Essa semana vivi
uma daquelas cenas que, se não fosse trágica, daria um baita quadro de comédia!
Lá estava eu, empolgado, contando um assunto que, na minha cabeça, era digno de
documentário! Quando percebo que meu colega estava em um relacionamento sério com
o celular! Olhar fixo, dedo rolando, zero reação! Fiz até um teste básico: “E
aí, o que tu acha disso que falei?”. Ele, num talento digno de ator,
desconversou! Traduzindo: não ouviu absolutamente nada! E o pior, não foi a
primeira vez! Eu sigo sendo deixado no vácuo com uma frequência que já dava pra
virar rotina! E mesmo assim, eu ainda me surpreendo!
Hoje teve reprise!
Comecei a contar uma história para uma colega e, no meio do caminho, meu
assunto sofreu um golpe fatal! Sem aviso prévio, sem direito a defesa! Ela
simplesmente sequestrou o tema e começou a falar do dela, com uma naturalidade
impressionante! O meu relato ficou estendido no chão, sem ninguém nem fechar os
olhos! Foi embora ali mesmo, sem plateia, sem aplauso, sem nada!
E olha, não é só
comigo! Tenho percebido isso em geral! Com colegas, com clientes, com todo
mundo! Parece que ouvir virou artigo de luxo! A conversa virou uma disputa
silenciosa de quem consegue falar mais de si mesmo sem ser interrompido! Cada
um defendendo o seu mundinho como se fosse manchete de jornal! Interesse pelo
outro está em falta no estoque!
Claro, em um
momento de sinceridade quase dolorosa, pensei: vai ver o problema sou eu! Vai
ver minhas histórias são um tédio completo! Mas pensando melhor, não fecha a
conta! Porque eu escuto! Eu deixo espaço! Eu entro no assunto do outro! Eu
tento, pelo menos!
No fim das contas,
fica a reflexão com uma pitada de riso nervoso: será que estamos conversando ou
só esperando a nossa vez de falar? Porque, do jeito que vai, qualquer dia vou
precisar mandar um áudio pra mim mesmo, só pra ter certeza de que alguém me
escutou!
J.K – 02.05.26

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