sábado, 3 de janeiro de 2026

Férias com ruídos e recomeços

    Como nada na vida vem com selo de perfeição, os últimos dias das férias também resolveram testar minha paciência. Voltar para casa significou descobrir um vizinho barulhento, um choro constante, gritos fora de hora e aquela sensação de que o silêncio entrou em férias permanentes. E, sejamos honestos, a criança não tem culpa nenhuma nisso. Educar, impor limites e ensinar convivência é tarefa dos pais — simples assim.


Teve também aquela visita que a gente recebe com educação, mas sem total conforto. É uma pessoa querida, sim, mas pouco sociável, pouco aberta ao diálogo, com certa arrogância disfarçada de timidez. Faltam gestos simples: simpatia, humildade, troca. Ainda assim, aprendi que nem tudo precisa de julgamento. Às vezes, aceitar já é um exercício grande o suficiente.


Apesar desses tropeços, posso dizer sem medo que vivi as melhores férias dos últimos tempos. Houve contratempos, desencontros, pequenos aborrecimentos e até alguns silêncios incômodos. Mas é justamente isso que dá textura à vida. Se tudo fosse perfeito, seria insuportavelmente chato.


Agora é hora de arregaçar as mangas e voltar à rotina. Amanhã o ano recomeça oficialmente, trazendo junto aquela esperança teimosa de que 2026 será generoso. Que seja um bom ano para minha família, para os amigos e para o crescimento da empresa onde trabalho!


Desejo saúde — acima de qualquer outra coisa. Que o tempo nos dê uma trégua nas loucuras climáticas e que as pessoas pensem com mais consciência antes de escolher quem vai decidir os rumos do nosso país. No fim das contas, tudo começa aí!


Férias encerradas. Café passado. Agenda aberta. Partiu, trabalhar!


 J.K – 03.01.26






Férias sem legenda

Me perguntaram o que eu fiz nas férias. Respondi que nada. Mas, pensando bem, fiz tudo! Fiz o que dava, o que não dava, o que devia e o que claramente não estava no plano original. Foi tanta coisa que perdi a caixa preta, a branca, a colorida e qualquer senso de organização emocional. Só sei que era bom. E eu gostava muito!


Em algum ponto, percebi que o amor não cabia em singular. Precisou de plural, de fila, de revezamento e, às vezes, até de rodízio afetivo! Abraços se multiplicaram, risadas se confundiram, corações dividiram espaço sem reclamar. Houve encontros que começaram a dois, ganharam plateia e terminaram como boas histórias que ninguém consegue contar direito — mas todo mundo entende!


Me perdi de mim mesmo com gosto! Desativei o freio moral, deixei a bússola de folga e permiti que o afeto assumisse o volante. A vida virou pista livre, sem radar, sem multa e com excesso liberado. Foi confuso? Foi. Foi intenso? Demais. Foi maravilhoso? Nem se fala!


Não me lembro de tudo — e isso só confirma o sucesso da experiência! Se a memória falha, é porque o coração trabalhou em turno extra. Houve carinho de sobra, desejo compartilhado, emoção espalhada e uma sensação deliciosa de estar vivendo sem pedir licença.


Não me arrependo de nada! Amaria de novo, repetiria tudo e ainda faria bis. Se perder foi a melhor parte, não se encontrar virou objetivo. Porque férias boas não são as que a gente explica… são as que fazem a imaginação dos outros trabalhar sozinha!

 

J.K – 02.01.26




Férias sem manual de instruções

 De volta a Caxias do Sul, eu só consigo resumir assim: minhas férias foram um espetáculo digno de reprise! Foram 20 dias intensos, animados, confusos (óbvio) e absolutamente maravilhosos. Teve viagem, presente, gente bonita, família reunida, paquera solta no ar e aquele caos organizado que me acompanha fielmente. Valeu cada minuto. Repetiria tudo. Sem ler os termos de uso.


Entre Brasília e Rio de Janeiro, colecionei histórias e amigos novos. Brasília estava linda, elegante, quase me convencendo a virar político por uns dias. Já o Rio… ah, o Rio continua sendo o Rio: lindo, abusado e irresistível. Melhor ainda foi rever velhos amigos, inclusive aquele que certas pessoas preferiam que eu nunca mais encontrasse. Eu encontrei. Gostei. Recomendo.


Na volta, o destino resolveu brincar comigo. Sentei no fundinho do avião, ao lado de uma completa desconhecida. Dez minutos depois, já parecíamos amigos de infância. Tudo ia bem, até o céu de Caxias resolver desabar. Turbulência daquelas que fazem a gente negociar direto com Deus, prometer virar uma pessoa melhor e pedir desculpa por pecados que nem lembrava.


Foi aí que, no meio do sacolejo, ela apertou minha mão. Um gesto simples, puro medo compartilhado… e pronto: nasceu um mini amor de verão, versão turbulência aérea. Três dias depois, eu já apresentava a Serra Gaúcha como guia turístico oficial, orgulhoso e encantado.


Ela se encantou também. Trocou compromissos, amigos e planos para esticar as férias comigo. Prometeu voltar no inverno (eu anotei!). No fim das contas, voltei para casa com malas cheias, histórias melhores ainda e a certeza de que férias boas são aquelas que fogem totalmente do planejamento. E que venham as próximas — de preferência, sem turbulência… mas com boas surpresas!

 

JK – 04.01.26








sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Quanto menos, mais verdade

    Muitos amigos perguntaram se eu tirei férias, se viajei, e por que não postei fotos. A resposta é simples: há momentos que não pedem vitrine. Eles pertencem ao silêncio da memória, ao arquivo invisível do coração — mesmo que tenham passado pela câmera do celular. Férias, para mim, são assim: vividas antes de serem mostradas, se é que precisam ser.

 

Raramente vocês vão me ver expondo onde estou ou o que faço. Quando aparece algo, quase sempre é em contexto de família ou trabalho. A vida particular, essa, eu guardo. Não por mistério, mas por cuidado. Nem tudo precisa de legenda; algumas coisas pedem apenas presença.

 

Acredito que felicidade incomoda. E não falo da alegria barulhenta, mas da felicidade verdadeira, essa que não precisa provar nada. Quanto menos pessoas sabem da nossa vida, melhor. Não é paranoia — é experiência! Mesmo sem intenção, o olhar pesa, a inveja encosta, e o que era leve pode perder o brilho.

 

Por isso sou mais na minha. Discreto, reservado fora do que é necessário. Talvez muitos não saibam, mas apesar de parecer sociável e espontâneo, eu gosto mesmo é do recolhimento: um bom livro, uma música que abrace, um filme que fique depois, poucos amigos, família por perto. Multidões nunca foram meu lugar. Para mim, quanto menos, é mais — e é exatamente aí que tudo faz sentido.

 


J.K. – 28.12.25




2026 em movimento

   Entro em 2026 com a sensação de quem ajeita a mochila antes de uma longa travessia. Não é um ano para distrações nem para passos tímidos. Ogum, conhecido pelos católicos como São Jorge, caminha à frente abrindo estradas. Ao seu lado, Iansã — a mesma Santa Bárbara dos altares — sopra ventos fortes que não permitem acomodação. É um ano que pede coragem, foco e escolhas assumidas até o fim.


Ogum chega com espada firme e olhar atento. Guerreiro, justiceiro, inflexível quando precisa ser, ele exige disciplina e verdade. Nada de atalhos tortos ou promessas pela metade. No trabalho e na vida, só avança quem age com responsabilidade e honra o próprio esforço. Confesso: é o tipo de cobrança que dói, mas amadurece!


Iansã entra sem pedir licença, como todo vento que se respeita. Senhora dos raios, do fogo e das paixões, ela — ou Santa Bárbara, para quem reza com terço na mão — sacode emoções, relações e certezas. Onde havia estagnação, ela provoca movimento; onde havia medo, ela exige coragem para sentir e decidir.


Atenção às escolhas e cuidado com os excessos. As relações afetivas são testadas, o corpo fala mais alto e a própria natureza reage. Nada passa despercebido em um ano regido por forças que não toleram desleixo nem autoengano.


2026 não promete conforto, promete transformação. Com São Jorge abrindo caminhos e Santa Bárbara rasgando o céu com seus trovões, resta caminhar com firmeza, fé e coração desperto. Porque quando o vento sopra forte e a espada aponta o rumo, não há espaço para viver pela metade!

 

J.K – 02.01.26




quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Curiosidade em modo avião

 Sempre tive uma curiosidade meio cinematográfica: transar no banheiro de um avião. Culpa dos filmes, claro! Tudo parece amplo, elegante, silencioso e perfeitamente sincronizado! Basta um olhar cúmplice, a porta fecha e pronto: romance nas alturas, com direito a nuvens pela janelinha! 😏


Nas férias, resolvi tirar essa curiosidade da cabeça e colocar na prática. Spoiler: cinema mente! A tal cabine glamourosa se revelou um espaço minúsculo, apertado e nada convidativo! Mal dá pra respirar, quem dirá fazer qualquer movimento mais elaborado! O tesão até tenta, mas a realidade empurra de volta pra classe econômica! 😂


Foi uma cena tão desajeitada que rapidamente virou comédia pastelão! Cotovelos batendo, risos nervosos e aquela certeza de que ninguém ali nasceu pra ser protagonista de filme romântico! O único clímax mesmo foi perceber o quão iludidos somos pelas telas!


Depois, claro, sobrou o melhor: rir da situação! Da tentativa, da coragem e da expectativa completamente fora da realidade! Férias também servem pra isso: colecionar histórias que não deram certo, mas rendem gargalhadas sinceras depois!


Conclusão definitiva: certos desejos funcionam muito melhor na imaginação! No cinema, tudo encaixa. Na vida real, nem sempre! E tá tudo bem! Melhor deixar alguns fetiches voando só na fantasia… e levar da experiência apenas a boa história pra contar! 😄

 

J.K – 02.01.26




Brasília, quando a cidade me encontra

  Brasília sempre me recebeu como quem reconhece um velho conhecido. Talvez seja a idade quase igual — eu, apenas cinco anos mais novo — talvez seja esse jeito moderno e místico de existir no meio do nada. O fato é que eu a adoro. Moraria aqui com prazer, sem pestanejar. Há cidades que nos acolhem; Brasília me convoca. Ela me chama para dentro de si com uma força silenciosa, concreta e, ao mesmo tempo, espiritual.


Faço minhas preces na Catedral Metropolitana como quem conversa em voz baixa com o tempo. Caminho pelo memorial do meu xará, JK, sentindo que ali pulsa um sonho que deu certo. E quando o sol se despede no Lago Paranoá, tudo desacelera: o céu vira espetáculo, a água vira espelho, e eu fico inteiro, presente, grato.


Mas é à noite que Brasília me pega de vez. A cidade muda de tom, ganha brilho, ousadia e vertigem. Bastam poucos dias para eu chegar ao limite — não de cansaço ruim, mas daquele esgotamento feliz de quem viveu demais em pouco tempo. São noites intensas, quase surreais, que exigem corpo, cabeça e coração atentos. Fico acabado, sim. Mas feliz, profundamente feliz.


Adoro me perder — e não me reencontrar jamais — na UK Music Hall ou no Roses Lounge. Observar o desfile humano no Complexo Fora do Eixo ou na Externa é um espetáculo à parte: estilos, vozes, histórias cruzando na mesma pista. Os preços são salgados, é verdade, mas cada momento vale o investimento. E quando a madrugada pede entrega total, o Club 904 me lembra que dançar também é uma forma de oração. Brasília não é só uma cidade. É um estado de espírito que eu abraço sem resistência.

 

30.12.25 – J.K