quinta-feira, 23 de abril de 2026

Quando a saudade tem teu nome

 

 Que saudade danada de ti! Não é dessas que passa com distração ou com conversa fiada, é daquelas que acorda junto comigo e deita do meu lado à noite. A solidão, quando percebe tua ausência, vira personagem principal aqui dentro. Sente falta de um abraço, me faz chorar escondido, me deixa conversando com o nada como se o nada tivesse teu rosto.

 

 Quem inventou a distância não conhece a saudade! Não sabe o que é contar os dias como quem conta passos até um reencontro. Eu finjo força, faço discurso bonito pra mim mesmo, digo que estou acostumado, mas não estou! Meu peito nunca aprendeu a aguentar silêncio demais! Ele prefere tua voz, teu riso atravessado, até teu jeito de me provocar só pra me ver perder a pose.

 

 Tem algo em nós que é chama fácil! Quando a gente se encontra, o mundo lá fora perde importância. É como se o tempo resolvesse fechar a porta e deixar só nós dois existindo. Nosso amor começa na pele, no arrepio, no jogo de olhar que já sabe onde vai terminar. É riso, é desejo, é entrega sem manual de instrução, é malícia misturada com carinho, é intensidade que não pede licença.

 

 E quando tu me chama de professor, eu rio por fora e derreto por dentro. Diz que eu te estimulo, que te deixo louca, que sei exatamente como conduzir cada movimento. Mas a verdade é que quem aprende sou eu! Aprendo teu ritmo, teu suspiro, teu silêncio antes do beijo. A gente se ensina sem quadro-negro, sem regra, só com vontade.

 

 Só que, depois, vem o intervalo! E é nesse intervalo que a saudade me pega de jeito. Ah! Se pega! Fico lembrando do teu cheiro na cama, do teu cabelo bagunçado e de nós dois fazendo amor. E por mais que eu tente bancar o forte, a verdade é simples e nua: eu gosto de espantar minha solidão contigo porque, quando tu tá aqui, eu não sou metade. Eu sou inteiro!

 

 Se amar assim é exagero, que seja! Prefiro a intensidade ao vazio! Porque no fim das contas, o que mais me dói não é a distância, é saber que, quando tu vai embora, leva contigo a melhor parte do meu silêncio e me deixa aqui um coração que só aprende a bater direito quando escuta teus passos voltando.

 

J.K – 01.03.26




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