Havia algo no ar — algo que vibrava entre nós antes mesmo de qualquer toque.
Era como se teu corpo já soubesse o que o meu pretendia, como se a noite
tivesse decidido que não haveria volta.
Aproximei meus lábios da tua pele devagar, quase sem encostar de início,
apenas deixando meu sopro deslizar por ti. Era impressionante como isso te
arrepiava inteira. Teu corpo reagia antes de você permitir, como se meus gestos
fossem uma língua secreta que só ele entendia.
Desci novamente até teus pés, mas agora com uma intenção diferente, mais
profunda. Beijei-os como quem jura fidelidade a um desejo antigo. Tua
respiração mudou — ficou curta, tensa, cheia de antecipação. Era lindo ver como
você se desfazia só com a promessa do que viria.
Subi pelas tuas pernas em um ritmo lento, quase provocador, deixando meu
nariz, meus lábios e minhas mãos traçarem o caminho. Teus músculos tremiam com
cada toque, como se buscassem mais, sempre mais. E quando minhas mãos
firmaram-se em tua cintura, senti teu corpo inteiro estremecer, como se algo
dentro de ti gritasse sem som.
— Joga os cabelos pra trás… — pedi outra vez, mas agora minha voz saiu
baixa, rouca, carregada de intenção.
Quando você obedeceu, abriu-se diante de mim uma beleza que quase doeu. Tua
pele, teus traços, tua entrega… tudo parecia pulsar. A cada centímetro que eu
explorava, teu corpo respondia com mais intensidade, como se a tensão acumulada
estivesse prestes a te quebrar por dentro.
Aproximei meu rosto do teu, sem te tocar, apenas deixando o silêncio entre
nós incendiar o ar. Tua boca entreaberta, teus olhos pedindo sem admitir, teu
peito subindo e descendo num ritmo que denunciava o que você sentia.
E então tu me puxou, sem palavras — foi um gesto quase selvagem, quase
involuntário. Como se tua alma tivesse se adiantado ao teu corpo.
— Me leva… — sussurrou, mas tua voz falhou no fim, como se a frase tivesse
sido roubada pelo desejo.
E naquele instante, antes mesmo de te beijar, antes de qualquer movimento,
percebi que a tensão entre nós não estava no que fazíamos… mas naquilo que
estávamos prestes a perder o controle de sentir.
O ar ficou pesado.
O mundo, distante.
E você, inteira na minha frente, parecia pedir que eu atravessasse seus limites
com cuidado… e ao mesmo tempo com fome.
Aí sim, te beijei — não para acalmar, mas para incendiar de vez.
***Não deixe de ler, amanhã, o final desta história.
JK – 16.11.25

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