Dei trabalho ao meu anjo da guarda, confesso. Na época da faculdade eu era medonho. Imagine um rapaz do interior deslumbrando ao desembarcar na capital gaúcha. Suas selvas de concreto, sua gente bonita, sua hospitalidade e sua noite encantadora, recheada de tribos diversas.
Lembro que trabalhava no Unibanco de segunda a sexta, das 9h às 18h, fazia faculdade em São Leopoldo, na Unisinos e ainda tinha tempo para conhecer a noite porto-alegrense. Saia quase que diariamente. Barzinho, boates, tudo me fascinava. Ocidente, Porto de Elis, Cord, Bere Ballare, entre outras casas noturnas. Lá dançava sozinho em frente ao paredão de espelhos, acompanhado ou em grupo. O importante era me divertir, extravasar.
Recordo que tomava todas e mais algumas. A saideira era eterna. Em determinado período cheguei a pensar que era alcoólatra, pois bebia tudo que fosse líquido do chimarrão com velho barreiro aos destilados mais fortes. O importante era beber até cair. O problema era o dia seguinte. Eu era viciado em aspirinas, pois a dor de cabeça era medonha e o gosto de corrimão na boca, detestável. Balinhas de menta todo o dia para purificar o hálito.
Recordo uma vez, indo passar o final de semana em São Marcos, quase morremos na BR-116. Além de ter bebido todas, tínhamos tomado moderadores de apetite para ficar mais “alegres”. Imagine o estrago.
Na serra, próximo a gruta de Nossa Senhora Aparecida, quando vejo, passa um pneu por nós. Segundos depois, a Brasília amarela que estávamos roda na estrada. Nosso pneu tinha caído. Poucos quilômetros atrás tinha furado e na hora de trocar, chapados como estávamos, esquecemos de parafusar o pneu direito.
O melhor foi ver a Lisa, a dona da Brasília, vomitar e procurar no meio do vômito, o remédio para emagrecer. Lembro que ela achou e tomou de novo. Eu sentei na faixa e ria feito louco enquanto os outros buscavam o pneu ribanceira abaixo. Mas, chegamos ao destino são e salvos. Nosso anjo da guarda queria arrancar as penas das asas.
Na formatura do Beto, para variar, eu para lá de Bagdá, após ter bebido todas e não ter comido nada, estraguei a festa de todo mundo, pois vomitei no salão de festa dando um banho de mim mesmo e um show a parte. Arghs! Fui levado para casa na carroceria de um furgão e depois, ao chegar, colocado embaixo do chuveiro com roupa e tudo mais. Até aí tudo bem, recordo que eu tentava ficar de pé na carroceria dizendo que podia voar. Risos. Se caísse, não sobrava nada. O motorista corria feito louco. Até eu fiquei com pena do meu anjo da guarda.
E, não faltaram peripécias, mas, melhor encerrar por aqui, ao menos hoje. Do contrário, sou capaz de escandalizar meus dois únicos seguidores e minha fiel leitora Camila, uma vez que meu anjinho da guarda já pendurou as chuteiras. Está internado em uma clinica para tratar o estresse.
quinta-feira, 26 de maio de 2016
domingo, 22 de maio de 2016
Velório avesso
A vida é recheada de fatos engraçados, atropelos. Talvez um fato que mais tenha me marcado aconteceu em uma situação um quanto inusitada.
A mãe de uma amiga havia morrido. Ficamos sabendo disso ao sair do Incitatus, uma boate de Caxias do Sul, isso por volta das 6h nos saudosos anos 80. Como bons amigos que éramos eu Andréa e Christiane, resolvemos sair da boate e irmos direto ao velório. Só que já estávamos para lá de Badgá, pois, pra variar, havíamos tomado todas. De quebra, o velho moderador de apetite para dar mais energia.
Lá fomos os três para o velório nas capelas mortuárias do Pompéia. Lá chegando, Andréa e Chris entraram. Eu fiquei fumando um cigarro. Depois, fui comprar umas balinhas para purificar o hálito.
Entrando na sala, fui direto ao espaço reservado aos familiares. Dei os pêsames a todos, tomei café, conversamos sobre a causa da morte, falamos da família e, principalmente, de agricultura. Isso que eu não entendo nada de agricultura. Já Lissandra, tinha ido para casa tomar banho e trocar de roupa.
Enquanto Lissandra não voltava, resolvi sentar com os familiares em volta do caixão. Lá rezei o terço com um grupo de senhoras. Passado mais de uma hora, estranhei que Lissandra não ter voltado tampouco ter visto a Andréia e a Nani no velório. Pensei comigo mesmo? Aonde será que elas estão. Nisso, uma senhora resolveu arrumar umas flores junto aos pés da falecida. Resolvi ajudar, mas, para meu espanto, olhando bem o morto, descobri que o mesmo era homem, que havia entrada na capela errada. São três capelas, uma do lado da outra. Resultado, de nervoso, me deu um ataque de risos. Tive que sair rapidinho do local para não fazer fiasco.
Passado o ataque de risos, entrei na segunda capela e nada das gurias. Não é que o velório estava acontecendo justamente na capela três. Lá entrando, fui finalmente abraçar a Lissandra. Já as gurias, estavam preocupadas comigo, pois havia sumido há mais de duas horas. Fomos lá fora e contei o que aconteceu. Recordo que nós quatro sentamos no meio fio e caímos nas gargalhadas. Por um momento, esquecemos da tristeza deixando a alegria tomar conta.
Até hoje conto esta estória, e sempre que relato caio nas gargalhadas. O que faz o álcool e as drogas. Mas, uma coisa aprendi: sair de festas direto para velório, nunca mais, ainda mais depois de ter bebido todas.
domingo, 15 de maio de 2016
Dias melhores virão, espero!
Enquanto nossos governantes só pensam em permanecer no poder, o país está um caos, de cabeça para baixo, uma desordem total a começar por Brasília, capital da corrupção. Não vejo medidas para reverter a situação que piora a cada dia.
Desemprego e inflação em alta, saúde agonizando, marginalidade crescendo... Somos um país rico, pagamos os impostos mais altos do planeta. Não consigo entender como conseguiram deixar o Brasil neste estado lamentável, deplorável. Má administração, ganância, luta pelo poder são as causas digo e repito.
Eu empobreci nos últimos altos como grande parte dos brasileiros. De classe média, hoje sou classe operária. Trabalho apenas para o sobrevier. Meu salário hoje não supre minhas necessidade básicas. Início do mês sou obrigado a escolher quais contas vou pagar com juros e o que mais vou cortar do meu orçamento. Plano de Saúde e lazer, não tenho mais.
Eu trabalho, vou à luta!. Não recebo Bolsa Família ou qualquer tipo de ajuda do governo. Pelo contrário, ainda pago meus impostos em dia. Se adquiri algo na vida, meu carro, minha casa, foi graças ao meu esforço, meu trabalho. Não precisei roubar, enganar, matar, mentir, me corromper para isso. Disso me orgulho!
Só sei que estou descontente com nossa política, nossos políticos, com todos partidos políticos. Hoje vejo que todos são iguais. Não pensam em seu povo, mas somente em seus bolsos, no poder. Mas, ainda tenho fé que governantes honestos e capazes irão surgir, pois destes que aí estão, não existe luz no fim do túnel. Lamentável!
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
Tempo, coração e fast-food
O mundo anda corrido,
agitado demais. Somos dependentes do relógio para tudo. Temos hora para
acordar, tomar café, almoçar, lanchar, sair do trabalho, levar e buscar os
filhos na escola, jantar, dormir e até hora para o sexo.
Nosso lazer também tem hora
marcada. Temos hora para ir ao cinema, teatro, viajar e hora para visitar
amigos e, até mesmo para saborear aquele cafezinho com eles. Quando vamos ao
dentista ou ao médico, a coisa não é diferente ,
hora marcada.
Nossas vontades, conquistas e quereres
também também tem hora para acontecer: ontem! Somos imediatistas, não sabemos
esperar a hora certa. Já diz o ditado que esperar é para os acomodados, que
devemos correr atrás dos nossos sonhos, amores e fazer acontecer. Concordo
parcialmente, pois tudo na vida tem um tempo de maturação, principalmente, os
amores.
No desespero de não
ficarmos sozinhos, beijamos e ficamos com qualquer um que nos dê atenção, um
carinho, uma palavra afável, um sorriso perfeito. Basta ter uma embalagem
bonita e dez minutos de conversa, seguida de alguns drinques e já estamos na
cama, soltos e devassos na busca do prazer. Não que isso seja ruim - pelo
contrário, sexo é ótimo -, mas tudo acontece rápido demais.
Não existe mais o prazer da
conquista, o ritual da sedução. Os bons costumes foram esquecidos em algum
lugar, atropelados pela pressa do cotidiano. Flores, cinema, jantar ou mesmo
abrir a porta do carro, escrever um bilhete dizendo eu te amo num pedaço de
papel tornam-se foram de moda, ridículos e, até ousaria dizer diria, cafona.
Hoje se diz eu te amo com
muita facilidade. A mesma facilidade e rapidez que você vai a um fast-food e
pede algo para comer. Aliás, estamos na era dos amores fast-food, dos amores
esfomeados. Começam tão rápidos quanto terminam. No primeiro dia estamos
jurando amor eterno, planejando morar junto, ter filhos e, na semana seguinte,
amaldiçoando, querendo mais é que ele exploda. Só que esquecemos que nosso
coração é quem sofre, morre afogado em nossas próprias lágrimas.
Antigamente, apresentava-se
a família somente quando o namoro estava sério. Hoje os pais mal tem tempo de
aprender o nome de um e a fila já andou, é outro nome! Assim é nas redes
sociais. Na primeira semana o status é: em um relacionamento sério, na outra,
sentindo-se decepcionada.
Agimos por afobamento,
desprovidos de emoção onde as razões do coração são esquecidas, perdidas no
tempo não administrado corretamente. Omitimos que o amor é único, que o
verdadeiro amor não é sexo, nem paixão, nem amizade, compaixão ou desejo. Amor
não é brinquedo, nem objeto de tortura, muito menos perecível com prazo de
validade para se usar e descartar. E, não adianta negar: todos nós queremos um
amor e um tempo para nós mesmos. - JK
quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
Tudo somado, acho que fui feliz!
Despede-se 2015! Com certeza, um ano que não
vai deixar saudades! Ao menos para mim e boa parte dos brasileiros. Ouso dizer que
foi um dos piores anos que vive ao longo da minha existência quinquenal.
Tudo que tinha direito de acontecer, aconteceu.
Perdi um primo/irmão querido, um Tio/Vô e uma Tia/Vó, tudo me menos de dois
meses. Sem contar nos amigos. Alguns partiram de forma natural, outros de morte
estúpida e inexplicável ou a ser explicada em 2016.
Helena
Horácia sofreu um acidente que deu muita dor de cabeça para toda família. Mais
de três meses exigindo cuidados especiais, com direito a mudar-se para casa da
minha irmã por todo este tempo. Não foi fácil cuidar de uma filha desta idade,
independente, autoritária e hiperativa.
Financeiramente, 2015 foi e esta sendo um ano
super difícil. Muito trabalho e pouco dinheiro no bolso. Inflação pela hora da
morte como diz o ditado. Você vai ao supermercado com R$ 50,00 e traz, no
máximo, duas sacolinhas de compras. Todos os dias, preços em alta. Já o salário
permaneceu congelado todo ano todo. Gasolina, luz e outros serviços básicos
também tiveram reajuste acima da inflação dificultando ainda mais a vida de boa
parte dos brasileiros e a minha é claro!
Na política, governo incompetente, que mais
errou do que acertou em todos os aspectos. Nunca se roubou tanto e tão pouco se
fez pelo país.
Volto a
frisar: não votei na Dilma, mas acreditei nela. Maior desilusão seus dois
mandatos. Ao contrário do que imaginei, ela mostrou-se uma mulher fraca,
acuada, mal assessorada, inclusive, em determinados momentos, perdida em seu
mandato, em seu discurso, com se ela fosse uma mera coadjuvante. Já Governador
Satori, cedo para avaliar e espero não me desiludir como aconteceu coma
presidenta. E, nosso prefeito de Caxias do Sul, desilusão total. Saliento aqui
que esta é a minha opinião e peço respeito.
No
trabalho, me despedi do ramo da perfumaria e cosméticos e voltei ao ramo do
vestuário, que amo e me reencontrei. Não que eu não tenha gostado do ramo
anterior. Pelo contrário, eu amei, muito aprendi. Meus patrões foram às pessoas
mais incríveis que conheci, uma família abençoada, íntegra, batalhadora e
honesta. Mas, dois colegas tornam minha estada nesta empresa um “inferno”.
Jamais tinha trabalhado com duas pessoas tão falsas, maldosas, ardilosas, ruins
mesmo. Daquelas que parecem terem sido saídos das novelas globais ou mexicanas,
capazes de tudo para subir na vida sem poupar esforços, pisando em cima de quem
for preciso. Mas, justiça foi feita. A lei do retorno existe. O que se colhe,
planta. Não há máscara que um dia não caia.
Na parte
de amizades, me afastei de quase todas. Ao meu lado, só as verdadeiras permaneceram.
Foram poucas, mas essenciais e fundamentais. Por outro lado, ganhei novas
amizades, novos irmãos de coração né Rosane e Cristina. Para variar, mulheres.
Já vi que tenho problemas em ter e manter amizades masculinas. Risos.
E, como
não podia de ser, os amores foram conturbados e escassos. Me relacionei com
pessoas vazias, fúteis, mas que valeram pelo aprendizado. O que esperar de uma
geração fast food, senão um fast relacionamento, uma fast foda?
Agora,
que venha 2016 e com ele a esperança de dias melhores, de 365 dias melhores e
de governantes honestos e capazes. E, como diz o clichê: que vença a paz
mundial em 2016.
Então,
para finalizar, desejo a você: um mundo sem terrorismo; sem acidentes
ambientais; sem políticos corruptos; com governantes capazes; o fim da
inflação; saúde, educação e infraestrutura de qualidade aos brasileiros e, muita,
mas muita saúde para dar e vender. E, muita música, mas música de qualidade,
onde você possa – daqui alguns anos - lembrar, cantar e recordar. Se permitir
ao direito de ser nostálgico. Feliz 2016!
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
Bons e Velhos tempos
Tenho um bom gosto
musical, não posso negar. Não tem música que eu não goste, tenho preferências.
Entre elas esta a MPB.
Adoro vozes
femininas, como de Maria Bethânia, Gal Costa, Dalva de Oliveira, Dolores Duran,
Elis Regina, Marisa Monte, Alcione, Roberta Sá, Ana Carolina, entre outras. Na
parte internacional meu destaque fica com Shirley Bassey, Edith Piaf, Lisa
Stanfield, Dalida, Billie Holiday, Adele, Amy Winehouse e Kd Lang. São tantas
intérpretes que é impossível enumerar todas.
Meu gosto
musical foi uma herança deixada pelos meus pais e minha madrinha de escotismo,
Vera. Meu pai tinha toda coleção de Nat King Cole e Ângela Maria, além de
diversos LPs de boleros. Já minha madrinha, tinha a coleção mais incrível e
variada que se possa imaginar. Foi com ela que ouvi pela primeira vez Maysa.
Ainda recordo como se fosse hoje a capa do vinil: Gala 79 e a música em
questão: Caminhos Cruzados. Fiquei apaixonado pela voz e pela letra da música.
Ela também me ensinou a gostar de Bethânia. O disco em questão era Álibi. Sabia
de cor todas as músicas do vinil, mas, entre minhas prediletas estavam e estão:
Diamante verdadeiro, Explode coração, Negue, O meu amor e Sonho meu.
Adorava ir no
final de tarde para sua casa. Ela é minha mãe se encontravam para tomar
chimarrão e colocar as fofocas em dia, enquanto eu Christiane, Rogério e
Miguel, ficávamos brincando na sala, escutando música. Amava sua casa, sua
hospitalidade. Lembro que lá, tudo era melhor que na minha casa. Considerava
Vera como uma segunda mãe, além de seus filhos serem meus melhores amigos.
Infelizmente, o tempo nos afastou, mas guardo com maior carinho aqueles velhos
e bons tempos.
Recordo que,
aos domingos, fazíamos reuniões dançantes na casa de madrinha. Lá dançávamos de
rosto coladinho. Um disco que era o xodó era a trilha sonora da novela Água
Viva, que tocava sem parar. As trilhas sonoras de novelas sempre eram as
favoritas, as que mais tocavam. Recordo que eu tinha poucos discos. Se não me
falha a memória: Álibi, de Bethânia, Mania de você, Rita Lee; Os Gigantes e
Cara a Cara internacional, além de compactos de Lilian (Uma música lenta) a
Gretchen (Dance with me). Bons tempos, com certeza!
De lá para
cá, meu gosto foi se apurando, modificando. Lembro que cheguei a ter três mil
vinis, mas, com a chegada do CD, acabei me desfazendo de todos. Até hoje dói no
peito.
Na época,
morava em Porto Alegre. Precisava voltar à Caxias do Sul e, num subido momento
de loucura, dei todos os meus vinis para amigos e pessoas que passavam na rua
24 de Maio. Outros, doei em sebos ou troquei por cd´s. Para ser exato, um só.
Dei uns 50 LPS em troca do CD Outras Palavras, de Caetano Veloso. Já meu
primeiro cd foi MM, de Marisa Monte seguido pela trilha sonora do filme 9 ½ de
amor.
Atualmente,
tive que mandar fazer uma estante sob medida para guardar meus CDs que já
ultrapassam a margem dos 2.500, além dos 500 dvds musicais e mais de 100
blu-rays. Bons e velhos tempos que não
voltam mais.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
Seis anos
No último dia 17 de
dezembro fez 11 anos que nos conhecemos. Nada melhor do que recordar – Perdão Carlinha
– este dia maravilhoso, este tempo que ficou na memória. Sei que você vai me
odiar por isso – talvez não -, mas amo você do meu jeito, talvez não do jeito
que você gostaria.
Hoje, faz seis anos que te conheci, que
me apaixonei, que estamos juntos. O engraçado é que parece que foi ontem que te
conheci. Começamos na brincadeira, sem qualquer compromisso e hoje,
praticamente, estamos casados.
Só posso dizer que fui feliz, sou
feliz, embora haja muitos altos e baixos, mas, isso faz parte de um
relacionamento. A vida não é um mar de rosas. É cheia de altos e baixos e
conosco, não podia ser diferente.
O que mais gosto na gente é que
somos, antes de tudo, bons amigos, bons cúmplices do nosso delicioso pecado.
Respeitamos e admiramos um ao outro, elementos fundamentais para uma relação
estável.
É claro, que se me perguntassem,
gostaria que tivesse alguns ajustes, como você ser mais carinhosa, menos
implicante, mais centrada, não tão instável.... Mas, com o passar do tempo
aprendi a respeitar e aceitar como és, mas, no fundo, bem no fundinho, ainda
guardo o sonho de que um dia você vai mudar.
Adoro os programas semanais que
fizemos juntos com cinema, shopping e almoçar fora. Amo quando você vai para
cozinha e prepara deliciosas comidinhas para teu este teu gordinho - tudo bem,
estou de dieta, não precisa reclamar tanto. Quando você me serve frutinhas ou
sorvete de sobremesa. Mas, o melhor é quando fazes batinha frita quase crua,
bem como eu gosto; batatas que você corta, frita, nada de pré-pronta, pois
sabes que não gosto muito. Também amo quando seguras minha mão direita ao
assistir televisão ou cinema, fazendo massagem no meu corte, na minha mão
aleijada. Adoro quando chego em casa e você grita mor, mor, mor e me
recebe com um selinho.
Ouso dizer que gosto até dos teus
defeitos, de você falar demais e quase me deixar tonto. De ser minuciosa ao
contar seu dia a dia, melhor, a semana, uma vez que só nos vemos nos finais de
semana. Haja paciência para ouvir o relatório semanal, mas, no fundo gosto e
dou boas risadas interiormente. Admiro sua necessidade de falar, enquanto eu
sou tão calado. Me esforço para falar, dividir meu dia com você, mas, sou muito
contido, reservado. Sei que não sou perfeito, mas, tento ao máximo fazer você
feliz, tenha certeza disso.
Espero ter o prazer de conviver,
de dividir meus dias com vocês, por muitos e muitos anos, no mínimo, mais seis.
Mas, confesso fui mais além e já imaginei nos dois velinhos: você falando
sozinha pelos quantos da casa enquanto eu, meio surdinho, dormindo sentado na
frente da televisão. Parabéns para nós, afinal hoje é nosso dia!
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