sábado, 29 de novembro de 2025

Entre teus mistérios, epílogo

O silêncio que se instalou entre nós não era vazio.

Era denso, cálido, cheio de significados que não precisavam ser ditos.

Você ainda estava deitada sobre meu peito, o ouvido repousado no meu coração, como se escutasse o que minha respiração não conseguia confessar. Meus dedos percorriam lentamente teus cabelos, agora um pouco bagunçados, como quem tenta memorizar uma sensação antes que o tempo a leve.

Teu corpo inteiro parecia relaxado, entregue de um jeito raro, como se finalmente tivesse encontrado um lugar onde podia existir sem defesas. E havia algo tão bonito nisso… tão profundamente humano… que meu peito se apertou.

— Fica assim mais um pouco — você murmurou, a voz baixa, arrastada, como se ainda estivesse navegando entre sono e sensação.

E eu fiquei.
Ficaria horas.
Dias, se você pedisse daquele jeito.

Tu passavas a ponta dos dedos na minha pele como quem desenha para não esquecer. Pequenos toques que não buscavam mais intensidade — buscavam presença. A confirmação silenciosa de que estávamos ali, inteiros, vulneráveis, sem pressa.

Quase sem querer, você sorriu. Aquele sorriso menor, quase secreto.

— Não imaginava que fosse me sentir tão… — você parou no meio da frase, procurando uma palavra que não existe.

Eu entendi.
Também não havia nome para aquilo.

Aproximei meu rosto do teu, devagar, e te dei um beijo suave, desses que não acendem fogo — aquecem a alma. E você correspondeu da maneira mais íntima possível: sem urgência, sem tensão, apenas verdade.

Teus olhos me encontraram num silêncio que disse mais que qualquer declaração. Eram leves, mas profundos. Cansados, mas luminosos. E havia neles um pedido que não se dizia em voz alta: fica comigo nessa calma, não só na tempestade.

Te puxei ainda mais para perto.
Te encaixei no meu abraço como se teu corpo tivesse sido feito para caber ali.

Senti tua respiração sincronizar com a minha, teu peito subir e descer no mesmo ritmo, e aquele instante — simples, delicado — pareceu mais íntimo do que tudo o que tinha acontecido antes.

Não era mais desejo.
Era pertencimento.

Você deslizou a mão pelo meu peito, parou sobre meu coração e fechou os olhos como se estivesse guardando um segredo só seu. Eu te observei em silêncio, sentindo uma paz que não lembrava há quanto tempo não visitava.

E ali, naquele quarto onde a noite ainda pairava pesada e doce, percebi que não era apenas teu corpo que tinha se entregado a mim… mas alguma parte da tua alma.

Nos abraçamos até o sono chegar.
E quando finalmente adormecemos, parecia que o mundo inteiro tinha diminuído para caber dentro daquele instante.

 

***E amanhã, tem mais: a Renascença do desejo. Não deixe de ler!

 

JK – 16.11.25




 

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