domingo, 30 de novembro de 2025

Entre teus mistérios, onde a história continua

 Os dias seguintes não foram um incêndio constante como aquela noite, nem um silêncio terno como a manhã que os uniu…

Foram um meio-termo perfeito: um calor que se mantinha, uma calma que acolhia, uma rotina que aprendia a respirar a dois.

Eles descobriram que a felicidade não chega gritando — chega entrando devagar, ocupando espaços antes vazios.

Começaram a dividir cafés, risadas, preguiças de domingo.
Descobriram maneiras novas de se tocar, não só com o corpo, mas com a presença.
E cada gesto pequeno — um beijo na testa, um abraço demorado, uma mão entrelaçada sem aviso — parecia renovar a promessa silenciosa daquele início.

O desejo continuava, sim.
Vivo, quente, renascendo sempre que os olhares se encontravam por mais de um segundo.
Mas agora havia algo maior sustentando tudo:
o cuidado, a confiança, a certeza tranquila de que tinham encontrado um no outro um porto e um horizonte.

Com o tempo, perceberam que a felicidade não morava na intensidade…
mas na continuidade.

E assim seguiram:
amando com profundidade,
desejando com verdade,
vivendo com leveza.

Não precisaram de juramentos.
Não precisaram de promessas eternas.

Bastou o simples fato de escolherem-se todos os dias.

E escolheram.

E foram felizes —
não porque tudo era perfeito,
mas porque finalmente descobriram que o amor, quando é verdadeiro, cresce onde há coragem e repousa onde há paz.

 

JK – 16.11.25

 


E aqui termina os contos sensuais, espero que tenham gostado.

Dezembro, novos temas.




Entre teus mistérios — O começo de nós dois

 O beijo da manhã tinha acendido algo que nenhum de nós estava pronto para apagar. Era um fogo calmo, profundo, desses que não queimam por impulso — queimam por reconhecimento. E quanto mais nos beijávamos devagar, mais percebia que não era só desejo… era pertencimento.

Você se aproximou ainda mais, encaixando tua perna entre as minhas com uma naturalidade que dizia tudo sem precisar de som. Teus dedos passeavam pela minha nuca, leves, mas firmes, deixando claro que aquela nova onda de tensão não iria parar tão cedo.

Entre um suspiro e outro, você encostou o rosto no meu e ficou assim, respirando perto, como se precisasse desse contato para continuar existindo.

— Eu não queria que isso acabasse — você confessou, num sussurro quase tímido, quase valente.

A frase me atravessou como um raio lento.
Segurei teu rosto com as duas mãos e te olhei nos olhos — de verdade, como poucos olhares acontecem na vida.

— Também não quero — respondi, e minha voz saiu mais honesta do que eu esperava.

Por um instante, o silêncio no quarto ficou mais intenso que qualquer toque.
Era como se o universo tivesse prendido a respiração esperando o que viria a seguir.

Você deslizou a mão pelo meu peito e parou sobre meu coração.
— Eu senti… algo ontem — disse. — Algo que eu não sentia há muito tempo. E hoje… — engoliu o ar com dificuldade — hoje eu sinto mais ainda. Sinto que quero você perto. Não só no desejo. Quero você… aqui.

Tocou meu peito novamente, dessa vez com força suave.
Ali.
Onde dói e cura ao mesmo tempo.

Meu corpo reagiu antes da minha voz.

Aproximei minha boca da tua o suficiente para sentir teu hálito tremer.
— Ontem eu te desejei — murmurei. — Mas hoje… hoje eu te escolho.

Você fechou os olhos, e um arrepio percorreu tua pele inteira.
Minha mão deslizou pela tua cintura e te puxei para cima de mim, com a lentidão de quem sabe a importância de cada centímetro de aproximação.
Você veio sem resistência — como se teu corpo reconhecesse o caminho sozinho.

A tensão voltou com força, mas não era mais a tensão do desconhecido.
Era a do inevitável.

Nossos beijos ficaram mais intensos, mais longos, mais cheios de tudo o que tínhamos acabado de confessar. Você apoiou as mãos no meu ombro, e teu corpo se encaixou ao meu com uma naturalidade que parecia destino.

Mas havia mais do que desejo ali.
Havia uma razão para continuar.

E foi você quem disse:

— Eu quero tentar… contigo. Quero ver onde isso vai dar. Quero ficar.

Passei o dedo pela tua boca, pela curva do teu queixo, pela linha do teu pescoço.
— Então fica — respondi.
Não como um pedido.
Como uma promessa.

Você sorriu, um sorriso calmo, maduro, cheio de verdade.
Beijou meu queixo, meu rosto, minha boca, como se estivesse selando um pacto silencioso.

E ali, entre lençóis bagunçados e respirações entrecortadas, o desejo cresceu de novo — mas cresceu junto com algo maior, mais raro: a certeza de que aquela história não terminava naquele quarto.

Terminava ali apenas o começo.

Porque, quando você se deitou sobre mim mais uma vez, com o coração sincronizado ao meu, descobri algo que não esperava:

A gente não tinha vivido uma noite.
Tínhamos vivido o prelúdio de um nós.

E foi assim, com o corpo quente, a alma aberta e um sorriso que dizia tudo, que a história terminou:

não com um fim…
mas com o início de um relacionamento que prometia incendiar e acalmar na mesma intensidade.

 

JK – 16.11.25


A noite, o final desta história, não deixe de ler!




Entre teus mistérios — Renascença do desejo

 A luz da manhã entrou pelo quarto como um sussurro tímido, iluminando a calma que ainda pairava sobre nós. Você dormia aninhada no meu peito, a respiração leve, o rosto tranquilo — tão diferente da intensidade da noite anterior que parecia impossível que fosse a mesma pessoa.

Acariciei teus cabelos devagar, sem intenção além de observar o jeito como teus cílios tremiam quando te tocava. E foi nesse pequeno gesto que percebi: havia algo novo entre nós.
Não era mais só desejo.
Era algo mais profundo… algo que me puxava para mais perto, mesmo quando já estávamos colados.

Você abriu os olhos lentamente, ainda perdida entre sonho e realidade, e quando me viu ali, tão próximo, sorriu daquele jeito que desmonta qualquer defesa.

— Bom dia… — sussurrou.

Foi um “bom dia” simples, mas carregado de tudo o que não tivemos coragem de dizer.
E foi aí que começou a nova onda.

Teu corpo se mexeu levemente, uma mudança mínima de posição que fez tua pele roçar na minha. Bastou isso — um toque involuntário, quase acidental — para despertar uma tensão suave, quente, que se espalhou como brasa sob a nossa pele.

Você percebeu.
Eu também.

Teu olhar mudou: ficou mais lento, mais atento, como se estivesse explorando minha expressão em busca de uma permissão silenciosa. Havia um brilho nos teus olhos que não era da manhã — era daquela fome calma, madura, que nasce quando já existe intimidade suficiente para desejar outra vez… e desejar de outro jeito.

Passei o polegar pela tua bochecha.
Você respirou fundo, como se aquele gesto dissesse mais do que qualquer toque mais ousado.

Não precisávamos de pressa.
Não precisávamos de palavras.

O desejo que nasceu ali não tinha a violência urgente da noite passada. Era um desejo mais íntimo, mais grave, mais sensível — desses que começam no peito antes de chegar ao resto do corpo.

Você se aproximou devagar e deitou a testa na minha, fechando os olhos por um instante.
Aquele gesto simples queimou mais do que mil beijos.

Senti teu hálito quente misturar-se ao meu.
Senti teu corpo despertar lentamente, reconhecendo o meu como se voltasse a um lugar familiar.
Senti tua mão deslizar pela minha nuca, sem intenção explícita — apenas um carinho que, por si só, incendiava.

— Eu quero de novo — você murmurou, não como um pedido, mas como uma confissão.

Mas não era “de novo” no sentido da noite.
Era “de novo” no sentido de continuar a história… aprofundar o que tínhamos acabado de encontrar.

Te abraçei com mais força, trazendo tua cintura para junto da minha.
E quando te beijei, foi devagar, suave, profundo — o tipo de beijo que acende o corpo inteiro sem pressa, que prepara, que pergunta, que promete.

E assim, na meia-luz suave daquela manhã, sem urgência, sem tempestades, o desejo renasceu entre nós… não como fogo descontrolado, mas como brasa que sabe exatamente como queimar.

Um desejo mais íntimo.
Mais emocional.
Mais nosso.

 

***Continua amanhã: O começo de nós dois

 

JK – 16.11.25




sábado, 29 de novembro de 2025

Entre teus mistérios, epílogo

O silêncio que se instalou entre nós não era vazio.

Era denso, cálido, cheio de significados que não precisavam ser ditos.

Você ainda estava deitada sobre meu peito, o ouvido repousado no meu coração, como se escutasse o que minha respiração não conseguia confessar. Meus dedos percorriam lentamente teus cabelos, agora um pouco bagunçados, como quem tenta memorizar uma sensação antes que o tempo a leve.

Teu corpo inteiro parecia relaxado, entregue de um jeito raro, como se finalmente tivesse encontrado um lugar onde podia existir sem defesas. E havia algo tão bonito nisso… tão profundamente humano… que meu peito se apertou.

— Fica assim mais um pouco — você murmurou, a voz baixa, arrastada, como se ainda estivesse navegando entre sono e sensação.

E eu fiquei.
Ficaria horas.
Dias, se você pedisse daquele jeito.

Tu passavas a ponta dos dedos na minha pele como quem desenha para não esquecer. Pequenos toques que não buscavam mais intensidade — buscavam presença. A confirmação silenciosa de que estávamos ali, inteiros, vulneráveis, sem pressa.

Quase sem querer, você sorriu. Aquele sorriso menor, quase secreto.

— Não imaginava que fosse me sentir tão… — você parou no meio da frase, procurando uma palavra que não existe.

Eu entendi.
Também não havia nome para aquilo.

Aproximei meu rosto do teu, devagar, e te dei um beijo suave, desses que não acendem fogo — aquecem a alma. E você correspondeu da maneira mais íntima possível: sem urgência, sem tensão, apenas verdade.

Teus olhos me encontraram num silêncio que disse mais que qualquer declaração. Eram leves, mas profundos. Cansados, mas luminosos. E havia neles um pedido que não se dizia em voz alta: fica comigo nessa calma, não só na tempestade.

Te puxei ainda mais para perto.
Te encaixei no meu abraço como se teu corpo tivesse sido feito para caber ali.

Senti tua respiração sincronizar com a minha, teu peito subir e descer no mesmo ritmo, e aquele instante — simples, delicado — pareceu mais íntimo do que tudo o que tinha acontecido antes.

Não era mais desejo.
Era pertencimento.

Você deslizou a mão pelo meu peito, parou sobre meu coração e fechou os olhos como se estivesse guardando um segredo só seu. Eu te observei em silêncio, sentindo uma paz que não lembrava há quanto tempo não visitava.

E ali, naquele quarto onde a noite ainda pairava pesada e doce, percebi que não era apenas teu corpo que tinha se entregado a mim… mas alguma parte da tua alma.

Nos abraçamos até o sono chegar.
E quando finalmente adormecemos, parecia que o mundo inteiro tinha diminuído para caber dentro daquele instante.

 

***E amanhã, tem mais: a Renascença do desejo. Não deixe de ler!

 

JK – 16.11.25




 

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Entre teus mistérios — Parte Final

 O beijo começou lento… mas não permaneceu assim. Havia algo dentro de nós que vinha sendo represado desde o primeiro olhar daquela noite, e agora simplesmente rompia. Tua boca buscava a minha com fome, com sede, como se cada segundo longe fosse insuportável. Me puxavas com uma pressa quase desesperada, e ao mesmo tempo com um carinho que só quem confia de verdade consegue oferecer.

Minhas mãos deslizavam pela tua cintura, subiam por tuas costas, e cada vez que eu te puxava mais para perto, teu corpo reagia como se tivesse sido acordado de um sonho profundo. Tua respiração quente roçava meu pescoço, tua pele ardia contra a minha, e cada contato parecia acender mais alguma coisa que não sabíamos nomear.

A tensão entre nós era tão forte que chegava a vibrar.
Era impossível pensar, impossível controlar, impossível fingir calma.

Você me olhou por um segundo — um único segundo — e naquele olhar havia tudo: desejo, entrega, urgência, fome, e aquela vulnerabilidade linda de quem diz “eu sou tua agora, vai”.
Esse instante me desarmou por completo.

Te puxei pela cintura e te deitei devagar, mas havia uma ansiedade gritando dentro de nós, uma força que nos fazia perder o ritmo e depois reencontrar, como se estivéssemos dançando à beira de um abismo. Tuas mãos me puxavam com mais força, teus dedos marcavam minha pele, tua respiração falhava entre suspiros que tentavas conter, mas não conseguia.

O quarto pareceu desaparecer.
A noite se estreitou ao redor dos nossos corpos.
Tudo ficou quente, urgente, inevitável.

Cada gesto meu arrancava de você um novo arrepio, um som baixo, um tremor que te denunciava inteira. Eu sentia teus músculos tensos, teu corpo arqueando, tua entrega crescendo como uma onda que não podia mais ser segurada. A cada toque, a cada beijo, a cada movimento, você afundava mais em mim — e eu em você.

Era como se estivéssemos atravessando um limite invisível.
Como se nada além daquela sensação importasse.

E então, no ápice daquela noite, quando teu corpo se curvou como se tentasse abraçar o mundo inteiro e tua respiração se perdeu, fomos levados juntos — não para um lugar físico, mas para aquele espaço raro onde dois desejos se encontram e se reconhecem.
Onde não existe medo.
Onde não existe controle.
Onde só existe entrega.

Ficamos ali, colados, respirando rápido, trêmulos, ainda tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Teus dedos ainda desenhavam minha pele sem perceber, como se teu corpo estivesse lembrando sozinho de tudo.

E quando finalmente o ritmo de nossas respirações voltou ao normal, você sorriu — aquele sorriso lento, cansado, satisfeito — e se aninhou no meu peito como quem encontra um porto seguro depois de atravessar uma tempestade.

Beijei tua testa, ainda ofegante.

Exaustos, completamente saciados, deixamos o silêncio terminar a história por nós.

 

JK – 16.11.25

 

***Não deixe de ler amanhã, o epílogo, desta história. Esta imperdível!




quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Entre teus mistérios — Parte II

 Havia algo no ar — algo que vibrava entre nós antes mesmo de qualquer toque.

Era como se teu corpo já soubesse o que o meu pretendia, como se a noite tivesse decidido que não haveria volta.

Aproximei meus lábios da tua pele devagar, quase sem encostar de início, apenas deixando meu sopro deslizar por ti. Era impressionante como isso te arrepiava inteira. Teu corpo reagia antes de você permitir, como se meus gestos fossem uma língua secreta que só ele entendia.

Desci novamente até teus pés, mas agora com uma intenção diferente, mais profunda. Beijei-os como quem jura fidelidade a um desejo antigo. Tua respiração mudou — ficou curta, tensa, cheia de antecipação. Era lindo ver como você se desfazia só com a promessa do que viria.

Subi pelas tuas pernas em um ritmo lento, quase provocador, deixando meu nariz, meus lábios e minhas mãos traçarem o caminho. Teus músculos tremiam com cada toque, como se buscassem mais, sempre mais. E quando minhas mãos firmaram-se em tua cintura, senti teu corpo inteiro estremecer, como se algo dentro de ti gritasse sem som.

— Joga os cabelos pra trás… — pedi outra vez, mas agora minha voz saiu baixa, rouca, carregada de intenção.

Quando você obedeceu, abriu-se diante de mim uma beleza que quase doeu. Tua pele, teus traços, tua entrega… tudo parecia pulsar. A cada centímetro que eu explorava, teu corpo respondia com mais intensidade, como se a tensão acumulada estivesse prestes a te quebrar por dentro.

Aproximei meu rosto do teu, sem te tocar, apenas deixando o silêncio entre nós incendiar o ar. Tua boca entreaberta, teus olhos pedindo sem admitir, teu peito subindo e descendo num ritmo que denunciava o que você sentia.

E então tu me puxou, sem palavras — foi um gesto quase selvagem, quase involuntário. Como se tua alma tivesse se adiantado ao teu corpo.

— Me leva… — sussurrou, mas tua voz falhou no fim, como se a frase tivesse sido roubada pelo desejo.

E naquele instante, antes mesmo de te beijar, antes de qualquer movimento, percebi que a tensão entre nós não estava no que fazíamos… mas naquilo que estávamos prestes a perder o controle de sentir.

O ar ficou pesado.
O mundo, distante.
E você, inteira na minha frente, parecia pedir que eu atravessasse seus limites com cuidado… e ao mesmo tempo com fome.

Aí sim, te beijei — não para acalmar, mas para incendiar de vez.

 

***Não deixe de ler, amanhã, o final desta história.

 

JK – 16.11.25




quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Entre teus mistérios

Há histórias que não se explicam.

Apenas acontecem…
Começam como um arrepio que ninguém admite sentir,
um silêncio carregado demais para ser inocente,
um olhar que diz “volte” mesmo quando a boca não diz nada.

Esta é uma história que nasce na penumbra dos desejos não confessados,
na tensão que cresce quando dois corpos se aproximam devagar demais,
no mistério do que poderia acontecer se um deles ousasse mais um pouco.

Aqui, cada parte revela só o suficiente para incendiar a próxima.
Nenhum passo é por acaso.
Nenhum toque é gratuito.
Nada é dito… mas tudo é sentido.

Leia assim:
um dia por vez,
uma provocação por vez,
uma nova chama acesa a cada retorno.

Quarta-feira: Entre teus mistérios, parte I


Quinta-feira: Entre teus mistérios, parte II


Sexta-feira: Entre teus mistérios, parte final


Sábado: Entre teus mistérios, epílogo

Domingo: Entre teus mistérios, renascença do desejo

Segunda-feira: Entre teus mistérios, o começo de nós dois


Terça-feira: Entre teus mistérios, onde a história continua
 

 

Volte amanhã.
A próxima parte não espera —
mas deseja que você espere.
E quando voltar… tudo ficará ainda mais quente.



...


Entre teus mistérios


A noite parecia ter sido feita para nós dois. O silêncio envolvia o quarto como um segredo cúmplice, e cada gesto seu tinha o poder de incendiar tudo dentro de mim.

Acariciei teus pés outra vez, agora com mais firmeza, sentindo o calor que subia deles para o meu peito. Cada beijo que eu deixava ali parecia arrancar um suspiro teu que você tentava — e falhava — esconder. Era lindo te ver perdendo o controle devagar, não por acaso, mas por escolha.

Quando subi pelos teus tornozelos, teus joelhos, tuas coxas, teus músculos tremeram sob minhas mãos. A cada toque meu, teu corpo dizia “continua”, mesmo quando tua voz não encontrava palavras. Beijei tua pele macia como quem percorre um mapa secreto, aquele que só eu sabia decifrar.

Puxei teu olhar para o meu, e nele vi uma mistura de desejo, entrega e algo mais profundo — uma confiança silenciosa. Pedi que jogasse os cabelos para trás. Quando o fez, teu rosto ficou completamente exposto para mim, iluminado por uma coragem bonita, quase selvagem.

Minhas mãos deslizaram pela curva dos teus quadris, pela tua cintura, pelos detalhes que só se revelam a quem sabe esperar. Tu te arqueava, respirando mais rápido, como se teu corpo tivesse encontrado um novo ritmo só nosso.

Eu te explorava com calma, com fome e cuidado ao mesmo tempo, e você se desfazia em ondas que tentava controlar, mas que te dominavam por dentro. Me pediu — sem voz, sem razão — que te levasse além do que já conhecíamos. Havia em ti uma entrega que me desarmava.

E quando nos unimos, num gesto profundo de reconhecimento, tudo em volta desapareceu. Era só o calor, a respiração entrecortada, a pele arrepiada, a sensação de sermos mais fortes juntos do que separados.
Nos beijamos então — devagar, como quem agradece; intenso, como quem entende.

E por alguns instantes, o mundo coube inteiro entre nossas bocas.

 

***Não deixe de ler a segunda parte, amanhã!

 

JK – 16.11.25









terça-feira, 25 de novembro de 2025

Ele brindou… mas ela não existia mais - Parte 2

 João começou a evitar espelhos. Evitava vidros, evitava olhar para qualquer superfície que pudesse refletir sua própria imagem — ou a dela. A cada tentativa, via aquele contorno familiar parado atrás dele, imóvel, como se aguardasse o momento certo para ser notado.

Ele dormia pouco, com o corpo sempre em alerta. A sensação era a mesma de quem espera que algo toque seu ombro a qualquer instante.

Mas ele precisava de respostas.
Sabia que não descansaria enquanto não entendesse o que realmente acontecera naquela noite no bar.

Decidiu voltar ao local.

Quando chegou, percebeu algo que antes não havia notado: a porta, apesar de idêntica, parecia mais velha. O letreiro estava apagado, as janelas cobertas de poeira. Ele entrou mesmo assim — e encontrou o interior abandonado, com mesas encostadas na parede e cheiro de mofo no ar.

O bar estava fechado havia pelo menos cinco anos.

— Mas eu estive aqui semana passada… — murmurou, sentindo o estômago revirar.

No balcão, encontrou um porta-guardanapos metálico. Dentro, apenas um único guardanapo intacto.
João puxou.

Era o mesmo guardanapo onde Joanna escrevera seu nome e endereço.

A mesma caligrafia.

O mesmo papel.

Mas… o dele continuava guardado na carteira.

Ele tirou a carteira, abriu — e viu que o guardanapo não estava mais lá.

A respiração ficou curta.
O coração, acelerado.

O bar estava escuro, exceto por uma luz fraca que vinha do espelho ao fundo. João tentou não olhar, mas era como se seus olhos fossem puxados para ali.

E então ele viu.

Não apenas a silhueta.
Viu o rosto dela.
Pálido.
Os olhos profundamente afundados, como se carregassem séculos de ausência.
Os lábios moviam-se, formando palavras silenciosas.

João virou o rosto, fechou os olhos e correu para fora. Só parou quando chegou ao fim da rua.

Respirou fundo.

— Isso não pode estar acontecendo…

Mas precisava continuar. A terceira hipótese — a do “convite” — parecia a única que fazia sentido. E, de alguma forma, ele sabia que sua ligação com Joanna não terminara ali.

Voltou ao prédio onde a mulher supostamente morara. Releu o endereço no guardanapo que encontrara no bar abandonado. Eram idênticos.
Subiu até o apartamento.
A porta estava entreaberta.

— Alô? Pedro? — chamou, com a voz trêmula.

Silêncio.

A sala estava vazia, como se ninguém morasse ali há anos. O ar tinha cheiro de poeira antiga. Um porta-retrato caído no chão chamou sua atenção. Ele o virou.

Era uma foto dos dois irmãos: Pedro… e Joanna.

Mas Joanna estava diferente daquela da foto anterior.
Na imagem nova, seus olhos estavam apagados — borrados, como se alguém tivesse raspado a área com uma lâmina.

— Isso não estava assim… — sussurrou.

Um barulho no corredor o fez se virar.
Passos lentos.
Arrastados.

João não viu ninguém, mas o ar ficou pesado. Como antes da chegada de uma tempestade.

De repente, seu celular vibrou no bolso.
Olhou a tela.
Um número desconhecido.

Atendeu.

Por alguns segundos, nada.

Depois, ouviu uma respiração… fria, ritmada… familiar.

E então, a voz.

— João… você voltou.

A ligação caiu.

João ficou ali, parado, sentindo o corpo gelar.
Deu alguns passos para trás, pronto para fugir, quando viu algo no corredor: um rastro úmido se formando no chão, como marcas de pés descalços, caminhando em sua direção.

Ele correu.

Correu escada abaixo, quase tropeçando, sentindo cada fio de cabelo se eriçar como se mãos invisíveis o perseguissem.
Na rua, respirou o ar frio da noite.

Guardanapo na mão.
Telefone em silêncio.

E, ao erguer os olhos, percebeu algo que o fez estremecer completamente:

A janela do apartamento de Joanna — o mesmo onde Pedro dissera que ela morava — estava iluminada.
E havia uma silhueta ali.
Imóvel.
Observando.

João não sabia se era Joanna.
Ou algo usando a sua forma.
Ou se era um aviso de que a história não terminara naquela noite.

Ele deu um passo para trás.

A luz se apagou.

E o prédio mergulhou em silêncio absoluto.

Até hoje, João evita passar naquela rua.
Mas, às vezes, quando abre a carteira… encontra o guardanapo de Joanna ali novamente.
Com um detalhe novo:
sempre, sempre aparece uma palavra escrita no canto inferior:

“Volte.”

 

JK – 14.11.25



segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Ele brindou... mas ela não existia mais

  João, um homem de 57 anos, sempre teve uma rotina simples: trabalho, casa e, vez ou outra, uma cerveja gelada no bar da esquina. Naquela noite chuvosa, porém, algo parecia puxá-lo para fora, como se uma força invisível o convidasse a sair de casa. Ele decidiu ir até o bar.

Entrou, sacudiu o casaco encharcado e sentou no balcão. Pediu uma cerveja. O bar estava quase vazio, exceto por um casal jogando sinuca e o garçom sonolento encostado no freezer.

Foi então que ela entrou.

Uma mulher de aparência elegante, por volta dos 50 anos, cabelos escuros presos de forma simples, mas impecável. Vestia um casaco comprido, que deixava um rastro de ar frio por onde passava. Ela se aproximou do balcão, sentou a dois bancos de distância de João e pediu:

— Uma cerveja, por favor.

Quando recebeu o copo, virou-se para ele. Seu olhar era tão fixo e intenso que João sentiu o corpo estremecer — como se alguém estivesse segurando sua coluna por dentro.

— Vamos fazer um brinde? — ela disse, erguendo o copo com um sorriso quase triste.

João, sem entender exatamente o porquê, aceitou.

Brindaram.

E, por algum motivo, a conversa fluiu — ou melhor, ela falou sem parar. Sobre a vida, sobre o irmão, sobre a cidade, sobre memórias que pareciam flutuar entre nostalgia e melancolia. João notou que ela nunca tocava nele, nem mesmo quando ria. Era como se um pequeno espaço de ar gelado os separasse.

Na hora de ir embora, ele tentou pedir seu telefone, mas ela apenas pegou um guardanapo, anotou o nome Joanna Galvão, um endereço e entregou a ele.

— Se quiser me ver, é só ir até lá — disse, levantando-se. — Eu sempre estou.

A frase soou estranha, mas antes que João pudesse perguntar qualquer coisa, ela já havia desaparecido pela porta.

João guardou o guardanapo na carteira e esqueceu o assunto por alguns dias.

Até que, uma semana depois, decidiu visitá-la.

Ao chegar no endereço, um prédio antigo, de janelas estreitas e jardim malcuidado, apertou o interfone.

— Alô? — respondeu uma voz masculina.

— Boa tarde… estou procurando a Joanna. Ela mora aí?

Houve um silêncio.

— Quem está falando? — perguntou o homem, num tom cauteloso.

— Meu nome é João. Eu a conheci semana passada. Ela me deu esse endereço…

O homem respirou fundo e respondeu:

— Amigo… deve haver algum engano. Minha irmã… a Joanna… faleceu há três meses.

João congelou.

— Como assim? Eu estive com ela! Conversamos por horas! — disse, sentindo a garganta fechar.

O homem, que se apresentou como Pedro, desceu para falar com João pessoalmente e, ao ver o desespero dele, levou-o até o apartamento. Lá mostrou uma velha fotografia em preto e branco de sua irmã.

João ficou pálido.

Era ela. A mesma mulher. O mesmo olhar.

A mesma que brindou com ele sete dias antes.

Nos dias seguintes, João caiu em um turbilhão de pensamentos. Tentou investigar, perguntar ao garçom do bar (que estranhamente não lembrava de nenhuma mulher naquela noite). Tentou refazer o caminho. Procurou informações em jornais antigos.

Mas nada explicava o que acontecera.

Porém, três hipóteses, três possibilidades macabras, insistiam em assombrá-lo madrugada após madrugada:

1. A hipótese da dívida não paga

Joanna poderia ter sido vítima de algo terrível — algo que a prendeu entre o mundo dos vivos e dos mortos. Talvez ela tivesse sido assassinada. Talvez ainda buscasse alguém que a ajudasse a vingar-se, e o brinde com João tivesse selado um pacto involuntário.
Às vezes, João acordava com marcas escuras no pulso, como dedos apertando sua pele. Como se alguém estivesse tentando arrastá-lo para o mesmo destino.

2. A hipótese do espelho quebrado

Naquela noite no bar, João lembrava de ter olhado para o espelho atrás do balcão… e não ter visto o reflexo da mulher. Na hora, pensou estar enganado. Agora, tem certeza.
Talvez não fosse ela — mas algo que imitava sua forma, usando a identidade de Joanna como máscara. Uma entidade que precisava ser lembrada para continuar existindo.
E ele a lembrou.
E agora ela aparece em qualquer superfície refletida que João tenta encarar por mais de dois segundos.

3. A hipótese do convite

E se o endereço não fosse apenas um lugar?
E se fosse um chamado?
João descobriu, pesquisando, que aquela casa havia sido palco de rituais espíritas décadas antes. Talvez Joanna — ou o que restava dela — estivesse presa naquele apartamento, esperando alguém sensível o bastante para vê-la e ouvi-la.
Afinal, ela disse: "Eu sempre estou."
E desde que João foi lá… ele também sente algo à espreita, como se um segundo par de passos o acompanhasse até o portão do prédio sempre que passa por perto.


Continua amanhã.....


Jean – 14.11.25




domingo, 23 de novembro de 2025

🌾 Quando a luz me chamou pelo nome 🌾

 Às vezes, sinto que Deus me chama de um jeito que não sei explicar.

Como São Francisco de Assis, Santo Antônio de Pádua e São Vicente de Paulo, tenho pensado seriamente em abrir mão de tudo — dos bens, dos títulos, das vaidades — para viver apenas com o essencial: fé, amor e serviço.

Não sei se foi sonho, revelação ou milagre, mas uma luz imensa e serena, com voz feminina, me visitou. Sua presença envolvia paz. Ela dizia:

“Serve a Deus, filho. Leva consolo a quem chora, amor a quem sofre, pão a quem tem fome, e fé a quem perdeu a esperança.”

Desde então, essa voz não sai do meu coração.
Ela tem me despertado nas madrugadas, me convidando a ser um homem melhor.
Confesso: ainda tropeço, erro, me irrito, falho. Sou humano, pecador e imperfeito.
Mas em cada erro, tento aprender a ser mais paciente, mais compassivo, mais justo. Tento ser um melhor pai, melhor filho, melhor amigo, melhor ser humano.

Há dias em que me sinto indigno dessa missão.
Mas logo lembro que é justamente aos fracos e aos simples que Deus confia as maiores tarefas.
E então, eu me levanto, fecho os olhos e digo:

“Senhor, usa-me como instrumento do Teu amor.”

Vivemos tempos difíceis.
A ganância nos cegou, o egoísmo nos isolou, e o amor ao próximo tem se perdido entre telas e aparências.
Estamos ferindo a terra, destruindo a natureza, ignorando o sofrimento alheio.
Mas ainda acredito que só o amor é capaz de salvar o mundo.

E quando o cansaço me visita, quando o medo tenta me calar, eu volto a ouvir aquela voz suave, doce como brisa, firme como verdade:

“Segue, filho. A luz nunca te deixou.”

Então compreendo: a fé é o fio invisível que me liga ao céu,


e o amor… o idioma com que Deus me fala em silêncio.

Que assim seja. 🌙✨

 


06.11.25 - JK



 

sábado, 22 de novembro de 2025

A presença invisível da fé

 Sábado, véspera de finados. O ar amanheceu diferente — pesado, silencioso, quase sagrado. Meu único compromisso naquele dia era prestar minha homenagem à mãe de uma amiga querida que partira na madrugada.

Ao entrar na capela, senti o aroma das flores misturado ao incenso suave que subia como prece invisível. Cumprimentei a família, abracei minha amiga e, sem dizer muito, deixei que o silêncio falasse por mim. Sentei-me em uma das poltronas, inclinei a cabeça e comecei a orar.

Rezei por todos — pela alma que se despedia, pelos corações que choravam, e por mim também, confesso. Pedi a Nossa Senhora Aparecida, de quem sou devoto, que envolvesse aquele lugar com seu manto azul e consolasse a dor de quem ficava. Foram muitas Aves-Marias e Pais-Nossos, um rosário inteiro de fé e entrega.

Em certo momento, abri os olhos — e foi então que algo inexplicável aconteceu.

Minha amiga estava junto ao caixão, segurando com ternura a mão de sua mãe. Atrás dela, uma mulher jovem, de uns 25 anos, de cabelos pretos e postura serena, repousava as mãos sobre seus ombros. Mas havia algo de estranho: eu não conseguia ver seu rosto. Havia apenas uma luz — intensa, branca, envolvente — que emanava dela.

Fiquei imóvel. O som do piano ao fundo parecia vir de outro mundo, e o canto distante de alguns pássaros se misturava àquela cena quase celestial. O tempo, por um instante, pareceu parar. Senti um arrepio percorrer minha pele e uma emoção difícil de descrever — como se o invisível tivesse se tornado visível por alguns segundos.

Naquele instante, compreendi — ou quis compreender — que aquela luz não era apenas uma presença. Era um sinal. Um lembrete de que a fé não se explica, apenas se sente.

Em silêncio, fechei os olhos novamente. Quando os abri, a imagem havia desaparecido. Mas a paz... essa permaneceu.

A dor do adeus parecia menos pesada, e a capela, antes envolta em lágrimas, agora parecia respirar alívio.

Saí dali com o coração em silêncio e a alma em oração.

Enquanto caminhava para fora, o vento soprou suave, como quem confirma um segredo. E então pensei:
Quantas vezes a fé se manifesta quando menos esperamos?
Quantas vezes o divino se senta ao nosso lado, discreto, apenas para lembrar que nunca estamos sozinhos?

Talvez a fé seja justamente isso — o mistério que não precisa ser visto para ser verdadeiro. 🌿✨

 

JK – 01.11.25




sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Quando ela chegou

 Eu já não esperava por nada.

Tinha feito as pazes com o silêncio, com as rotinas, com o tempo que corria sem urgência.
Até que ela chegou — leve, curiosa, cheia de vida, e com um brilho nos olhos que lembrava o que eu havia esquecido em mim.

No começo, tentei entender.
Depois, desisti — porque certas coisas não se explicam, apenas acontecem.
E o amor, quando vem fora da idade esperada, não pede licença: ele chega derrubando certezas e construindo milagres.

Ela ria de tudo, e eu, que já tinha desaprendido a rir, me via rindo também.
Falava do futuro com tanta fé que eu me pegava sonhando de novo, mesmo sabendo que o tempo já não era tão meu.
Entre nós havia diferença de tudo — de anos, de ritmos, de mundos — mas, quando ela me olhava, nada disso importava.

Ela me chamava de “velho bonito”, e eu fingia não gostar, mas sorria por dentro.
Porque havia verdade naquele olhar.
Ela não me queria pelo que eu fui — me queria pelo que eu era ali, inteiro, vulnerável, de alma aberta.

E amá-la foi como reaprender a respirar.
Cada toque, cada palavra, cada silêncio me lembrava que a vida ainda cabia em mim.
Enquanto o mundo julgava, nós vivíamos — intensos, errados, certos à nossa maneira.
E eu descobri que o amor não respeita calendário nem convenção: ele apenas escolhe onde florescer.

Hoje, quando penso nela, não sinto culpa nem remorso.
Sinto gratidão.
Porque ela me devolveu o espanto, o desejo, a coragem de ser de novo.
E talvez esse seja o maior presente que alguém pode dar a outro: fazer o tempo parecer novo outra vez.

JK – 01.11.25




quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Ela sabia das coisas

 Houve uma época em que eu ainda tropeçava na vida.

Coração novo, curioso, cheio de vontades e pressa de amar.
E então ela apareceu — mulher feita, olhar calmo e seguro, como quem já conhecia os atalhos do mundo.

Não foi paixão, foi rendição.
Eu, com minhas dúvidas, ela com certezas demais.
Eu queria descobrir, ela parecia já ter vivido tudo.
E, mesmo assim, me acolheu — como quem sabe que certos encontros não se explicam, apenas acontecem.

Vivemos dias que não cabiam no relógio.
Rimos do impossível, desafiamos o que os outros pensavam.
Enquanto o mundo cuidava das aparências, nós cuidávamos de sentir.
E naquele sentir, deixei um pouco de mim espalhado pelo corpo dela — e trouxe comigo um tanto da mulher que ela foi.

Hoje, quando a memória resolve me visitar, vejo aquele rapaz que eu era: cheio de sonhos, meio tolo, completamente entregue.
E vejo ela... dona do tempo, do silêncio, de um charme sereno que até hoje me persegue.

Alguns diriam que envelheci.
Talvez!
Mas o que o tempo me tirou em juventude, ele me devolveu em ternura.
Porque aprendi, com ela, que amar é o contrário de possuir — é deixar o outro ficar dentro da gente, mesmo quando a vida o leva pra longe.

Volto às lembranças não por tristeza, mas por gratidão.
Porque foi ali, entre risos e despedidas, que aprendi a ser homem.
E se posso dar um conselho, é este:
vivam amores que ensinem, mesmo que doam.

Porque certos encontros não são feitos pra durar — são feitos pra transformar.

 

JK – 01.11.25






Entre casamentos e funerais

 Esta semana eu me senti dentro de uma comédia britânica, tipo “Quatro Casamentos e Um Funeral”, só que no meu caso o roteiro veio com uma pequena inversão: dois funerais e nenhum casamento.


Em apenas três dias, o pai de uma colega e a mãe de uma grande amiga se despediram da vida. E por mais que a gente saiba que isso é o destino de todos, ninguém está verdadeiramente preparado para o momento em que o telefone toca e traz a notícia que o coração não queria ouvir.

Mas calma, não quero transformar este texto num drama de fim de tarde. A vida segue — às vezes tropeçando, às vezes rindo de nervoso, mas segue.

E foi entre uma lágrima e outra que percebi algo curioso: cheguei naquela fase em que as pessoas estão preferindo morrer a casar. Ou, sendo mais justo, talvez eu tenha apenas envelhecido.


Antes, eu passava o fim de semana indo a aniversários, casamentos e churrascos. Agora, as mensagens que chegam são de condolências, e os reencontros com os amigos acontecem ao som de músicas calmas e cheirinho de café com bolo — o combo clássico dos velórios.

É estranho, mas tem um certo charme nessa mudança. A gente passa a conversar mais sobre o passado, rir das nossas trapalhadas, lembrar de quem fomos e fingir que ainda temos o mesmo pique. Só não temos mais o mesmo cabelo.

O problema é que, no ritmo que as coisas vão, daqui a pouco só restará um amigo para apagar a luz e fechar o caixão. Espero sinceramente que esse não seja eu — e, por via das dúvidas, também espero que não seja o meu casamento.

Porque, convenhamos, entre flores, lágrimas e promessas de amor eterno… eu prefiro mesmo um bom café e uma boa piada sobre a vida. Afinal, rir dela é o único jeito decente de sobreviver a ela.

Amém! ☕💐


JK – 01.11.25




 

Nem tudo gira ao redor da sua opinião 😅

 Você já percebeu que sua opinião sobre tudo não é tão importante quanto você imagina? Pois é… A maioria das pessoas — tirando uns três amigos e aquele colega que ainda finge se importar — não está nem aí para o que você pensa, faz ou posta.

Então, pare de se achar a última bolacha do pacote (até porque, convenhamos, ela sempre vem quebrada). Dê sua opinião só quando for útil, pedido ou inevitável. Nem você nem ninguém é o centro do universo — embora o seu ego tente te convencer disso toda manhã diante do espelho.

Poucos se importam se você gosta ou odeia o Halloween, a Rede Globo ou o fim do horário de verão. E, sinceramente, desabafar nas redes sociais não muda o mundo — só aumenta a chance de você passar vergonha nas “lembranças do Facebook” daqui a alguns anos.

Quer um segredo? A vida fica bem mais leve quando a gente aprende a curtir em silêncio. Não é feio respeitar a opinião dos outros, o estilo de vida, a condição social, a escolha amorosa ou o time rival. É só… civilização mesmo.

Se você é vegano, tranquilo — não coma carne.
Se não gosta de gays, simples — não case com um.
Se torce pelo Grêmio, respeite quem torce pelo Inter, Caxias ou Juventude (ninguém é perfeito, afinal).

Não seja chato, seja educado.
Mesmo que os outros não pareçam tão inteligentes quanto você, finja que são. Fale apenas quando tiver certeza. E se não souber, diga que não sabe — é libertador!

Afinal, é melhor parecer ignorante por um minuto do que provar que é por uma vida inteira. 😉


JK – 01.11.25

 




A fé de João e o milagre da esperança

 João sempre foi um homem simples. Trabalhador, honesto, de poucas palavras — mas de uma fé imensa. No início daquele mês, o salário mal havia durado uma semana. Ele havia comprado apenas o básico, o suficiente para poucos dias, e já sabia que aquilo não daria para passar o mês. Ainda assim, João não se desesperou.

Ele olhou para o pequeno oratório na sala, onde a imagem de Nossa Senhora Aparecida repousava serena. Ajoelhou-se e, com voz embargada, fez sua prece: “Minha Mãezinha Aparecida, ilumina meus caminhos. Não me deixes fraquejar, nem faltar o pão de cada dia. Dá-me força pra seguir trabalhando e acreditando.” E, como num sopro de milagre, as coisas começaram a mudar.

No dia seguinte, uma colega de serviço dividiu com ele o lanche. Outro, dias depois, o convidou para jantar. E até alguns clientes começaram a lhe oferecer pequenos agrados — bolos, pães e quitutes feitos com carinho, preparados por eles mesmos. De repente, sem pedir, João passou a receber o que precisava — sempre com humildade e gratidão.

Até a gasolina, que ele jurava não durar duas semanas, rendeu o mês inteiro. O carro parecia andar mais leve, como se o próprio vento soprasse a favor.

Todas as noites, antes de dormir, João acendia uma vela diante de Aparecida. A chama tremulava mansa, refletindo nas paredes do apartamento o brilho da esperança que nunca se apaga. Ele agradecia não pelo que ganhava, mas por continuar acreditando.

Porque João aprendeu que a fé não é a ausência de dificuldades — é a presença de coragem, mesmo no escuro. E foi nessa luz, simples e milagrosa, que ele seguiu firme. Trabalhando, sorrindo, ajudando os outros como podia. Pois sabia que quem caminha com fé, nunca caminha sozinho. 🙏💙

 

JK – 30.10.25