quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Entre casamentos e funerais

 Esta semana eu me senti dentro de uma comédia britânica, tipo “Quatro Casamentos e Um Funeral”, só que no meu caso o roteiro veio com uma pequena inversão: dois funerais e nenhum casamento.


Em apenas três dias, o pai de uma colega e a mãe de uma grande amiga se despediram da vida. E por mais que a gente saiba que isso é o destino de todos, ninguém está verdadeiramente preparado para o momento em que o telefone toca e traz a notícia que o coração não queria ouvir.

Mas calma, não quero transformar este texto num drama de fim de tarde. A vida segue — às vezes tropeçando, às vezes rindo de nervoso, mas segue.

E foi entre uma lágrima e outra que percebi algo curioso: cheguei naquela fase em que as pessoas estão preferindo morrer a casar. Ou, sendo mais justo, talvez eu tenha apenas envelhecido.


Antes, eu passava o fim de semana indo a aniversários, casamentos e churrascos. Agora, as mensagens que chegam são de condolências, e os reencontros com os amigos acontecem ao som de músicas calmas e cheirinho de café com bolo — o combo clássico dos velórios.

É estranho, mas tem um certo charme nessa mudança. A gente passa a conversar mais sobre o passado, rir das nossas trapalhadas, lembrar de quem fomos e fingir que ainda temos o mesmo pique. Só não temos mais o mesmo cabelo.

O problema é que, no ritmo que as coisas vão, daqui a pouco só restará um amigo para apagar a luz e fechar o caixão. Espero sinceramente que esse não seja eu — e, por via das dúvidas, também espero que não seja o meu casamento.

Porque, convenhamos, entre flores, lágrimas e promessas de amor eterno… eu prefiro mesmo um bom café e uma boa piada sobre a vida. Afinal, rir dela é o único jeito decente de sobreviver a ela.

Amém! ☕💐


JK – 01.11.25




 

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