A luz da manhã entrou pelo quarto como um sussurro tímido, iluminando a calma que ainda pairava sobre nós. Você dormia aninhada no meu peito, a respiração leve, o rosto tranquilo — tão diferente da intensidade da noite anterior que parecia impossível que fosse a mesma pessoa.
Acariciei
teus cabelos devagar, sem intenção além de observar o jeito como teus cílios
tremiam quando te tocava. E foi nesse pequeno gesto que percebi: havia algo
novo entre nós.
Não era mais só desejo.
Era algo mais profundo… algo que me puxava para mais perto, mesmo quando já
estávamos colados.
Você abriu
os olhos lentamente, ainda perdida entre sonho e realidade, e quando me viu
ali, tão próximo, sorriu daquele jeito que desmonta qualquer defesa.
— Bom dia… —
sussurrou.
Foi um “bom
dia” simples, mas carregado de tudo o que não tivemos coragem de dizer.
E foi aí que começou a nova onda.
Teu corpo se
mexeu levemente, uma mudança mínima de posição que fez tua pele roçar na minha.
Bastou isso — um toque involuntário, quase acidental — para despertar uma
tensão suave, quente, que se espalhou como brasa sob a nossa pele.
Você
percebeu.
Eu também.
Teu olhar
mudou: ficou mais lento, mais atento, como se estivesse explorando minha
expressão em busca de uma permissão silenciosa. Havia um brilho nos teus olhos
que não era da manhã — era daquela fome calma, madura, que nasce quando já
existe intimidade suficiente para desejar outra vez… e desejar de outro jeito.
Passei o
polegar pela tua bochecha.
Você respirou fundo, como se aquele gesto dissesse mais do que qualquer toque
mais ousado.
Não
precisávamos de pressa.
Não precisávamos de palavras.
O desejo que
nasceu ali não tinha a violência urgente da noite passada. Era um desejo mais
íntimo, mais grave, mais sensível — desses que começam no peito antes de chegar
ao resto do corpo.
Você se
aproximou devagar e deitou a testa na minha, fechando os olhos por um instante.
Aquele gesto simples queimou mais do que mil beijos.
Senti teu
hálito quente misturar-se ao meu.
Senti teu corpo despertar lentamente, reconhecendo o meu como se voltasse a um
lugar familiar.
Senti tua mão deslizar pela minha nuca, sem intenção explícita — apenas um
carinho que, por si só, incendiava.
— Eu quero
de novo — você murmurou, não como um pedido, mas como uma confissão.
Mas não era
“de novo” no sentido da noite.
Era “de novo” no sentido de continuar a história… aprofundar o que tínhamos
acabado de encontrar.
Te abraçei
com mais força, trazendo tua cintura para junto da minha.
E quando te beijei, foi devagar, suave, profundo — o tipo de beijo que acende o
corpo inteiro sem pressa, que prepara, que pergunta, que promete.
E assim, na
meia-luz suave daquela manhã, sem urgência, sem tempestades, o desejo renasceu
entre nós… não como fogo descontrolado, mas como brasa que sabe exatamente como
queimar.
Um desejo
mais íntimo.
Mais emocional.
Mais nosso.
***Continua
amanhã: O começo de nós dois
JK –
16.11.25

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