quarta-feira, 29 de abril de 2026

À beira do rio, onde o coração aprende a esperar!

 

 Há noites em que a memória se move dentro de mim como uma velha cantiga. Não sei exatamente de onde ela vem. Talvez venha do cheiro da terra úmida, talvez venha do barulho da água correndo mansa ou de alguma lembrança antiga que decidiu acordar. Nessas horas, sinto uma saudade estranha, dessas que não têm endereço certo, mas que nos faz pensar e refletir. É como se o coração lembrasse de algo que nem sei se vivi por inteiro, mas que ainda assim insiste em doer, latejar mostrando que ainda estamos vivos!


 Imagino um porto pequeno, uma mulher cantando sem pressa, a lua surgindo devagar no céu escuro como quem pede licença para iluminar a noite! A vida ali parece simples e inteira! Um gole de cachaça, uma conversa solta no ar, e aquela sensação de que o mundo cabia dentro de poucos gestos. No fundo, acho que o amor também mora nesses instantes pequenos, quando nada precisa ser grandioso para ser verdadeiro.


 Vejo mentalmente um pedaço de terra perto da água, uma rede estendida esperando o descanso, o campo quieto com os animais respirando a noite. Tudo parece seguir seu próprio ritmo, como se a vida soubesse exatamente quando parar e quando continuar. E ali, no meio desse silêncio cheio de sons, mora uma vontade curiosa dentro do peito. Aquela vontade de partir e, ao mesmo tempo, de ficar para sempre!


 A noite avança devagar! Uma folha cai, o remo de um barco corta a água com um som suave, uma lamparina ilumina rostos cansados e felizes. No ar se mistura o perfume da comida simples, o tempero forte, a conversa depois do jantar. Alguém dedilha um instrumento antigo e, sem perceber, transforma saudade em música. Amar, às vezes, é exatamente isso! Uma alegria que dói um pouco mas é gostosa de sentir!


 E então o tempo passa como sempre passou! A madrugada corre silenciosa enquanto o dia se prepara para nascer! A vida nunca para, mas também nunca se perde de si mesma! Talvez seja essa a maior lição que a noite ensina! Tudo tem sua hora de ir e sua hora de chegar! E o coração, mesmo cheio de saudade, aprende a esperar o próximo amanhecer!



 

J.K – 10.03.26




 

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