Mas que cheirinho de maconha essa guria tem. E é só dar um beijo nela que o gostinho vem — quente, doce, como um segredo que se revela devagar.
Ela anda pela vida como quem flutua entre o real
e o sonho. Não tem pressa, não tem dono, não tem rumo certo — tem o agora. E é
no agora que ela existe inteira.
Há um mistério no jeito como ela sorri, como se
carregasse nas pupilas um universo que ninguém jamais vai decifrar. Vive cada
instante como se fosse o último nascer do sol — e talvez seja. Acende o
cigarro, fecha os olhos e respira o mundo, tragando a leveza que a vida insiste
em roubar.
Os outros chamam de fuga. Ela chama de encontro. Porque,
no fundo, o que ela busca não é a euforia — é o silêncio que vem depois, aquele
instante em que o corpo sossega e o coração se reconhece livre.
A guria é feita de excessos e calmarias, de riso
e vertigem, de amor e desapego. Vive sem pedir licença, sem pedir perdão. E se
o mundo a julga, ela apenas sopra a fumaça no ar, como quem devolve à vida o
peso que não quer carregar.
Talvez seja louca, talvez seja sábia — ou as duas
coisas. Mas quando ela passa, há algo que muda no ar. Um perfume de liberdade. Um
convite para viver sem medo de ser quem se é.
JK (10.10.25)
Inspirado na música Menina linda, de
Bebeto Alves.

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