Nossa história acabou sem briga, sem porta batendo e sem cena de
novela. Apenas terminou devagarinho, como uma fogueira de festa junina apagando
no meio da madrugada, quando todo mundo já foi embora e sobra só aquele cheiro
de fumaça no ar.
Outro dia me
peguei lembrando de como tudo começou: a música tocando alto, gente rindo,
bandeirinhas coloridas balançando no vento e eu acreditando que algumas coisas
durariam para sempre. Engraçado como a vida adora desmentir a gente depois. O
coração faz planos gigantescos e o tempo aparece com uma borracha na mão.
Hoje, quando
fico perto de certas lembranças, viro quase um estranho dentro de mim mesmo.
Penso em mil coisas ao mesmo tempo e acabo quieto, segurando palavras
atravessadas na garganta como quem segura água nas mãos.
E mesmo
depois de tudo, existe uma vaidade boba que continua viva. Aquela vontade de
imaginar que, quando alguém perguntar sobre mim, você ainda fale com carinho.
Que invente uma saudade pequena, que diga que houve amor ali. Porque no fundo,
por mais machucadas que duas pessoas saiam de uma história, ninguém gosta da
ideia de virar o vilão oficial da memória do outro.
Talvez seja
por isso que alguns términos tenham gosto de mesa de bar no fim da noite. Cada
um conta a versão que consegue suportar! Um exagera os defeitos do outro, outro
transforma mágoa em piada, e assim seguimos, tentando salvar um pouco do
orgulho enquanto o coração continua fazendo bagunça escondido. E olha, se tem
uma coisa que aprendi, é que certas histórias acabam, mas demoram bastante para
ir embora da gente.
J.K – 16.05.26

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