Há mais de
um mês morar no início da Os 18 do Forte, em Caxias do Sul, virou praticamente
um esporte radical! Todo dia acordo curioso para descobrir qual será o desafio
da vez: desviar de buraco, encontrar um pedaço de calçada ainda vivo ou tentar
sair da garagem sem precisar de mapa, oração e coragem ao mesmo tempo. O
progresso chegou com vontade e trouxe junto poeira, barro, brita, máquinas e um
caos que parece ganhar capítulos novos diariamente.
E o mais
fascinante em qualquer obra pública, municipal, estadual ou até particular, é o
conceito de prazo! Existe sempre uma data prevista, mas ela chega, passa,
desaparece e reaparece na semana seguinte como se fosse temporada de série.
Quem faz esses cálculos claramente vive em outra dimensão, porque basta cair
uma chuvinha, aparecer um feriado ou um caminhão atravessar errado para o
cronograma entrar em colapso emocional.
Outro detalhe
que sempre chama atenção é a famosa dinâmica dos trabalhadores. Em toda obra
existe um padrão quase científico: de dez pessoas, duas realmente estão
trabalhando firme! Enquanto isso, as outras exercem funções altamente
importantes como observar o movimento, conferir o celular, fumar, tomar café ou
admirar as moças bonitas que passam pela Os 18 do Forte. E eu olhando tudo da
janela, já praticamente formado em engenharia de obra atrasada.
Enquanto
isso, caminhar pela calçada virou jogo de sobrevivência! Tem trecho com pedra
solta, trecho sem pedra nenhuma, buraco, barro e aquela sensação permanente de
que a qualquer momento alguém vai precisar resgatar um morador perdido no meio
da rua. Sair de casa limpo virou vitória pessoal.
E claro,
apesar de toda reclamação, a gente sabe que são obras necessárias. O viaduto
próximo aos Pavilhões da Festa da Uva, por exemplo, promete melhorar muito o
trânsito ali na frente. O problema é sobreviver até esse glorioso dia chegar.
Até lá, seguimos convivendo com poeira, desvios, barulho e aquela esperança
brasileira clássica de olhar para as máquinas e pensar: “agora vai”!
J.K – 16.05.26

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