Tu tens um
jeito de olhar e de chegar perto que me desmonta todo! Não porque eu não queira
sentir, mas porque já aprendi a me proteger antes mesmo de qualquer coisa
começar.
Durante
muito tempo a dor foi presença constante na minha vida desde que você partiu. E,
aqui entre nós, foi tanta decepção que acabei guardando dentro de mim uma
espécie de defesa silenciosa, como se uma parte amarga tivesse criado raiz.
Sim, tu pode
pensar que é frieza, mas não é, eu te afirmo isso! É só medo disfarçado de
calma e serenidade. Por fora eu consigo sorrir, ser gentil e parecer inteiro.
Mas meu sorriso, na maior parte das vezes, é só a forma que encontrei de manter
distância do que pode me machucar de novo! É um jeito de cuidar de mim mesmo e
que, de certa forma, de cuidar também de quem se aproxima.
A verdade é
que por dentro eu ainda carrego cicatrizes antigas! Eu sempre tive a sensação
de que amei mais do que fui amado! Enquanto eu mergulhava de cabeça e fazia
malabarismos no ar sem rede de apoio, minhas paixões só assistiam, caladas, eu
me esborrachar no chão. No fim das contas, acabei sendo aquela pessoa que se
entregou demais e que depois recolheu e juntou seus pedaços sozinho.
Por isso,
quando alguém chega oferecendo carinho demais, com cuidado demais, eu fico
alerta com medo de que aquilo que ficou ferido dentro de mim acabe contaminando
algo bonito! Às vezes penso que meu coração desaprendeu a confiar! E o pior, eu
tenho medo de que essa desconfiança acabe passando para quem só queria me fazer
bem!
J.K – 15.03.26

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