sábado, 16 de maio de 2026

Verdades que o espelho revela!

 

 Outro dia me disseram que você anda contando histórias sobre nós dois! Histórias em que eu apareço como alguém completamente rendido a você, dominado pelo teu jeito, quase sem vontade própria. Dizem que você fala disso com um certo sorriso no canto da boca, como quem revive uma lembrança divertida. Eu ouvi e confesso que achei curioso como a memória pode escolher versões tão diferentes da mesma história.

 

 A verdade é que entre nós sempre existiu um jogo silencioso! Aqueles encontros cheios de olhares demorados, conversas que pareciam inocentes e um clima que aquecia devagar, como quem acende uma chama sem pressa. Havia noites em que bastava a proximidade, um gesto teu, o jeito que você sorria e tudo já ganhava outro sentido. Não era preciso dizer muito! O corpo entendia aquilo que as palavras evitavam explicar.

 

 Mas se alguém quiser falar de quem usou quem nessa história, talvez seja melhor olhar com um pouco mais de honestidade. Sim, eu também me deixei levar! Aproveitei o teu riso, a tua presença, o calor das noites em que a solidão parecia distante quando você estava por perto. Em alguns momentos, confesso, eu só queria sentir aquele conforto silencioso que existia entre nós.

 

 O curioso é que, no meio de tudo isso, quem acabou se cansando de tudo isso fui eu! Não por falta de desejo, mas porque certas histórias, quando repetidas demais, começam a perder o brilho que tinham no começo. Aquilo que antes parecia intenso passa a soar como um eco distante de algo que já foi mais forte.

 

 Então, antes de continuar contando versões por aí, talvez valha a pena fazer um pequeno exercício de sinceridade. Olhar no espelho com calma e lembrar de como as coisas realmente aconteceram. Porque, no fundo, nós dois sabemos que aquela história nunca foi tão simples quanto parece quando alguém resolve contá-la para os outros.

 

J.K – 11.03.26




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