É inegável que vivemos em uma era imediatista, uma tendência comportamental que parece ter se tornado global. Acho que essa nova dinâmica, que podemos chamar de Cultura do Imediatismo, é, na verdade, uma contracultura ou anti-cultura. Para mim, cultura é o que resiste ao tempo e transcende as gerações.
É triste observar que estamos cada vez mais ansiosos e conectados ao que acontece no mundo, mas, paradoxalmente, desconectados da realidade e da vida real. Acreditamos saber e fazer tudo, mas, na verdade, sabemos muito pouco. Somos vítimas de um mundo em rápida transformação, onde os valores se perdem e o futuro se torna incerto.
Essa postura inquietante é, em grande parte, resultado da massificação dos meios eletrônicos de comunicação. Com a internet, tudo passou a ser para já. Vivemos em uma sociedade onde todos estão atarefados demais, onde o que importa é produzir para consumir e, em seguida, produzir ainda mais para consumir mais. Nesse ciclo, as pessoas estão perdendo a capacidade de se autoconhecer e de se relacionar genuinamente com os outros.
A maioria dos relacionamentos e amizades hoje é virtual, e as redes sociais, que deveriam estreitar laços, acabam nos afastando da realidade. Estamos carentes de atenção, de abraços, de sorrisos largos e sinceros. Precisamos postar diariamente fotos nossas felizes, consumindo algo ou viajando, para nos sentirmos felizes e não inferiorizados. Somos prisioneiros das imagens, onde tudo precisa ser captado e compartilhado. É hora de refletir sobre essa dinâmica e buscar um equilíbrio entre o mundo digital e o mundo real, entre a velocidade e a profundidade, entre o consumo e a reflexão. - JK

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