Às
vezes imagino como seria encontrar, depois de tantos anos, alguém que um dia me
fez sofrer. Confesso que teria uma certa curiosidade de olhar para o rosto dela
e descobrir o estrago que o tempo fez. Afinal, comigo ele também não foi
exatamente delicado! O danado não perdoa ninguém e, no fim, transforma antigos
galãs e belas criaturas em versões mais sinceras de nós mesmos.
Talvez ela procurasse no meu rosto aquele
velho desgosto, esperando encontrar alguma ferida ainda aberta. Que pena! Ia
encontrar apenas algumas rugas, uma barba mais grisalha e a tranquilidade de
quem já não precisa cobrar nada. Eu poderia até rir, mas não por vingança! É
que algumas histórias ficam tão pequenas depois de tantos anos que chega a ser
engraçado lembrar que um dia acreditamos que elas seriam para sempre.
E se ela perguntasse se ainda penso nela,
talvez eu respondesse com a maior sinceridade: “Quero que você fique bem, seja
feliz!”. Não que eu ainda tenha amor, nem ódio, apenas tenho o luxo de não sentir mais
nada por ela. Porque, no final das contas, o melhor castigo que o tempo pode dar a um
antigo amor é descobrir que ele deixou de ser importante!
J.K. – 08.09.26

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