sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Quando o corpo decide amar antes da alma

 Mochila nas costas, partiu rumo a São Paulo como sempre fazia nos finais de semana. Namorar era preciso — e o corpo sabia antes mesmo da mente.

 

Ao desembarcar no aeroporto Guarulhos, lá estava ela: linda, leve, irresistível. Pernas à mostra, camisa que abraçava cada curva, perfume que desmontava qualquer defesa. Um selinho rápido no carro — rápido demais para matar saudade — e logo uma parada para o jantar.

 

O que deveria ser apenas uma refeição virava ritual: olhares que se demoravam, risos íntimos, a conversa que corria solta, aquele magnetismo que puxava um ao outro como se o mundo inteiro conspirasse.
Ao chegarem em casa, o abraço era tímido… até não ser mais. Os beijos vinham carregados de saudade, de promessa, de lembrança. Ela dizia não ser romântica — mas bastava um toque para desmenti-la.

 

Aos poucos, as roupas desistiam de ficar. Beijos aconteciam onde a pele pedia, no ritmo que a respiração comandava. Olhos se encontravam num silêncio quente, pesado, elétrico. Corpos se aproximavam numa dança lenta que só dois amantes que se conhecem bem conseguem executar. O arrepio vinha fácil. O querer, mais ainda.

 

As mãos dele — aquelas mãos meio desajeitadas e tão dela — deslizavam pelo corpo como quem percorre um território sagrado. Os beijos se faziam mais úmidos, mais profundos, mais urgentes.
Ela entendia cada gesto, ele entendia cada suspiro.

 

Quando os dois se perdiam um no outro, o sofá virava continente, testemunha, palco. Gemidos, risos abafados, pequenas juras meio sussurradas, meio mordidas. Era um vai e vem de desejo, um jogo de entrega gradual, que começava suave e ganhava força como se o corpo tivesse vontade própria.

 

Ele a segurava, guiava, explorava seus mistérios com a devoção de quem sabe que o prazer dela é porta de entrada para o dele. Nada o encantava mais do que vê-la perder-se em ondas longas, profundas, repetidas — como se o clímax fosse um lugar ao qual ela sempre retornava conduzida por ele.

 

Quando o corpo pediu pausa, vieram o vinho, a música, o silêncio confortável. E, ao menor toque, tudo recomeçou.

 

Ela cavalgava devagar no início, mas logo se soltava, revelando a força e a liberdade que guardava no corpo. Era amazona, era tempestade, era mulher inteira — e ele a admirava como quem assiste a um espetáculo só para iniciados.

 

Palavras quentes escapavam dela sem filtro, queimando o ar entre os dois. O desejo escorria, brilhava na pele, misturava-se aos suspiros que explodiam em sua boca, no pescoço, no peito dele.
Ele a segurava firme, guiando o ritmo, guardando cada segundo como um segredo precioso.

 

Quando o corpo dela finalmente desabou no dele, trêmulo e entregue, ele percorreu sua pele com a boca e com as mãos, saboreando o que ela oferecia — cada tremor, cada rastro, cada suspiro que ainda escapava.

 

E ela, renascida após cada onda, o recebia de volta com beijos lentos, famintos, como quem saboreia um doce proibido. O resto da noite foi repetição e reinvenção: toques que voltavam diferentes, beijos que vinham mais quentes, sussurros que ficavam cada vez mais íntimos.

 

E, ao amanhecer, exaustos e felizes, dormiram de conchinha — como dois que sabem que pertencer ao outro é, no fundo, o maior descanso do mundo.


29.11.25 — JK






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