Tem
dias em que entro no carro já fazendo uma oração. Não porque tenha medo de
dirigir, mas porque nunca sei o que vou encontrar pelo caminho. Basta rodar
alguns quilômetros para aparecer alguém ultrapassando onde não pode, grudando
na traseira do meu carro ou transformando uma simples avenida numa pista de
corrida. Confesso que, em alguns momentos, me pergunto se eu fiquei velho ou se
foi o trânsito que enlouqueceu de vez.
O
mais engraçado é que eu também preciso cuidar de mim. Tem dia que respiro fundo
para não buzinar, para não reclamar, para não deixar que a pressa dos outros
estrague a minha paz. Afinal, de que adianta chegar cinco minutos antes e
passar o resto do dia carregando a irritação? Cada vez mais acredito que
dirigir também é um exercício de paciência, respeito e, por que não, de
humildade.
Hoje continuo
fazendo o básico. Uso a seta, respeito os limites, mantenho distância e torço
para que todos cheguem bem em casa. Talvez isso pareça pouco num mundo onde
tanta gente vive acelerada. Mas, para mim, ainda faz todo o sentido. Porque, no
fim das contas, o melhor destino nunca foi chegar primeiro. Sempre foi chegar
em paz.
J.K – 15.04.26

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