De repente, não mais do que de repente, o apartamento pareceu crescer, ficar maior! O que
antes eu achava pequeno, ficou imenso! Como se as paredes tivessem se afastado
umas das outras. E foi aí que solidão entrou sem bater ou pedir licença! Ela caminhou pela sala, pela
cozinha, pelo quarto e se instalou como se o apartamento fosse dela.
Depois do banho, parei diante do espelho e levei um
susto danado e confesso que não gostei nada do que vi! Ali estava um homem cansado,
cabelo bagunçado, barba malfeita, um olhar que parecia carregar mais peso do
que deveria!
Fiquei pensando se a solidão tinha convidado a
tristeza para morar junto, que elas fossem velhas amigas e conhecidas! Talvez fosse apenas uma fase da vida ou aquela
tal crise que dizem aparecer quando a gente começa a fazer mais perguntas do
que respostas. Sim, difícil de explicar!
Tentei distrair a cabeça! Liguei a televisão e o
streaming me ofereceu histórias de amor que pareciam debochar de mim! Desliguei, é claro!
No rádio, só músicas de saudade e despedida! Nem preciso escrever pra vocês que desliguei também! Coloquei um
tênis, vesti um abrigo e saí para caminhar sem rumo.
Na rua, parecia que o mundo tinha combinado de
andar de mãos dadas. Casais conversando, rindo, dividindo passos, planos e sonhos! E eu só observando de longe, como quem olha uma vitrine que gostou e não tem dinheiro para comprar e que sonha algum dia ter aqueles sentimentos. Naquele
instante, a solidão e a tristeza pareciam ainda maior do que a que eu sentia no apartamento.
Mas quando voltei para casa, um pensamento simples
me iluminou. Nenhum dia é eterno! Nenhuma tristeza é dona do tempo todo para sempre! Até as noites mais longas acabam cedendo lugar para o um novo amanhecer.
E foi com esse pensamento quieto que eu fui dormir.
Porque, no fundo, a vida sempre guarda uma surpresa para o dia seguinte. E quem
sabe, amanhã, a tristeza resolva fazer as malas e a alegria encontre o caminho
da porta novamente.
J.K – 15.03.26

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