domingo, 28 de dezembro de 2025

Noite de questionamentos

Quando a lua surgiu no céu, eu era a único que ainda estava acordado, sonhando com o futuro. A noite era jovem e cheia de possibilidades, mesmo que para mim já fosse tarde demais para mudar o curso das coisas. Mas a vida é assim, cheia de surpresas e reviravoltas.

 

Agora, enquanto envelheço, eu me pergunto sobre o sentido da vida. É estranho ser humano, não é? Temos tantas perguntas e tão poucas respostas. E quando chega a hora de partir, o que resta? Será que vamos encontrar o que estamos procurando?

 

Nessa jornada, aprendi a não me apegar demais às coisas. A vida é curta e imprevisível, e não há garantias de amanhã. Então, eu aproveito o momento, deixo o futuro incerto e foco no presente. É uma arte que exige prática, mas que vale a pena.

 

A verdade é que a vida é cheia de mistérios e surpresas. E a gente só precisa aprender a lidar com isso. Então, eu vou seguir em frente, com a certeza de que no fim da estrada, há uma nova avenida, uma nova chance, uma nova saída. E é isso que torna a vida tão interessante.

 

J.K – 09.12.25




 


sábado, 27 de dezembro de 2025

Cocteau Twins e o lugar onde você me encontra

Escuto Cocteau Twins e deixo que a música dissolva o mundo ao meu redor. As vozes etéreas se espalham pelo ar como um convite silencioso, abrindo uma porta que só nós dois conhecemos. É nesse intervalo entre nota e respiração que você aparece, primeiro como lembrança, depois como presença — suave, inevitável.


No meio da melodia, imagino seus passos lentos se aproximando, como se o chão reconhecesse o peso exato da tua vontade. Nada urgente, nada apressado. Apenas a certeza tranquila de quem sabe que o encontro não precisa de explicação. O ar muda, a pele desperta, e o pensamento de você percorre meu corpo como um arrepio que conhece o caminho.


De olhos fechados, tudo ganha textura. O toque que não existe se torna quase real, desenhando na minha pele a ausência mais íntima que já senti. E é curioso como a imaginação, quando te escolhe, não mente: ela traduz o desejo em gesto, o silêncio em entendimento, o instante em entrega lenta.


Quando a música termina, não há turbulência, apenas uma paz quente, daquelas que ficam mesmo depois que a fantasia se dissolve. Você não está aqui, mas, por alguns minutos, esteve tão perto que quase pude te tocar. E talvez seja isso que me encanta: a forma como você preenche até o que ainda não aconteceu.


30.11.25 – J.K




 

Havaianas e eu: uma relação de respeito à distância

 Por mais que todo brasileiro jure amor eterno, eu confesso: nunca fui fã das sandálias Havaianas. É quase uma heresia nacional, eu sei! Enquanto o país inteiro parece ter um par para cada ocasião — da praia ao supermercado, do sofá à esquina — eu sempre observei tudo de fora, como quem entende o fenômeno, mas não entra na fila.


Nunca comprei uma! Já ganhei, claro, porque ninguém leva a sério quando digo que não uso. Tentei, experimentei, caminhei alguns passos… e pronto, bastou! Não me adapto a esse tipo de sandália. Meu pé nunca se entendeu com ela, e a sensação sempre foi a de estar usando algo que claramente não foi feito para mim.


Isso não é desprezo, é convivência respeitosa. Reconheço o peso cultural da Havaianas: democrática, onipresente, quase um patrimônio informal do país. Ela está em todo lugar e em todas as histórias, menos nas minhas. Algumas relações simplesmente nascem sem química, e a gente aprende a aceitar.


E então veio o comercial com a Fernanda Torres. Respeito o comercial, respeito a atriz e respeito a polêmica — embora ela pareça grande demais para algo tão pequeno. No fim das contas, serviu para uma coisa importante: fazer o país esquecer, por alguns dias, dos problemas econômicos que atravessa. Até que o próximo escândalo apareça e a conversa mude de assunto, como sempre!

 

J.K – 27.12.25




 

....

Quando a fé nasce outra vez

  No meio das luzes, dos abraços e dos desejos que o Natal desperta, eu me lembro do que realmente sustenta tudo isso: o nascimento de Jesus Cristo. Confesso que, muitas vezes, me perco no barulho do mundo e quase esqueço que o Natal não começa no presente, mas no presépio. É ali, na simplicidade de um menino, que a fé ganha corpo e me chama de volta ao essencial.

 

Celebrar o Natal, para mim, é reconhecer que Deus escolheu nascer pequeno para ensinar grandeza. Jesus não veio cercado de poder, mas de humildade. E toda vez que lembro disso, algo dentro de mim se aquieta. A fé deixa de ser discurso e passa a ser caminho. Um convite diário para amar mais, julgar menos e estender a mão antes de apontar o dedo.

 

Nesse espírito, eu acredito que o Natal acontece de verdade quando deixamos Cristo nascer dentro de nós. Quando a fé se traduz em gestos simples: um perdão concedido, um abraço oferecido, uma escuta sincera. Não é sobre perfeição, é sobre entrega. É sobre permitir que a esperança vença o medo e que a luz encontre espaço mesmo nas nossas sombras.

 

Talvez o maior milagre do Natal seja esse: lembrar que não estamos sozinhos. Que Deus se fez homem para caminhar conosco. E que, ao celebrar o nascimento de Jesus, renovamos também a nossa fé na vida, no amor e na possibilidade de um mundo mais justo e humano. Que este Natal não seja apenas lembrado, mas vivido — com fé, com verdade e com o coração aberto.

 

J.K – 17.12.2025






Tudo era perfeito até ela chegar

 Tudo era perfeito e harmônico no condomínio até a chegada da nova vizinha, Lara. No primeiro dia, ela bateu na minha porta para pedir ovos — queria fazer um bolo. Me apresentei, convidei-a para entrar e entreguei o que precisava.

Horas depois, ela voltou trazendo um pedaço do tal bolo, ainda quente e perfumado. Convidei-a novamente para entrar e ofereci um café, que ela aceitou com um sorriso fácil demais.

Enquanto a água fervia, conversamos. Lara tinha uma fala suave, olhar firme e beleza difícil de ignorar. Os cabelos ruivos brilhavam quando a luz do fim da tarde batia neles. E havia algo quase hipnótico na forma como cruzava e descruzava as pernas ao repousar a xícara na mesa, revelando o decote discreto — mas impecável.

Em poucos minutos, eu já sabia que ela era viúva. O marido, segundo ela, havia morrido há pouco mais de um ano.

— Do quê? — perguntei, naturalmente.

Ela me encarou, inclinou a cabeça e sorriu.

— Eu matei ele. Não gostava mais dele.

Ri, achando que fosse humor negro. Mas ela repetiu a frase, com a mesma calma, como se me testasse. Não insisti. Não naquele momento.

**

Nos dias seguintes, Lara parecia sempre cruzar meu caminho. No elevador, na garagem, na portaria. Sempre com um sorriso calculado. Sempre com perguntas demais. Sempre insinuando que “vizinhos educados são raros… e preciosos”.

Meu sono começou a falhar.

**

Certa noite, tarde demais para visitas normais, alguém bateu à porta. Era Lara.

— Preciso de ajuda — disse, aflita. — Há um barulho estranho no meu quarto. Acho que tem um animal preso na tubulação.

Relutante, fui. A porta do apartamento dela estava entreaberta. O corredor escuro, silencioso. O ar tinha um cheiro metálico, quase doce.

— É ali dentro — ela apontou.

Ao me aproximar do quarto, percebi que não havia barulho nenhum. Apenas silêncio. Um silêncio pesado. Quando virei para comentar, ela não estava mais atrás de mim.

A porta de entrada se fechou sozinha com um clique.

— Lara? — chamei.

Nenhuma resposta.

Empurrei a porta do quarto e acendi a luz.

Quase nada ali dentro. Só uma caixa de papelão no chão. Em cima dela, uma foto.

Minha foto.

Eu dormindo no sofá da sala. Tirada claramente da janela dela. A data marcava dois dias antes.

Senti a espinha gelar.

— Você ficou tão vulnerável — disse a voz dela atrás de mim, suave demais. — Igual meu marido. Ele também confiava demais.

Virei-me devagar. Lara estava parada na porta, braços cruzados, sorriso tranquilo. Um sorriso que não combinava com a situação.

— Isso não tem graça — falei.

— Não era pra ter — ela respondeu. — Você é diferente. Por isso eu gosto de você. Mas se eu te deixar ir… você fala demais.

Dei um passo em direção à sala, calculando cada movimento. Ela observava como um predador paciente.

Foi então que o interfone tocou alto, quebrando o clima como um tiro. Ela se virou, irritada. Aproveitei o segundo que me deu e corri para fora.

O porteiro, que subia para verificar barulhos, entrou justamente na hora e me viu passar em disparada.

No elevador, minhas mãos tremiam. A porta se fechou antes que ela pudesse me alcançar.

**

Na manhã seguinte, Lara havia desaparecido.

O apartamento, lacrado. Disseram que ela saiu às pressas, antes mesmo da polícia pedir explicações.

Pensei que fosse o fim da história.

Mas à noite, ao chegar em casa, encontrei algo no tapete da porta: uma xícara de café ainda quente e um bilhete escrito com caligrafia elegante.

“Você realmente é diferente. Até logo.”

Fiquei parado ali por longos segundos, encarando minha própria porta trancada. Trancada… e ainda assim longe de parecer segura.

E naquele instante, percebi uma coisa terrível:

Lara não tinha ido embora.
Só estava me dando tempo.

 

JK – 29.11.25




 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Natal de castigo

 O Natal chegou todo pomposo, com luz piscando, peru seco e promessa de milagre na ceia. Eu fiz minha parte: comi demais, critiquei a comida alheia e reclamei do calor. Resultado? Papai Noel passou lá em casa, olhou bem pra minha cara e decidiu que eu não merecia nem um par de meias furadas. Fui oficialmente rebaixado à categoria “mal menino”, sem direito a recurso.


O clima não ajudou. Aquele senhor de vermelho parecia mais cansado do que eu numa segunda-feira. Nada de barriga farta ou riso contagiante. Tinha cara de quem pegou trânsito, perdeu o trenó no estacionamento e ainda esqueceu a senha do Pix. Pediu comida, não presente. E eu, solidário e falido, só consegui oferecer o que sobrava no prato: quase nada, mas com muito amor… e zero proteína.


O mais constrangedor foi perceber que o espírito natalino estava parcelado. Tudo em suaves prestações: a ceia, os presentes, a boa vontade. Até a culpa veio dividida em doze vezes sem juros. Enquanto isso, o bom velhinho parecia desempregado, desiludido e claramente repensando a carreira. Talvez abrisse um podcast. Ou um curso online: “Como sobreviver ao Natal sem enlouquecer”.


No fim, fiquei sem presente, mas com uma lição valiosa: se comportar mal no ano rende boas histórias, mas péssimos natais. Mesmo assim, confesso… não me arrependo tanto. Porque se o Natal é tempo de reflexão, o meu serviu pra entender que às vezes a maior dádiva é rir da própria falta de juízo — ainda que isso custe um presente esquecido no saco do Noel. 🎄😄

 

26.12.25 - JK




Quando o corpo decide amar antes da alma

 Mochila nas costas, partiu rumo a São Paulo como sempre fazia nos finais de semana. Namorar era preciso — e o corpo sabia antes mesmo da mente.

 

Ao desembarcar no aeroporto Guarulhos, lá estava ela: linda, leve, irresistível. Pernas à mostra, camisa que abraçava cada curva, perfume que desmontava qualquer defesa. Um selinho rápido no carro — rápido demais para matar saudade — e logo uma parada para o jantar.

 

O que deveria ser apenas uma refeição virava ritual: olhares que se demoravam, risos íntimos, a conversa que corria solta, aquele magnetismo que puxava um ao outro como se o mundo inteiro conspirasse.
Ao chegarem em casa, o abraço era tímido… até não ser mais. Os beijos vinham carregados de saudade, de promessa, de lembrança. Ela dizia não ser romântica — mas bastava um toque para desmenti-la.

 

Aos poucos, as roupas desistiam de ficar. Beijos aconteciam onde a pele pedia, no ritmo que a respiração comandava. Olhos se encontravam num silêncio quente, pesado, elétrico. Corpos se aproximavam numa dança lenta que só dois amantes que se conhecem bem conseguem executar. O arrepio vinha fácil. O querer, mais ainda.

 

As mãos dele — aquelas mãos meio desajeitadas e tão dela — deslizavam pelo corpo como quem percorre um território sagrado. Os beijos se faziam mais úmidos, mais profundos, mais urgentes.
Ela entendia cada gesto, ele entendia cada suspiro.

 

Quando os dois se perdiam um no outro, o sofá virava continente, testemunha, palco. Gemidos, risos abafados, pequenas juras meio sussurradas, meio mordidas. Era um vai e vem de desejo, um jogo de entrega gradual, que começava suave e ganhava força como se o corpo tivesse vontade própria.

 

Ele a segurava, guiava, explorava seus mistérios com a devoção de quem sabe que o prazer dela é porta de entrada para o dele. Nada o encantava mais do que vê-la perder-se em ondas longas, profundas, repetidas — como se o clímax fosse um lugar ao qual ela sempre retornava conduzida por ele.

 

Quando o corpo pediu pausa, vieram o vinho, a música, o silêncio confortável. E, ao menor toque, tudo recomeçou.

 

Ela cavalgava devagar no início, mas logo se soltava, revelando a força e a liberdade que guardava no corpo. Era amazona, era tempestade, era mulher inteira — e ele a admirava como quem assiste a um espetáculo só para iniciados.

 

Palavras quentes escapavam dela sem filtro, queimando o ar entre os dois. O desejo escorria, brilhava na pele, misturava-se aos suspiros que explodiam em sua boca, no pescoço, no peito dele.
Ele a segurava firme, guiando o ritmo, guardando cada segundo como um segredo precioso.

 

Quando o corpo dela finalmente desabou no dele, trêmulo e entregue, ele percorreu sua pele com a boca e com as mãos, saboreando o que ela oferecia — cada tremor, cada rastro, cada suspiro que ainda escapava.

 

E ela, renascida após cada onda, o recebia de volta com beijos lentos, famintos, como quem saboreia um doce proibido. O resto da noite foi repetição e reinvenção: toques que voltavam diferentes, beijos que vinham mais quentes, sussurros que ficavam cada vez mais íntimos.

 

E, ao amanhecer, exaustos e felizes, dormiram de conchinha — como dois que sabem que pertencer ao outro é, no fundo, o maior descanso do mundo.


29.11.25 — JK