Confesso sem orgulho nenhum: o nosso “segredo” era mais divulgado que oferta de pão francês no domingo à tarde! Sete anos fingindo discrição enquanto metade de Caxias e um pedaço de Farroupilha já comentavam no café, no grupo da família e, provavelmente, até na fila do mercado!
Amor proibido? Era! Maduro? Nem perto! Consequência? A gente jurava que não tinha, mas até a conta chegar! Porque chega, sempre chega! E quando chegou, veio com juros, multa e uma boa dose de vergonha no pacote! Machucamos quem não merecia e, de lambuja, a nós mesmos! E até hoje eu me pergunto: era amor ou só teimosia com pós-graduação?
E aí vem o plot twist que ninguém pediu: tu foste a melhor coisa desses sete anos! E, num empate técnico digno de VAR em final de campeonato, também a pior! Em algum momento a gente perdeu completamente o GPS moral e decidiu que aquilo ia ser eterno! Bonito de ver e ingênuo até dar dó! Pena que o “pra sempre” tem validade mais curta que iogurte aberto! Azedou! Estragou! E quando vimos, já tinha dado ruim faz tempo!
Ah, o final foi um espetáculo à parte! Mistura de filme noir com novela mexicana das três da tarde! Tensão, silêncio constrangedor e aquele clima de “vai dar ruim” que dá pra cortar com faca! Só faltou uma trilha dramática e alguém gritando “Arriba, arriba!” no fundo pra fechar o pacote! Final feliz? Nem parcelando em 12 vezes com juros baixos! Foi caos, vergonha e aquele tipo de cena que tu vive pensando: não é possível que isso tá acontecendo comigo!
Sim, fomos pegos em flagrante! Simples, direto e sem direito a ensaio! E olha, sendo bem honesto, não tiro a razão do teu marido! No lugar dele, talvez eu também perdesse completamente a compostura! Talvez não com arma, porque depois que a adrenalina baixa a gente lembra que ninguém ganha nada com isso, mas na hora, meu amigo, a razão pede demissão e vai embora sem aviso prévio!
Agora, o auge pra mim foi aquele momento digno de cinema: eu, parado, com um revólver apontado pra testa, esperando o clássico flashback da vida inteira passando em câmera lenta! Infância, erros, conquistas, aquele monte de coisa!
E sabe o que aconteceu? Nada! Absolutamente nada! Nem um trailerzinho, nem uma retrospectiva meia boca! Fiquei ali, além de apavorado, um pouco decepcionado com a produção da minha própria história!
E o mais absurdo? O nervosismo não veio na hora! Veio depois, parcelado, com juros e correção emocional! Na hora, eu falei tanta bobagem que, se tivesse legenda, eu mesmo teria mudado de canal! Impressionante como o cérebro entra em modo aleatório quando deveria estar em modo sobrevivência!
Hoje seguimos caminhos separados! Melhor assim!
Melhor pra ti, melhor pra mim e melhor pra segurança pública da cidade! Torço
de verdade que tua vida se ajeite, porque tu foste quem mais levou prejuízo
nessa história mal administrada! E eu assumo minha parte, meu gostar
irresponsável, minha falta de freio e excesso de emoção!
No fim, só me resta pedir perdão! Pra ti, pra
consciência e pra Nossa Senhora dos Maridos Traídos, que certamente acompanhou tudo de camarote
pensando: “Eu avisei!”
J.K - 26.04.26

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