domingo, 30 de novembro de 2025

Entre teus mistérios — Renascença do desejo

 A luz da manhã entrou pelo quarto como um sussurro tímido, iluminando a calma que ainda pairava sobre nós. Você dormia aninhada no meu peito, a respiração leve, o rosto tranquilo — tão diferente da intensidade da noite anterior que parecia impossível que fosse a mesma pessoa.

Acariciei teus cabelos devagar, sem intenção além de observar o jeito como teus cílios tremiam quando te tocava. E foi nesse pequeno gesto que percebi: havia algo novo entre nós.
Não era mais só desejo.
Era algo mais profundo… algo que me puxava para mais perto, mesmo quando já estávamos colados.

Você abriu os olhos lentamente, ainda perdida entre sonho e realidade, e quando me viu ali, tão próximo, sorriu daquele jeito que desmonta qualquer defesa.

— Bom dia… — sussurrou.

Foi um “bom dia” simples, mas carregado de tudo o que não tivemos coragem de dizer.
E foi aí que começou a nova onda.

Teu corpo se mexeu levemente, uma mudança mínima de posição que fez tua pele roçar na minha. Bastou isso — um toque involuntário, quase acidental — para despertar uma tensão suave, quente, que se espalhou como brasa sob a nossa pele.

Você percebeu.
Eu também.

Teu olhar mudou: ficou mais lento, mais atento, como se estivesse explorando minha expressão em busca de uma permissão silenciosa. Havia um brilho nos teus olhos que não era da manhã — era daquela fome calma, madura, que nasce quando já existe intimidade suficiente para desejar outra vez… e desejar de outro jeito.

Passei o polegar pela tua bochecha.
Você respirou fundo, como se aquele gesto dissesse mais do que qualquer toque mais ousado.

Não precisávamos de pressa.
Não precisávamos de palavras.

O desejo que nasceu ali não tinha a violência urgente da noite passada. Era um desejo mais íntimo, mais grave, mais sensível — desses que começam no peito antes de chegar ao resto do corpo.

Você se aproximou devagar e deitou a testa na minha, fechando os olhos por um instante.
Aquele gesto simples queimou mais do que mil beijos.

Senti teu hálito quente misturar-se ao meu.
Senti teu corpo despertar lentamente, reconhecendo o meu como se voltasse a um lugar familiar.
Senti tua mão deslizar pela minha nuca, sem intenção explícita — apenas um carinho que, por si só, incendiava.

— Eu quero de novo — você murmurou, não como um pedido, mas como uma confissão.

Mas não era “de novo” no sentido da noite.
Era “de novo” no sentido de continuar a história… aprofundar o que tínhamos acabado de encontrar.

Te abraçei com mais força, trazendo tua cintura para junto da minha.
E quando te beijei, foi devagar, suave, profundo — o tipo de beijo que acende o corpo inteiro sem pressa, que prepara, que pergunta, que promete.

E assim, na meia-luz suave daquela manhã, sem urgência, sem tempestades, o desejo renasceu entre nós… não como fogo descontrolado, mas como brasa que sabe exatamente como queimar.

Um desejo mais íntimo.
Mais emocional.
Mais nosso.

 

***Continua amanhã: O começo de nós dois

 

JK – 16.11.25




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