Confesso: eu
gostava mais das pessoas quando a mensagem demorava um pouquinho pra chegar.
Dava tempo de sentir saudade, de organizar a resposta, de, sei lá, viver! Hoje,
o celular vibra e parece que vem junto um contrato invisível: “responda agora
ou será julgado”! É quase um Big Brother, só que sem prêmio e com muita
cobrança.
O auge pra mim são
os pedidos! A pessoa manda mensagem às 23h47, como quem diz “rapidinho”, e às
23h49 já solta um “???”. Minha vontade é responder com outro “???” e perguntar
se por acaso virei delivery emocional ou SAC 24 horas? E não é só a pressa é a
certeza de que você está ali, disponível, esperando aquela mensagem como o
grande evento do seu dia. Spoiler dois: não estou!
E tem a categoria
especial: os que te tratam como agenda ambulante. Mandam um “me lembra disso
amanhã cedo” como se eu fosse um alarme com CPF! Gente, existe bloco de notas,
existe despertador, existe até papel e caneta! Eu mal lembro onde deixei a
chave de casa, imagina gerenciar a vida dos outros antes do café.
O mais curioso é
que essa urgência toda não vem acompanhada de reciprocidade! Querem resposta
rápida, ajuda imediata, atenção total. Mas na hora de devolver, somem! A
gentileza virou um serviço unilateral, tipo streaming: você assina, paga caro e
ainda assim trava!
No fim, fica a
reflexão, com carinho e um leve desabafo: ninguém é funcionário de ninguém só
porque tem WhatsApp. Respeitar o tempo do outro também é educação. E, olha,
responder depois não é desinteresse! Às vezes é só alguém tentando viver
offline um pouquinho.
J.K - 17.04.26

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