João sempre foi um homem simples. Trabalhador, honesto, de poucas palavras — mas de uma fé imensa. No início daquele mês, o salário mal havia durado uma semana. Ele havia comprado apenas o básico, o suficiente para poucos dias, e já sabia que aquilo não daria para passar o mês. Ainda assim, João não se desesperou.
Ele olhou para o pequeno oratório na sala, onde a
imagem de Nossa Senhora Aparecida repousava serena. Ajoelhou-se e, com voz
embargada, fez sua prece: “Minha Mãezinha Aparecida, ilumina meus caminhos. Não
me deixes fraquejar, nem faltar o pão de cada dia. Dá-me força pra seguir
trabalhando e acreditando.” E, como num sopro de milagre, as coisas começaram a
mudar.
No dia seguinte, uma colega de serviço dividiu com
ele o lanche. Outro, dias depois, o convidou para jantar. E até alguns clientes
começaram a lhe oferecer pequenos agrados — bolos, pães e quitutes feitos com
carinho, preparados por eles mesmos. De repente, sem pedir, João passou a
receber o que precisava — sempre com humildade e gratidão.
Até a gasolina, que ele jurava não durar duas
semanas, rendeu o mês inteiro. O carro parecia andar mais leve, como se o
próprio vento soprasse a favor.
Todas as noites, antes de dormir, João acendia uma
vela diante de Aparecida. A chama tremulava mansa, refletindo nas paredes do
apartamento o brilho da esperança que nunca se apaga. Ele agradecia não pelo
que ganhava, mas por continuar acreditando.
Porque João aprendeu que a fé não é a ausência de
dificuldades — é a presença de coragem, mesmo no escuro. E foi nessa luz,
simples e milagrosa, que ele seguiu firme. Trabalhando, sorrindo, ajudando os
outros como podia. Pois sabia que quem caminha com fé, nunca caminha sozinho. 🙏💙
JK – 30.10.25

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