quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Entre teus mistérios — Parte II

 Havia algo no ar — algo que vibrava entre nós antes mesmo de qualquer toque.

Era como se teu corpo já soubesse o que o meu pretendia, como se a noite tivesse decidido que não haveria volta.

Aproximei meus lábios da tua pele devagar, quase sem encostar de início, apenas deixando meu sopro deslizar por ti. Era impressionante como isso te arrepiava inteira. Teu corpo reagia antes de você permitir, como se meus gestos fossem uma língua secreta que só ele entendia.

Desci novamente até teus pés, mas agora com uma intenção diferente, mais profunda. Beijei-os como quem jura fidelidade a um desejo antigo. Tua respiração mudou — ficou curta, tensa, cheia de antecipação. Era lindo ver como você se desfazia só com a promessa do que viria.

Subi pelas tuas pernas em um ritmo lento, quase provocador, deixando meu nariz, meus lábios e minhas mãos traçarem o caminho. Teus músculos tremiam com cada toque, como se buscassem mais, sempre mais. E quando minhas mãos firmaram-se em tua cintura, senti teu corpo inteiro estremecer, como se algo dentro de ti gritasse sem som.

— Joga os cabelos pra trás… — pedi outra vez, mas agora minha voz saiu baixa, rouca, carregada de intenção.

Quando você obedeceu, abriu-se diante de mim uma beleza que quase doeu. Tua pele, teus traços, tua entrega… tudo parecia pulsar. A cada centímetro que eu explorava, teu corpo respondia com mais intensidade, como se a tensão acumulada estivesse prestes a te quebrar por dentro.

Aproximei meu rosto do teu, sem te tocar, apenas deixando o silêncio entre nós incendiar o ar. Tua boca entreaberta, teus olhos pedindo sem admitir, teu peito subindo e descendo num ritmo que denunciava o que você sentia.

E então tu me puxou, sem palavras — foi um gesto quase selvagem, quase involuntário. Como se tua alma tivesse se adiantado ao teu corpo.

— Me leva… — sussurrou, mas tua voz falhou no fim, como se a frase tivesse sido roubada pelo desejo.

E naquele instante, antes mesmo de te beijar, antes de qualquer movimento, percebi que a tensão entre nós não estava no que fazíamos… mas naquilo que estávamos prestes a perder o controle de sentir.

O ar ficou pesado.
O mundo, distante.
E você, inteira na minha frente, parecia pedir que eu atravessasse seus limites com cuidado… e ao mesmo tempo com fome.

Aí sim, te beijei — não para acalmar, mas para incendiar de vez.

 

***Não deixe de ler, amanhã, o final desta história.

 

JK – 16.11.25




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