sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Entre teus mistérios — Parte Final

 O beijo começou lento… mas não permaneceu assim. Havia algo dentro de nós que vinha sendo represado desde o primeiro olhar daquela noite, e agora simplesmente rompia. Tua boca buscava a minha com fome, com sede, como se cada segundo longe fosse insuportável. Me puxavas com uma pressa quase desesperada, e ao mesmo tempo com um carinho que só quem confia de verdade consegue oferecer.

Minhas mãos deslizavam pela tua cintura, subiam por tuas costas, e cada vez que eu te puxava mais para perto, teu corpo reagia como se tivesse sido acordado de um sonho profundo. Tua respiração quente roçava meu pescoço, tua pele ardia contra a minha, e cada contato parecia acender mais alguma coisa que não sabíamos nomear.

A tensão entre nós era tão forte que chegava a vibrar.
Era impossível pensar, impossível controlar, impossível fingir calma.

Você me olhou por um segundo — um único segundo — e naquele olhar havia tudo: desejo, entrega, urgência, fome, e aquela vulnerabilidade linda de quem diz “eu sou tua agora, vai”.
Esse instante me desarmou por completo.

Te puxei pela cintura e te deitei devagar, mas havia uma ansiedade gritando dentro de nós, uma força que nos fazia perder o ritmo e depois reencontrar, como se estivéssemos dançando à beira de um abismo. Tuas mãos me puxavam com mais força, teus dedos marcavam minha pele, tua respiração falhava entre suspiros que tentavas conter, mas não conseguia.

O quarto pareceu desaparecer.
A noite se estreitou ao redor dos nossos corpos.
Tudo ficou quente, urgente, inevitável.

Cada gesto meu arrancava de você um novo arrepio, um som baixo, um tremor que te denunciava inteira. Eu sentia teus músculos tensos, teu corpo arqueando, tua entrega crescendo como uma onda que não podia mais ser segurada. A cada toque, a cada beijo, a cada movimento, você afundava mais em mim — e eu em você.

Era como se estivéssemos atravessando um limite invisível.
Como se nada além daquela sensação importasse.

E então, no ápice daquela noite, quando teu corpo se curvou como se tentasse abraçar o mundo inteiro e tua respiração se perdeu, fomos levados juntos — não para um lugar físico, mas para aquele espaço raro onde dois desejos se encontram e se reconhecem.
Onde não existe medo.
Onde não existe controle.
Onde só existe entrega.

Ficamos ali, colados, respirando rápido, trêmulos, ainda tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Teus dedos ainda desenhavam minha pele sem perceber, como se teu corpo estivesse lembrando sozinho de tudo.

E quando finalmente o ritmo de nossas respirações voltou ao normal, você sorriu — aquele sorriso lento, cansado, satisfeito — e se aninhou no meu peito como quem encontra um porto seguro depois de atravessar uma tempestade.

Beijei tua testa, ainda ofegante.

Exaustos, completamente saciados, deixamos o silêncio terminar a história por nós.

 

JK – 16.11.25

 

***Não deixe de ler amanhã, o epílogo, desta história. Esta imperdível!




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