Há noites em que a
memória se move dentro de mim como uma velha cantiga. Não sei exatamente de
onde ela vem. Talvez venha do cheiro da terra úmida, talvez venha do barulho da água
correndo mansa ou de alguma lembrança antiga que decidiu acordar. Nessas horas,
sinto uma saudade estranha, dessas que não têm endereço certo, mas que nos faz pensar e refletir. É como se o
coração lembrasse de algo que nem sei se vivi por inteiro, mas que ainda assim
insiste em doer, latejar mostrando que ainda estamos vivos!
Imagino um porto
pequeno, uma mulher cantando sem pressa, a lua surgindo devagar no céu escuro como
quem pede licença para iluminar a noite! A vida ali parece simples e inteira! Um gole de cachaça, uma conversa solta no ar, e aquela sensação de que o mundo
cabia dentro de poucos gestos. No fundo, acho que o amor também mora nesses
instantes pequenos, quando nada precisa ser grandioso para ser verdadeiro.
Vejo mentalmente um
pedaço de terra perto da água, uma rede estendida esperando o descanso, o campo
quieto com os animais respirando a noite. Tudo parece seguir seu próprio ritmo,
como se a vida soubesse exatamente quando parar e quando continuar. E ali, no
meio desse silêncio cheio de sons, mora uma vontade curiosa dentro do peito.
Aquela vontade de partir e, ao mesmo tempo, de ficar para sempre!
A noite avança
devagar! Uma folha cai, o remo de um barco corta a água com um som suave, uma
lamparina ilumina rostos cansados e felizes. No ar se mistura o perfume da
comida simples, o tempero forte, a conversa depois do jantar. Alguém dedilha um
instrumento antigo e, sem perceber, transforma saudade em música. Amar, às
vezes, é exatamente isso! Uma alegria que dói um pouco mas é gostosa de sentir!
E então o tempo passa como sempre passou! A madrugada corre silenciosa enquanto o dia se prepara para nascer! A vida nunca para, mas também nunca se perde de si mesma! Talvez seja essa a maior lição que a noite ensina! Tudo tem sua hora de ir e sua hora de chegar! E o coração, mesmo cheio de saudade, aprende a esperar o próximo amanhecer!
J.K
– 10.03.26

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