sexta-feira, 7 de agosto de 2026

O gosto amargo da volta!

 

 Tem gente que jura que a pior dor é a de perder alguém! Eu já acho que existe algo ainda mais cruel: descobrir que a pessoa só percebeu o valor daquilo que tinha depois que destruiu tudo com as próprias mãos. E foi exatamente isso que senti quando me contaram sobre aquela cena. Você, sentada num bar qualquer, copo na mão, olhos marejados e a voz tropeçando na própria culpa.

 

 Confesso que ouvi aquilo com um silêncio estranho dentro de mim, um silêncio quase satisfeito. Porque durante muito tempo fui eu quem carregou o peso da humilhação, tentando disfarçar o tombo diante dos outros enquanto a vida seguia como se nada tivesse acontecido. Saber que a lembrança do que fez ainda lhe aperta o peito mexeu comigo mais do que imaginei.

 

 Disseram que perguntaram meu nome e você travou! Bastou ouvirem sobre mim para o choro aparecer atravessado na garganta. E, por mais duro que isso pareça, existe uma parte ferida aqui dentro que encontrou certo conforto nessa imagem! Talvez porque durante meses eu tenha me perguntado se tudo aquilo realmente teve algum peso para você.

 

 Cresci aprendendo que dignidade vale mais do que orgulho! Meu pai repetia isso de um jeito simples, daqueles que ficam marcados pra sempre. A vergonha que senti naquela época ficou grudada em mim como fumaça em roupa de inverno. Passei dias tentando parecer inteiro enquanto por dentro eu desmontava em silêncio.

 

 Hoje já consigo olhar para trás sem aquela vontade de arrancar páginas da memória! Só que algumas feridas criam cicatriz funda. E quem brinca com sentimento acaba carregando o próprio cansaço pelo caminho. A vida costuma devolver cada escolha no tempo certo! Tem gente que encontra abrigo e tem gente que passa anos rodando por dentro de si mesma, procurando paz e encontrando apenas eco.

 

J.K – 16.05.26




Nenhum comentário:

Postar um comentário