sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Do jeito que eu sigo

   Tem gente que cruza meu caminho trazendo presentes, promessas, pequenos luxos. Outros oferecem abrigo, cuidado, companhia. E há também quem, no meio da rua ou da vida, tente levar de mim aquilo que custei a juntar — afeto, tempo, confiança.

 

Algumas mulheres entram na minha vida para somar, outras apenas passam. Com umas eu fico porque quero, com outras eu só desejo que sigam adiante. Aprendi que nem toda aproximação merece permanência, e nem toda troca precisa continuar.

 

Tem quem mereça minhas noites inteiras, o descanso do corpo e da cabeça. Outras ficam só com um sorriso contido, meio irônico, meio defensivo. É o que dá pra oferecer quando o coração já apanhou demais.

 

Mesmo assim, eu sigo vivendo. Sigo apesar das recusas, apesar dos desencontros, apesar de quem preferia que eu desistisse. Continuo mesmo quando você não quer, mesmo quando diz não, mesmo quando fecha a porta sem explicação.

 

Eu continuo porque quase ninguém fala a verdade. Todo mundo esconde alguma coisa, adia conversas, finge certezas que não tem. E eu cansei de esperar clareza de quem só sabe confundir.

 

Às vezes fico amargo, confesso. Um pouco mais duro, menos disposto a acreditar. E me pergunto, em silêncio, pra que serve tanta paixão se o preço quase sempre é alto demais.

 

No fim, quem paga a conta sou eu. Entre tensão, choques e pequenas violências emocionais, sigo em frente. Não por heroísmo — mas porque parar nunca foi uma opção.

 

J.K – 09.01.26




Manias que me denunciam

 Eu sei que tenho hábitos estranhos. Acordo cedo demais, quando o mundo ainda boceja, e começo o dia como se houvesse urgência em existir. Gosto de coisas que não fazem muito sentido para os outros, mas que pra mim funcionam como um eixo secreto.

 

Me atraem os excessos: sentimentos intensos, paixões que queimam, dias quentes demais ou congelantes. Também gosto do momento em que o vento muda tudo, quando o ar avisa que algo vai acontecer. Prefiro as noites mais fechadas — é nelas que enxergo melhor quem sou.

 

Não sou fácil de agradar! Meu gosto é treinado para o amargo, para o forte, para o que arde um pouco antes de satisfazer. Bebidas que fazem careta, comidas que picam a língua, conversas longas que só fazem sentido de madrugada, quando ninguém mais está tentando parecer normal.

 

Talvez você ache que me conhece, mas não conhece. Tenho dessas manias meio tortas, dessas escolhas invertidas. Às vezes faço tudo ao contrário, visto o mundo do avesso, e basta um desejo verdadeiro para me tirar completamente do eixo.

 

Se você insistir, eu explico. Posso até dizer de outro jeito, em outra língua, com menos defesas e mais entrega. Há palavras que só funcionam quando ditas sem tradução, direto do impulso.

 

O problema é que ficou em mim um gosto seu. Um rastro. Uma espécie de veneno bom, desses que não matam, mas viciam. Desde então, confesso, ando correndo atrás dessa sensação outra vez.

 

No fim, é sempre assim: eu, minhas manias, o amargo que me agrada, o ardor que me move, e as conversas que só existem quando o mundo dorme. É nesse horário que eu me revelo — e quase sempre, é tarde demais.

 

J.K – 09.01.26




Eli, esse mistério que nem a Nasa explica

Eli é dessas mulheres queridas, inteligentes e levemente… estranhas. Daquelas que, num dia, jura que me ama, me cobre de mil e um beijos, mensagens longas, corações animados e promessas solenes dignas de filme romântico. No outro, simplesmente desaparece! Some do mapa emocional. E quando reaparece, vem mais fria que os polos sul e norte fazendo amizade. Já não manda beijos, manda abraços. Abraços! Vai entender.


O mais curioso é a velocidade com que ela muda. É mais rápido do que quem troca de roupa antes de sair de casa. De manhã, amor eterno. À tarde, silêncio. À noite, distância educada. Juro que tento acompanhar, mas meu cérebro já pediu arrego. Que mistérios carrega Eli? O que acontece naquele intervalo invisível entre o “te amo” e o “boa noite, abraço”? Talvez só a Nasa, com todos os seus satélites, consiga mapear esse fenômeno.


E o mais engraçado — ou trágico, dependendo do dia — é que ela jura, juradinho, que vai mudar. Promete com convicção, olhar firme e tom sério. Mas suas promessas são piores que as de políticos em ano eleitoral: bonitas, emocionantes… e nunca cumpridas. Aí, quando eu reclamo, ela fica zangada, chora, faz beicinho e ainda me chama de marrento. Eu, que só tentei entender o roteiro.


Mas a verdade é que eu gosto dela. Gosto desse jeitinho doidinho, inexplicável, ora tempestade, ora calmaria. Gosto mesmo sem entender — talvez justamente por isso. Eli é mais um desses mistérios do mundo que não pedem solução, só convivência. E eu sigo aqui, meio confuso, meio rindo, esperando o próximo capítulo… seja ele com beijos ou, quem sabe, apenas abraços.


J.K - 06.02.26




Promessas, velas e o eterno “quase” do amor

   Confesso: já tentei de tudo para arranjar uma namorada. Tudo mesmo! Já fiz promessa pra Santo Antônio, pendurei o santo de cabeça pra baixo (com todo respeito!), conversei sério com São Judas Tadeu, apelei pra Santa Rita de Cássia e até mandei um recado urgente pra São Expedito, aquele que resolve tudo “pra ontem”. Resultado? Ontem passou, anteontem também… e eu sigo solteiro! 😅

 

Não satisfeito com o balcão celestial, resolvi ampliar o atendimento espiritual. Fui conversar com os orixás! Pedi com jeitinho pra Oxum adoçar meu caminho, chamei Xangô pra fazer justiça amorosa, pedi coragem pra Ogum e movimento pra Iansã. Acendi vela, mentalizei, agradeci antes mesmo de receber… e nada! Pelo visto, meu pedido entrou numa fila cósmica de espera sem previsão de entrega!

 

O mais curioso é que o universo vive me testando. Quando não é casal se beijando no semáforo, é propaganda de colchão com “casal feliz” às duas da manhã. Até o algoritmo parece debochar de mim: só aparecem dicas de relacionamento sério, casamento em cinco passos e “como encontrar o amor da sua vida depois dos 50”. Depois dos 50, gente! Eu já tô tentando antes! 😂

 

Já pensei se não estou pedindo errado. Talvez o problema seja excesso de fé misturada com ansiedade. Ou quem sabe eu tenha pedido uma namorada perfeita demais, com pacote completo: bom humor, paciência, afinidade e ainda gostar de mim do jeito que sou. Vai ver isso dá trabalho até no plano espiritual!

 

Fato é que, olhando para 2026, tudo indica que não será o ano do meu desencalhe oficial. Pode ser o ano do aprendizado, da observação, da comédia romântica sem par romântico. E tudo bem! Se não veio o amor, veio o assunto, a piada pronta e essa coleção respeitável de promessas não cumpridas!

 

Enquanto isso, sigo aqui: solteiro, bem-humorado, com fé renovada e currículo espiritual reforçado. Vai que um dia alguém lá em cima olha minha ficha e diz: “Agora sim, esse aqui já sofreu o suficiente!”. Até lá… sigo rindo, esperando e mantendo Santo Antônio avisado! 😄🙏

 

J.K – 05.01.26






Entre o sonho e o risco

     algo que invade minhas noites sem pedir licença. Quando percebo, o sono já foi embora e eu fico ali, acordado, encarando pensamentos que constroem promessas no ar e as derrubam no instante seguinte. É estranho como esse sentimento suspende o tempo, bagunça o rumo e me deixa sem chão, como se tudo que antes fazia sentido tivesse sido momentaneamente roubado de mim.


Enquanto o mundo segue, eu enxergo detalhes que só aparecem no escuro. A noite parece guardar segredos que piscam diante dos meus olhos, e você surge assim: distante e próxima ao mesmo tempo. Uma presença que confunde, como água no meio do nada, dessas que a gente jura ver, mas nunca sabe se pode tocar.


Às vezes, fragmentos do teu corpo atravessam meus pensamentos e somem rápido demais. Seu nome parece espalhado pelo mundo, escondido em esquinas, rostos desconhecidos, sinais que insistem em me perseguir. Caminho pelas ruas com essa sensação grudada na pele, sabendo que você passa por mim sem virar o rosto, como se não houvesse rastro algum.


Talvez seja melhor assim. Há linhas que não atravesso, porque sei do estrago que causariam. Não sou capaz de puxar o fio que dispara o coração sem volta. Ainda assim, seguimos atuando nesse filme silencioso, onde os encontros acontecem sem roteiro, sem explicação… e, apesar de tudo, continuam se chamando amor.

 

J.K – 05.01.26




Duas semanas na estrada, dois quilos a mais e muitas histórias no porta-malas

   Duas semanas na estrada, três estados atravessados, mais de seis mil quilômetros rodados e aquela sensação deliciosa de cansaço bom. Foi uma viagem maravilhosa. Daquelas que a gente volta diferente, com o corpo um pouco mais pesado e o coração bem abastecido. Em cada cidade, em cada agência de compras e turismo, fomos recebidos com carinho, conversa boa e mesa farta. E isso, confesso, pesa… na balança. 


Engordei dois quilos. Um por semana, com orgulho e sem culpa. Foram muitos almoços caprichados, jantas generosas, cafés intermináveis e chimarrões que viravam quase reuniões terapêuticas. Enquanto isso, meu colega de trabalho e parceiro de viagem manteve o peso estável, como se fosse imune aos encantos da gastronomia e da hospitalidade brasileira. Injusto? Talvez. Admirável? Com certeza.


Ele é desses caras raros: paizão, atencioso, educado, sempre com uma palavra certa e um cuidado silencioso com tudo e todos. Dirige com atenção exemplar — embora, no meu ponto de vista, use o celular mais do que deveria, assunto que sigo observando com olhos críticos e um leve levantar de sobrancelha. Ainda assim, é um colega formidável, desses que a gente aprende só de estar junto, ouvindo, convivendo, compartilhando estrada e rotina.


E o melhor (ou o mais perigoso para a balança): ainda temos mais uma semana pela frente. Mais visitas, mais cidades, mais histórias, mais mesas postas. A estrada continua, o aprendizado também. O peso… bem, esse a gente resolve depois. 🚗☕🥗


 

J.K. - 06.02.26




Crônica respeitável de um descanso inexistente

    Foram duas semanas na estrada, três estados do sul do país e mais de seis mil quilômetros rodados que não cabem num aplicativo de mapas, só no corpo e na memória. Visitar agentes de moda é sempre um prazer: o café passado na hora, o abraço apertado, a conversa boa, a troca sincera. É ali, no olho no olho, que a relação se fortalece, que a parceria ganha rosto, história e confiança. E isso, confesso, paga muita coisa.


Mas que ninguém se engane achando que é só glamour, vitrine bonita e sorriso no final da foto. Teve calor de quase 40 graus, daquele que derrete até pensamento, e no dia seguinte um temporal digno de filme-catástrofe. Ventos fortes, chuva de granizo, limpador de para-brisa no máximo e a gente se perguntando se aquilo ainda era trabalho ou teste de resistência. A previsão do tempo virou piada interna, porque nunca acertava nada.


Sem falar no entra e sai de hotel com mala, aquele sobe e desce do carro que faz a coluna pedir arrego, e a eterna saga de achar um banheiro minimamente digno nos postos de estrada. Spoiler: na maioria das vezes, não acha. Some a isso os congestionamentos intermináveis, as paradas longas para manutenção da estrada e os domingos de madrugada, quando a gente tá saindo de casa enquanto o resto do mundo ainda dorme abraçado na família.


E aí vem o melhor (ou pior): escutar as piadinhas de quem diz que a gente não trabalha, só se diverte. Dá vontade de convidar para uma semaninha de estrada, só pra “passear”. Porque uma coisa é esperar o cliente sentado, confortável, na porta da loja. Outra bem diferente é pegar a estrada, enfrentar o clima, o cansaço e os perrengues pra estreitar laços, construir amizade e fazer o negócio acontecer. Estrada ensina, cansa, desgasta… mas também mostra quem realmente faz o caminho. 🚗💨


J.K - 06.02.26






sábado, 31 de janeiro de 2026

Quando a Pepsi resolveu cutucar a gigante

 Confesso sem medo: eu adoro uma boa provocação bem feita. Daquelas inteligentes, irônicas, que não gritam, mas dão aquele tapinha no ombro e dizem “viu só?”. Foi exatamente isso que senti assistindo ao comercial da Pepsi cutucando a Coca-Cola. Ri sozinho. E ri com gosto. Porque quando a ousadia vem com criatividade, fica impossível não aplaudir.


O mais bonito ali não foi só a piada — foi a coragem. Provocar quem é maior exige sagacidade, timing e uma pitada de atrevimento bem calculado. A Pepsi foi lá, serviu o copo cheio e deixou a Coca que resolvesse se ia brindar junto ou engolir seco. Spoiler: genialidade reconhece genialidade, mesmo quando dói 😏.


Me peguei pensando como a publicidade anda precisando disso: menos obviedade, menos fórmula pronta e mais personalidade. O comercial não tentou convencer ninguém a mudar de lado. Só mostrou que tem espaço pra brincar, pra provocar e pra lembrar que marcas também podem ter senso de humor — e autoestima.


No fim, fiquei com aquela sensação boa de quem viu algo bem feito. Não é sobre Pepsi ou Coca. É sobre inteligência criativa, sobre rir de si mesmo e sobre entender que, às vezes, ganhar não é vender mais… é ser lembrado com um sorriso no rosto. E isso, meus amigos, a Pepsi conseguiu com gelo, gás e uma bela piscadela.

 

J.K – 31.01.26




Manual prático para gostar de quem some

 Ela promete eternidade em mensagens de WhatsApp, distribui corações, palavras bonitas e, quando tudo parece estável… desaparece! Some como quem vai ali comprar pão e resolve mudar de cidade. Nem pergunta se cheguei bem da viagem, se sobrevivi à semana ou se traí — em pensamento, corpo ou imaginação. Me deixa no vácuo com a maior naturalidade do mundo.

 

Ela é estranha! E talvez seja exatamente isso que me pega. Gosto do jeito torto, das provocações calculadas, dos ciúmes plantados com frases inocentes demais pra serem verdade. Diz que falou com outros amigos, que mandou mensagem errada, que não era pra mim… nem pro marido. Era pra outro alguém qualquer, desses que aparecem só pra me lembrar que não sou centro de nada. Funciona! Sempre funciona!

 

O curioso é que eu nunca puxo assunto. Sou orgulhoso, meio travado, desses que preferem sentir falta em silêncio a correr o risco de parecer carente. Mas quando ela some, sinto. Sinto mesmo! Começo a criar histórias: penso se está triste, se viajou, se a vida apertou, se cansou de mim ou se resolveu dar um tempo — desses que não têm data pra acabar.

 

Fico ainda mais perdido quando ela não curte nem comenta o que posto. O mundo segue, os stories passam, e o dela não aparece. Semana passada, nem um “oi”. Cheguei a desconfiar de mim, revisitar culpas antigas, procurar erros invisíveis. Mas, desta vez, estou limpo. Inocente! Meu único crime é gostar dela com seus defeitos… e não saber chamar quando a saudade aperta.

 

E olha que estou tentando melhorar. Menos marreto, mais acessível — conforme orientação dela, inclusive! Quem diria. Talvez esse seja meu maior gesto de amor: mudar um pouco, mesmo sem saber se ela vai voltar. Porque no fim, entre sumiços e silêncios, sigo aqui… apaixonado, confuso e levemente otimista.

 

J.K – 31.01.26




Estrada campeira

 Me vou deste rincão com o peito meio atravessado, sem afeto no embornal. Deixo o Rio Grande pra trás devagarito, como quem respeita a terra antes de seguir viagem. Vou só, que certas dores a gente não reparte nem em roda de mate.


Carrego lembrança de um querer que nasceu quieto, no tropeço dos olhos, sem promessa grande. Foi amor ligeiro, feito flor nativa: abriu bonito, faceiro, mas não aguentou o tempo brabo e se perdeu cedo no campo da vida.


Mas este chão não se perde de mim, não. Sei que um dia volto, pra rever o Guaíba correndo largo, pra sentir o vento minuano no rosto e pisar de novo nesse chão que a gente chama de seu, mesmo quando anda longe.


E se ela ainda quiser dividir a sombra e o mate, que seja simples: só nós dois, proseando baixo, rindo sem pressa. Agora sigo estrada afora — e que ninguém se engane: até gaúcho firme embarga a voz quando precisa se apartar.

 

J.K – 02.01.26




Encontro inesperado

   Nunca imaginei que um dia eu cruzaria com o diabo. E não foi em encruzilhada, nem com cheiro de enxofre. Foi num encontro casual desses que a vida marca sem avisar. Elegante, irônico, sorriso fácil e um papo envolvente. Se apresentou como “um anjo que caiu, mas caiu de pé”. Já gostei de cara. 😈😅


O curioso é que ele não tentou me tentar com dinheiro, fama ou promessas mirabolantes. Nada disso. O sujeito só me ofereceu verdades. Daquelas que a gente evita ouvir, mas reconhece na hora. Falou dos meus excessos, das minhas incoerências e, principalmente, da minha mania de me sabotar achando que é humildade. O danado era perspicaz.


Conversamos como velhos conhecidos. Rimos bastante. Ele dizia que o inferno anda vazio porque o pessoal anda se condenando sozinho, sem precisar de ajuda. Confesso que gargalhei alto. O diabo tem um humor refinado e um talento especial pra jogar espelho na nossa frente.


No fim, percebi que aquele encontro não era sobre ele, mas sobre mim. O tal anjo caído só apareceu pra me lembrar que nem todo erro é pecado e que nem toda virtude é santa. Às vezes, a tentação é só um convite pra ser mais honesto consigo mesmo.


Me despedi agradecendo. Ele sorriu, ajeitou as asas imaginárias e sumiu como quem sabe que cumpriu bem o papel. Voltei pra casa leve, rindo sozinho e pensando: se até o diabo anda tão lúcido, talvez esteja na hora de eu prestar mais atenção em mim. 😄🔥

 

J.K - 02.01.26




sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Entre a Paixão que se Perdeu e a Esperança que Insiste

  Nunca fui daqueles torcedores fanáticos, desses que vivem o futebol como religião. Confesso que já gostei mais — e muito mais. Já vibrei em Inter x Grêmio, já senti a energia de Juventude x Caxias no estádio, aquele frio na barriga que só o futebol raiz sabia provocar. Naquele tempo, a bola parecia obedecer ao coração. Os jogadores jogavam por amor à camisa, o futebol era arte, encantava no gramado e na televisão. Hoje, dói admitir, isso se perdeu. O amor virou contrato, a paixão virou salário. Jogam mais pelo quanto ganham do que pelo escudo que vestem. E antes que perguntem: sim, torço pelo Internacional e pelo Juventude.


Com a política, o caminho foi parecido. Nunca fui fanático, mas já fui mais interessado, mais esperançoso. Hoje, a política virou torcida organizada — e das mais intolerantes. Se tu é de direita, a esquerda te massacra. Se é de esquerda, a direita faz o mesmo. Não existe mais conversa, só rótulos. Amigos se afastam, outros se revelam apenas conhecidos, incapazes de aceitar que alguém pense diferente. Eu respeito quem pensa diferente de mim. Evito debates vazios. Mas voto consciente: pesquiso propostas, histórias, coerência. Sei muito bem em quem votei e em quem votarei.


Ainda assim, não escondo a frustração. Estou decepcionado com muitos dos que hoje ocupam o poder. Prometeram muito, entregaram pouco. Cobram impostos com rigor, mas devolvem migalhas em forma de serviços. A conta chega sempre para o cidadão comum. E, mesmo sabendo que o sistema é falho, cansativo e, muitas vezes, injusto, seguimos em frente. Porque a alternativa — desistir — custa caro demais.


Agora, às vésperas de mais uma eleição, resta a esperança teimosa de que algo possa melhorar. Que os novos candidatos olhem menos para os partidos e mais para as pessoas. Menos para os próprios bolsos e mais para quem os elege. E, aqui entre nós, concordo com aquela velha ideia: políticos, assim como fraldas, precisam ser trocados de tempos em tempos. Antes de votar, pesquise. Conheça. Questione. E se não cumprirem o que prometeram, que a gente não se cale. Que vá às ruas, que cobre, que participe. Porque só assim esse país — esse lugar que é nosso — pode se tornar mais justo, mais igual e, sobretudo, melhor para se viver.

 

 

J.K – 30.01.26




 

Quando o atraso vira soberba

Vou ser direto: essa história me deu vergonha alheia. Não pelo comentário feito no ar, mas pela reação exagerada de quem se sentiu intocável. Um programa que atrasa com frequência não está “fazendo charme”, está desrespeitando o telespectador, os patrocinadores e toda a engrenagem que vem depois na grade. Apontar isso não é falta de profissionalismo — é constatação.


O curioso é como, num passe de mágica, quem atrasa vira vítima e quem avisa vira problema. Falar em “quebra de protocolo” soa bonito, mas no fundo parece só medo de contrariar quem ocupa um pedestal antigo demais para aceitar crítica. Hierarquia não deveria servir para calar, e sim para dar exemplo. E exemplo, aqui, passou longe.

Enquanto isso, o Jornal do Almoço segue fazendo o que sempre fez: jornalismo próximo, regional, com identidade e compromisso. Cristina Ranzolin e Marco Matos não estavam reclamando por vaidade, mas defendendo o tempo do público gaúcho. Tempo esse que vale tanto quanto qualquer pão de queijo enviado em tom de deboche disfarçado de simpatia.

Se punição tiver que existir, que comece por quem acha normal atrasar e ainda ironizar quem se incomoda. Respeito não se mede por fama nacional nem por anos de carreira, mas por atitude diária. Aqui no Sul, atraso repetido não é charme — é descaso. E descaso, sim, deveria dar advertência.

J.K - 30.01.26



Quando a estrada vira encontro

    Viajar, nos dias de hoje, é muito mais do que cruzar quilômetros no mapa. É sobre atravessar telas, sair do on-line e voltar para o essencial: o olho no olho, o aperto de mão firme, o abraço que confirma que a parceria continua viva. E foi exatamente por isso que eu e o Delmar pegamos a estrada. Porque negócio bom também se constrói com presença, conversa e café compartilhado.


Há pouco mais de uma semana, começamos essa jornada pelos três estados do Sul. Já foram mais de 3.600 quilômetros rodados, muitas histórias trocadas e encontros que reforçam algo em que eu acredito profundamente: estar perto faz toda a diferença. Passamos por cidades que nos recebem de portas abertas, com carinho e confiança, e cada visita renova a certeza de que estamos no caminho certo.


Essa viagem também é um convite. Um convite para que nossos clientes e parceiros venham até a Serra Gaúcha, conheçam Farroupilha, sintam o clima do maior polo atacadista de moda do Rio Grande do Sul e vivenciem de perto o que estamos preparando para a nova estação. Aqui, moda não é só produto — é identidade, cuidado e muita dedicação em cada detalhe.


Nos dias 24 de março, no Shopping 585, e 28 de abril, no Farroupilha’s Center, vamos apresentar o lançamento de inverno, exclusivamente no atacado. É a oportunidade perfeita para abastecer sua loja com o melhor da moda do Sul, fortalecer parcerias e, claro, fazer boas compras em um lugar que recebe bem e valoriza quem vem de longe. A Serra Gaúcha espera por vocês — e a gente também.

 

J.K – 30.01.26




sábado, 24 de janeiro de 2026

Quando o espelho pede mais gentileza

Sabe quando você se olha no espelho e sente que aquela imagem não conversa mais com quem você é por dentro? Não é rejeição total, é estranhamento. Foi assim comigo. Há alguns meses, eu aceitava bem a idade, o tempo passando, as marcas da vida. O que eu não aceitava eram os quilos a mais — eles pesavam mais na autoestima do que no corpo.


A barriga incomodava. Não só pela estética, mas pela sensação de descuido, de ter me colocado em segundo plano por tempo demais. De camisa, parecia que eu estava sempre disfarçando algo. A barriga chegava antes de mim nos lugares. E não era só vaidade: era saúde, era bem-estar, era amor-próprio pedindo atenção.


Até que resolvi criar vergonha — da melhor forma possível. Vergonha de não me cuidar, de não me priorizar. Decidi me amar um pouco mais e procurei ajuda profissional. Foi aí que comecei meu acompanhamento na Clínica Light, em Caxias do Sul e Flores da Cunha. Uma decisão simples, mas transformadora, que mudou não só meu corpo, mas minha relação comigo mesmo.


Hoje, três meses depois, estou 17 quilos mais magro, com a autoestima nas alturas e, finalmente, gostando do que vejo no espelho. Voltei a me reconhecer. Voltei a me escolher. Faz tempo que não me sentia tão bem comigo. Ouso dizer que estou feliz, leve e de bem com a vida. Até aquela papadinha que eu fingia não ver — sim, aquela debaixo do queixo — ficou pelo caminho junto com um monte de inseguranças.


E se você que está lendo isso também anda evitando o espelho, se escondendo atrás de roupas largas ou fazendo de conta que está tudo bem, eu te entendo. Eu estive aí. Procurar ajuda não me diminuiu, me fortaleceu. O acompanhamento na Clínica Light foi um divisor de águas na minha vida. Se quiser conversar, tirar dúvidas ou saber como foi esse processo, me chama aqui nos comentários ou no reservado. Não é sobre caber em um padrão. É sobre caber melhor em si mesmo. A gente merece esse cuidado. A gente merece ser feliz.


J.K - 24.01.26





Tesão sem horário marcado

    Dizem que, na terceira idade, tudo desacelera. Mentira! O corpo até pode negociar prazos, mas o desejo continua chegando sem avisar, como visita que não liga antes! E quando ele aparece, meu amigo, não é hora de fingir que não ouviu a campainha! É hora de abrir a porta, sorrir e dizer: “entra, fica à vontade”! 😄


Na juventude, a gente transa por ansiedade, por urgência, por medo de perder a chance. Já depois de uma certa idade, a coisa muda de tom! O tesão vem mais seletivo, mais consciente… e talvez até mais ousado! Porque agora sabemos que não é todo dia — então, quando vem, merece atenção especial! 😂


Aprendi que negar fogo nessa fase da vida é quase uma falta de educação com o próprio corpo! Se surgiu vontade, bora aproveitar! Sem cronômetro, sem culpa, sem desempenho olímpico! O prazer agora é mais sobre entrega do que sobre acrobacia! E olha… funciona muito bem assim! 😏


Transar na maturidade é quase um ato de rebeldia! Contra o relógio, contra os rótulos e contra aquela ideia besta de que desejo tem prazo de validade! Pelo contrário: ele amadurece, ganha malícia, humor e uma deliciosa falta de pressa!


Então fica o conselho sincero: sentiu vontade, vá! Se esbalde! Se acabe! Ria no meio do caminho se precisar! Porque, nessa fase da vida, o maior pecado não é exagerar… é deixar o tesão passar em branco! 😄🔥

 

J.K – 02.01.26






Quando o tempo não apaga o que é verdadeiro

    Pensei em ti hoje. Não foi por saudade de um momento específico, mas pela forma como algumas pessoas atravessam o tempo sem nunca irem embora de verdade. A nossa história é assim. A gente se conhece há anos, já se afastou, já voltou, já discordou, já brigou… e mesmo assim, o carinho nunca se perdeu. Ele apenas mudou de lugar, amadureceu, aprendeu a ficar em silêncio quando era preciso. 💛


Não tenho dificuldade em reconhecer meus erros. Houve falhas, escolhas apressadas, palavras ditas fora de hora. Houve idas e voltas que cansam, que machucam. Mas, ainda assim, em nenhum desses caminhos eu deixei de te respeitar, nem de reconhecer a importância do que vivemos. Nossa história merece cuidado, porque foi construída com verdade, mesmo quando doeu. 💛


Eu admiro profundamente quem tu és. A tua força, a tua sensibilidade, a forma como enxerga o mundo e como permanece fiel a si mesma. Poucas pessoas têm essa presença que acalma e, ao mesmo tempo, inquieta. Tu és uma delas. Estar perto de ti sempre teve esse efeito em mim: de me sentir inteiro, mesmo sabendo que a vida nunca é simples. 💛


Talvez o que exista entre nós nunca tenha sido apenas coincidência ou costume. Talvez seja esse afeto que resiste, que não exige, que não prende — mas que permanece. Eu não escrevo para prometer nada além de honestidade. Escrevo porque tu importas. Porque pensar em ti ainda faz sentido. E porque algumas histórias, quando são verdadeiras, nunca acabam — apenas esperam o momento certo para serem sentidas de novo. 💛😊

 

J.K - 24.01.26