domingo, 5 de abril de 2026

Quando o amor toca em outra estação

 Eu sempre fui mais guitarra alta, estrada aberta e refrão gritado com o vidro do carro abaixado. Intensidade, improviso e aquele espírito meio rebelde que acha que tudo se resolve com três acordes e coragem. Ela, não! Ela era pôr do sol na varanda, moda boa tocando baixinho, história de amor contada em detalhes. Eu tão rock in roll! Ela tão sertaneja!

 

 No começo foi bonito e a diferença parecia charme! Eu achava graça no jeito dela cantar sofrência com convicção e ela ria da minha necessidade de transformar qualquer segunda-feira em show ao vivo! A gente se admirava, era quase um festival: dois palcos diferentes dividindo o mesmo terreno.

 

 Só que amar não é só gostar da música do outro! É conseguir dançar no mesmo ritmo! E aí começaram os desencontros! Eu queria acelerar, ela queria marcar o compasso! Eu resolvia no impulso, ela queria refrão repetido e declaração com eco! Não era briga, era desencontro de frequência, sintonia em estações de rádio diferente.

 

 O mais curioso é que o sentimento era verdadeiro! Tinha carinho, tinha cuidado, tinha vontade de dar certo, mas tinha também aquela sensação constante de que um estava sempre ajustando o volume para caber no mundo do outro. E amor não é pra ser fone de ouvido com chiado. O nosso era!

 

 Hoje a gente se olha com respeito, virou amizade boa, daquelas que sabem onde apertava mas escolhem não apertar mais! Porque às vezes duas vozes são lindas, só não formam um dueto.

 

 E tudo bem! Nem todo amor nasce pra ser banda, ser conjunto! Alguns nascem pra ser trilha sonora de uma fase bonita da vida. E o nosso foi! 🎸🌅

 

J.K – 16.02.26





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