O beijo da manhã tinha acendido algo que nenhum de nós estava pronto para apagar. Era um fogo calmo, profundo, desses que não queimam por impulso — queimam por reconhecimento. E quanto mais nos beijávamos devagar, mais percebia que não era só desejo… era pertencimento.
Você se aproximou ainda mais, encaixando tua perna entre as minhas com uma naturalidade que dizia tudo sem precisar de som. Teus dedos passeavam pela minha nuca, leves, mas firmes, deixando claro que aquela nova onda de tensão não iria parar tão cedo.
Entre um
suspiro e outro, você encostou o rosto no meu e ficou assim, respirando perto,
como se precisasse desse contato para continuar existindo.
— Eu não
queria que isso acabasse — você confessou, num sussurro quase tímido, quase
valente.
A frase me
atravessou como um raio lento.
Segurei teu rosto com as duas mãos e te olhei nos olhos — de verdade, como
poucos olhares acontecem na vida.
— Também não
quero — respondi, e minha voz saiu mais honesta do que eu esperava.
Por um
instante, o silêncio no quarto ficou mais intenso que qualquer toque.
Era como se o universo tivesse prendido a respiração esperando o que viria a
seguir.
Você
deslizou a mão pelo meu peito e parou sobre meu coração.
— Eu senti… algo ontem — disse. — Algo que eu não sentia há muito tempo. E
hoje… — engoliu o ar com dificuldade — hoje eu sinto mais ainda. Sinto que
quero você perto. Não só no desejo. Quero você… aqui.
Tocou meu
peito novamente, dessa vez com força suave.
Ali.
Onde dói e cura ao mesmo tempo.
Meu corpo
reagiu antes da minha voz.
Aproximei
minha boca da tua o suficiente para sentir teu hálito tremer.
— Ontem eu te desejei — murmurei. — Mas hoje… hoje eu te escolho.
Você fechou
os olhos, e um arrepio percorreu tua pele inteira.
Minha mão deslizou pela tua cintura e te puxei para cima de mim, com a lentidão
de quem sabe a importância de cada centímetro de aproximação.
Você veio sem resistência — como se teu corpo reconhecesse o caminho sozinho.
A tensão
voltou com força, mas não era mais a tensão do desconhecido.
Era a do inevitável.
Nossos
beijos ficaram mais intensos, mais longos, mais cheios de tudo o que tínhamos
acabado de confessar. Você apoiou as mãos no meu ombro, e teu corpo se encaixou
ao meu com uma naturalidade que parecia destino.
Mas havia
mais do que desejo ali.
Havia uma razão para continuar.
E foi você
quem disse:
— Eu quero
tentar… contigo. Quero ver onde isso vai dar. Quero ficar.
Passei o
dedo pela tua boca, pela curva do teu queixo, pela linha do teu pescoço.
— Então fica — respondi.
Não como um pedido.
Como uma promessa.
Você sorriu,
um sorriso calmo, maduro, cheio de verdade.
Beijou meu queixo, meu rosto, minha boca, como se estivesse selando um pacto
silencioso.
E ali, entre
lençóis bagunçados e respirações entrecortadas, o desejo cresceu de novo — mas
cresceu junto com algo maior, mais raro: a certeza de que aquela história não
terminava naquele quarto.
Terminava
ali apenas o começo.
Porque,
quando você se deitou sobre mim mais uma vez, com o coração sincronizado ao
meu, descobri algo que não esperava:
A gente não
tinha vivido uma noite.
Tínhamos vivido o prelúdio de um nós.
E foi assim,
com o corpo quente, a alma aberta e um sorriso que dizia tudo, que a história
terminou:
não
com um fim…
mas com o início de um
relacionamento que prometia incendiar e acalmar na mesma intensidade.
JK –
16.11.25
A noite, o final desta história, não deixe de ler!

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