Esta semana eu me senti dentro de uma comédia britânica, tipo “Quatro Casamentos e Um Funeral”, só que no meu caso o roteiro veio com uma pequena inversão: dois funerais e nenhum casamento.
Em apenas três dias, o pai de uma colega e a mãe de uma grande amiga se
despediram da vida. E por mais que a gente saiba que isso é o destino de todos,
ninguém está verdadeiramente preparado para o momento em que o telefone toca e
traz a notícia que o coração não queria ouvir.
Mas calma, não quero transformar este texto num
drama de fim de tarde. A vida segue — às vezes tropeçando, às vezes rindo de
nervoso, mas segue.
E foi entre uma lágrima e outra que percebi algo
curioso: cheguei naquela fase em que as pessoas estão preferindo morrer
a casar. Ou, sendo mais justo, talvez eu tenha apenas envelhecido.
Antes, eu passava o fim de semana indo a aniversários, casamentos e churrascos.
Agora, as mensagens que chegam são de condolências, e os reencontros com os
amigos acontecem ao som de músicas calmas e cheirinho de café com bolo — o
combo clássico dos velórios.
É estranho, mas tem um certo charme nessa
mudança. A gente passa a conversar mais sobre o passado, rir das nossas
trapalhadas, lembrar de quem fomos e fingir que ainda temos o mesmo pique. Só
não temos mais o mesmo cabelo.
O problema é que, no ritmo que as coisas vão,
daqui a pouco só restará um amigo para apagar a luz e fechar o caixão. Espero
sinceramente que esse não seja eu — e, por via das dúvidas,
também espero que não seja o meu casamento.
Porque, convenhamos, entre flores, lágrimas e
promessas de amor eterno… eu prefiro mesmo um bom café e uma boa piada sobre a
vida. Afinal, rir dela é o único jeito decente de sobreviver a ela.
Amém! ☕💐
JK – 01.11.25

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