Tem gente que jura que a pior dor é a de perder
alguém! Eu já acho que existe algo ainda mais cruel: descobrir que a pessoa só
percebeu o valor daquilo que tinha depois que destruiu tudo com as próprias
mãos. E foi exatamente isso que senti quando me contaram sobre aquela cena.
Você, sentada num bar qualquer, copo na mão, olhos marejados e a voz tropeçando
na própria culpa.
Confesso que
ouvi aquilo com um silêncio estranho dentro de mim, um silêncio quase
satisfeito. Porque durante muito tempo fui eu quem carregou o peso da
humilhação, tentando disfarçar o tombo diante dos outros enquanto a vida seguia
como se nada tivesse acontecido. Saber que a lembrança do que fez ainda lhe
aperta o peito mexeu comigo mais do que imaginei.
Disseram que
perguntaram meu nome e você travou! Bastou ouvirem sobre mim para o choro
aparecer atravessado na garganta. E, por mais duro que isso pareça, existe uma
parte ferida aqui dentro que encontrou certo conforto nessa imagem! Talvez
porque durante meses eu tenha me perguntado se tudo aquilo realmente teve algum
peso para você.
Cresci
aprendendo que dignidade vale mais do que orgulho! Meu pai repetia isso de um
jeito simples, daqueles que ficam marcados pra sempre. A vergonha que senti
naquela época ficou grudada em mim como fumaça em roupa de inverno. Passei dias
tentando parecer inteiro enquanto por dentro eu desmontava em silêncio.
Hoje já
consigo olhar para trás sem aquela vontade de arrancar páginas da memória! Só
que algumas feridas criam cicatriz funda. E quem brinca com sentimento acaba
carregando o próprio cansaço pelo caminho. A vida costuma devolver cada escolha
no tempo certo! Tem gente que encontra abrigo e tem gente que passa anos
rodando por dentro de si mesma, procurando paz e encontrando apenas eco.
J.K – 16.05.26

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