarantela, mesmo que eu erre os passos e acabe rindo de mim mesmo. Porque, no
fundo, o que eu quero mesmo é que você sinta o que eu sinto: essa paixão mansa
e profunda por Caxias do Sul — e, quem sabe, uma por mim também.
JK –
22.11.25

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