sábado, 19 de setembro de 2026

Meméia, a bruxinha amiga!

 


Meméia era uma jovem bruxinha do bem que nasceu e vivia na cidade. Ela não praticava o mal. Seus encantos eram somente para o bem! Suas poções eram feitas apenas com coisas da natureza, ervas, pedras e terra. Não existia nada de sacrifícios com qualquer espécie de animais.


 Com seus chás e poções, ela curava o mal de muitas pessoas que a procuravam. Ela também benzia todos apenas pelo amor ao próximo. Nunca cobrou nada de ninguém!


 Mesmo sendo uma pessoa do bem, os vizinhos e moradores da cidade a hostilizavam. A sociedade não aceitava pessoas diferentes e, principalmente, aquilo que não conseguia compreender. Meméia era uma bruxinha, e isso já era motivo suficiente para muitos acreditarem que ela só poderia fazer o mal.


 Um dia, caminhando pelo parque, ela conheceu Hamnet, um jovem estudante, sonhador e desencantado com a vida. De imediato, ela observou a tristeza nos olhos do jovem, estendeu a mão e sorriu.


Foi amor à primeira vista!


 Diariamente os dois se encontravam no parque, sempre no mesmo banco, debaixo de uma velha árvore. Hamnet contava seus sonhos, seus medos e as coisas que o deixavam triste. Meméia ouvia tudo em silêncio, como quem sabia que, às vezes, o melhor encanto que alguém pode oferecer é simplesmente escutar.

 

Até que, um dia, ele tomou coragem e pediu Meméia em namoro.


 Ela sorriu, emocionada.


— Mas você sabe que eu sou uma bruxinha, não sabe?

— Sei.

— E não tem medo de mim?


Hamnet segurou sua mão:

— Eu teria mais medo de perder alguém como você do que de qualquer magia.


 A partir daquele dia, passaram a andar juntos pela cidade. E foi então que os problemas começaram.

As pessoas cochichavam quando os dois passavam.

— Um estudante namorando uma bruxa?

— Onde já se viu?

— Ela não é como nós!


Hamnet ficou triste! Meméia também! Pela primeira vez, ela pensou em ir embora da cidade para que o rapaz não sofresse por causa dela. 


 Mas Hamnet não deixou.

— Você não precisa deixar de ser quem é para que eu possa gostar de você.

— E você não precisa ser como eu para que eu goste de você, respondeu Meméia.


 Foi quando perceberam uma coisa muito importante: eles eram diferentes, e isso não precisava ser um problema.


Hamnet era estudante. Meméia era bruxinha.

Ele acreditava nos livros. Ela acreditava nas ervas, nas estrelas e nos encantamentos da natureza.

Ele gostava de passar horas estudando. Ela preferia caminhar pelo bosque recolhendo folhas, pedras e flores.

 E, mesmo assim, havia algo que os tornava iguais: os dois tinham um coração cheio de amor.


 Certa manhã, uma forte tempestade caiu sobre a cidade. O rio transbordou e muitas casas ficaram alagadas. As pessoas correram assustadas, procurando um lugar seguro.

 Meméia poderia simplesmente ter ido embora. Afinal, aquela mesma gente havia zombado dela tantas vezes. Mas ela não fez isso!


Pegou seu velho caldeirão, preparou uma poção com ervas, água da chuva e algumas pedras mágicas e foi ajudar quem precisava. Hamnet foi com ela.


 Durante toda aquela noite, os dois trabalharam juntos. Ele carregava as caixas, ajudava as famílias e organizava os moradores. Meméia cuidava dos doentes, preparava seus chás e usava sua magia para afastar a água das casas.

Quando a tempestade finalmente passou, a cidade inteira estava reunida na praça. Ninguém sabia muito bem o que dizer. Até que uma pequena menina se aproximou de Meméia e perguntou:

— Você é mesmo uma bruxa?

 Meméia sorriu.

— Sou.

 A menina pensou um pouco e respondeu:

— Então você é uma bruxa boa!

 Meméia se ajoelhou, abraçou a menina e sentiu os olhos se encherem de lágrimas.


 Naquele dia, os moradores compreenderam que haviam passado tanto tempo com medo das diferenças que esqueceram de enxergar a pessoa que existia por trás delas. A cidade nunca mais foi a mesma.

Meméia continuou sendo bruxa. Hamnet continuou sendo estudante. Nenhum dos dois precisou mudar para agradar alguém.

 E, algum tempo depois, construíram uma pequena casa perto do parque onde haviam se conhecido. Meméia plantou ervas no jardim e Hamnet encheu a sala de livros.

À noite, ela fazia seus chás enquanto ele estudava. E, antes de dormir, os dois sempre se sentavam debaixo da velha árvore.

— Você acha que somos muito diferentes? — perguntou Meméia certa vez!

 Hamnet sorriu.

 — Ainda bem!

— Por quê?

— Porque se fôssemos iguais, talvez nunca tivéssemos aprendido tanto um com o outro.

Meméia encostou a cabeça no ombro dele. E dizem que, naquela noite, uma pequena estrela caiu do céu e pousou sobre o telhado da casa.

Talvez fosse magia. Talvez fosse apenas uma estrela cadente. Mas, para Meméia e Hamnet, pouco importava.

Eles haviam descoberto o maior encanto de todos: "não precisamos ser iguais para amar alguém. Precisamos apenas respeitar aquilo que o outro é".

E assim, a bruxinha e o estudante viveram felizes para sempre!

Não porque deixaram de ser diferentes.

Mas justamente porque aprenderam a amar as diferenças.

J.K. – 05.09.26

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