Vou
confessar uma coisa que talvez renda algumas risadas: "acho que nasci na época
errada"! Antigamente a gente conquistava alguém com conversa, bom humor, um café
demorado e um pouco de paciência. Hoje parece que existe uma ficha de avaliação
invisível. Tem que impressionar, surpreender, corresponder e, de preferência,
tirar nota máxima logo no primeiro encontro. Se não atingir a expectativa, você
nem ganha uma segunda chance. Vira estatística, meme ou história para contar no
grupo das amigas.
E
não é só isso! Além de simpático, o cidadão precisa ter corpo de academia,
saúde de atleta, conta bancária de empresário, maturidade de terapeuta e
disposição de adolescente. O romantismo foi ficando pelo caminho! A pressa
tomou conta de tudo! Antes as pessoas queriam descobrir quem você era! Agora
parece que querem saber primeiro o que você pode oferecer. Confesso que, às
vezes, me sinto uma peça exposta numa vitrine humana, esperando alguém decidir
se vale a pena entrar na loja.
No fim das contas,
acho que o problema nem é o século! Talvez seja essa mania de transformar
relações em desempenho. Eu continuo acreditando que conexão vale mais do que
currículo, conversa vale mais do que aparência e carinho ainda deveria pesar
mais do que qualquer checklist. Pode ser que eu esteja ultrapassado, ou talvez
eu só tenha saudade de um tempo em que conhecer alguém era muito mais
interessante do que simplesmente avaliá-lo!
J.K. - 19.04.26

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