Lentamente, arrumo meu quarto
Descubro tanta coisa sobre mim
que nem mesmo eu sabia.
Entre achados e perdidos
aquele velho cd que me deste,
aquele dvd coberto de pó,
aquele livro que nunca li.
Dentro dele, uma dedicatória.
Questiono: será que foi você quem escreveu?
Não parecem palavras tuas.
Será que éramos felizes?
Fica a dúvida no ar.
Afinal, foram tantas promessas
tantos sonhos desfeitos,
tantos sonhos não realizados.
Dou risadas sozinho quando abro meu guarda-roupa
que gosto estranho eu tinha ou tenho.
Várias roupas que não servem mais em mim
Porque guardar? Afinal o passado
e uma roupa que não nos serve mais.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
sexta-feira, 18 de abril de 2014
Dona Prata
Era noite! Relógio marcava pouco mais de 20h.
Tudo em silêncio, daqueles medonhos que dá para escutar até o pensamento do seu
colega do lado.
Em
frente do computador, eu e duas colegas trabalhávamos, quando, de repente, um
vulto de mulher apareceu na porta. Ela devia ter seus quarenta e poucos anos e
estava toda de preto. Era bonita! Em seu semblante trazia um aspecto de paz,
ternura. Não sorriu, não acenou, apenas me olhou fixamente e desapareceu
misteriosamente.
O susto foi imediato, pelos do braço
ergueram-se. Comentei a visão com as colegas, contamos causos de visões e demos
continuidade ao trabalho. Mas, aquele silêncio, seguido de um leve medo, ficou.
No dia seguinte, comentando o mesmo caso com o
segurança do prédio, descubro que eu não fui o único que viu esta visão, várias
pessoas já a viram. Ele relatou que todas as noites, o elevador, do nada, sem
ninguém, começa a funcionar e para sempre no quarto andar, andar em que eu
trabalho. Pelinhos do braço mais uma vez se arrepiaram.
Relatando este assunto com colegas, durante a semana,
várias relataram ter tido a mesma visão. Pesquisei na internet, mas nada
encontrei.
Os mais antigos que trabalham no prédio relataram
tratar-se de uma lenda urbana. Segundo eles, é uma antiga moradora do prédio,
uma das primeiras moradoras, uma das proprietárias. Acredito ser uma alma boa,
que de vez em quando vem matar a saudade de passado, rever sua propriedade,
zelar, ou mesmo, fazer uma leve travessura.
Tomamos a liberdade e demos um nome para ela:
Dona Prata. Embora algumas gurias tenham medo, ela nunca fez mal a ninguém,
embora notas fiscais desapareçam misteriosamente e apareçam horas depois sem
ninguém poder explicar. Com certeza, Dona Prata tem um ótimo senso de humor e
adora tirar sarro conosco.
sábado, 29 de junho de 2013
Desesperar, jamais!
Junho acabou. Com ele uma
esperança. Talvez julho traga esta esperança, mas, confesso, não acredito. Hoje
sei que o que passou, passou, não volta atrás. Mas, o importante é saber que
não foi em vão. A saudade vai ficar e fez a diferença, isso que importa.
Não vou depositar minha fé em Julho. Eu e este
distinto mês não nos afinamos, não sei dizer o motivo. Ele parece não gostar de
mim e eu dele. Mas, quem sabe, este ano não faremos as pazes.
De repente, descubro, percebo que me fechei.
Ando fugindo de amigos, não ando de bem comigo mesmo. Isso me preocupa, pois
justamente eu que sempre me amei e fui tão seguro de sim. Será a crise dos
quarenta, cinquenta anos chegando? Espero que sim.
To tentando mudar, emagrecer! Não estou
satisfeito com o que vejo refletido no espelho. Sem contra que mudar é preciso.
Então, mudemos. Se nos não ajudarmos quem vai nos ajudar. As mudanças começam
dentro de nós, de dentro para fora. Se eu não gostar de mim quem vai gostar?
Pois é, além da estética, entra a saúde.
Doutora mandou emagrecer. Vai ser duro perder meus quase 100 quilos de muitas
guloseimas saborosas degustadas ao longo de três anos. Todas estão lá, como uma
enorme dispensa em meu interior, em meu corpo.
Emagrecer não é tão difícil se tivermos força
de vontade. Há três semanas estou conseguindo. Perdi dois quilos. Mas,
confesso, não notei diferença nenhuma, nem os outros. Risos.
E, durante a revisão dos quarenta mil quilômetros,
descubro que alguma coisa não vai bem com o motor. Doutora me preocupou. Me
encaminhou para o especialista. Esta semana vou marcar hora. Mas, não gostei da
cara da médica, dos resultados dos exames. Preocupante.
Hoje sonhei com meu pai. Acordei com aquela
imensa saudade. Nos meus sonhos, ele parecia querer dizer que algo não andava
bem na aldeia, neste caso, acredito que comigo. Mas, vamos á luta. Lutar é
preciso, sempre! Desanimar, jamais!
Nosso caminho está traçado desde que nascemos.
Resta escolhermos as esquinas certas.
Acredito que eu escolhi, embora tenha me
perdido em muitas ao longo do trajeto, mas, sempre procurei o caminho certo.
Quando me encontrar com Deus, com meu pai, na hora do abraço, saberei,
realmente, se percorri o caminho certo.
sábado, 18 de maio de 2013
Mudar é preciso!
De repente o estável não me satisfaz mais.
Explico: estou a mais de 17 anos na mesma empresa, mas, de repente, percebi que
não cresci ao longo dos anos, continuo exatamente com o entrei. E o pior, além
de não crescer, o salário não teve aumento. Hoje, se for ver, ganho menos do
que quando entrei. Isso, comprovado no papel.
Embora ame meu serviço, meus colegas, meus
patrões, sinto que já está na hora de abandonar o barco. Ir à luta e navegar
outros mares, afinal, navegar é preciso! Não sou mais tão jovem. Preciso fazer
isso rápido, afinal, já estou beirando os 50 anos. E o pior, já fiquei
desatualizado para o mercado de trabalho, preciso me reciclar urgente.
Hoje, me arrependo de não ter aceito, meses
atrás, o convite de uma empresa concorrente. Com certeza, estaria mais
qualificado e melhor remunerado. Talvez, mais satisfeito do que no emprego
atual, talvez não já que amo o que eu faço, fator que me segurou e segura por tanto
tempo na empresa.
Ontem à noite, outra entrevista de emprego. A
proposta, irrecusável! Fiz-me de difícil, que ia pensar, mas, cá entre nós, o
SIM gritava dentro do meu ser. E o melhor, o emprego não é de imediato. É para
daqui uns meses, tempo suficiente para eu desapegar do atual, que alias, não
vai nada bem, está na UTI.
Sinto meus administradores aéreos, desligados
e ausentes. Parecem que vivem em seu mundo, não compartilham nada, não dizem
nada, não vão atrás de novos empreendimentos para fortalecer o atual que, na
minha opinião, anda no banco de reserva, precisando de um pouco mais de atenção
e de pessoas maia acessíveis, que saibam lidar com as pessoas, mesmo quando
temos vontade de mandar elas para aquele lugar.
O pior é conviver com a insatisfação de
colegas e clientes, que, diariamente, reclamam da administração e dos próprios colegas
de trabalho. Segurar esta barra não tem sido fácil, pelo contrário,
desanimador.
Eu que sempre acordei disposto, alegre, de bom
humor, confesso que não tem sido fácil. Demonstrar ser alegre, feliz, ser, não
tem sido tarefa das mais fáceis. Mas, tenho esperança de que dias melhores
virão.
Seguido me pergunto: quando meus administradores
vão acordar e perceber que estamos precisando de um incentivo, uma injeção de
ânimo e de melhorias? Espero que isso aconteça logo, antes que seja tarde
demais.
Não sou vidente, mas, do jeito que as coisas
vão, não temos vida pra muito tempo. Talvez este ano, talvez ano que vem, não
posso prever, mas que a coisa está feia, está! Só eles que não perceberam.
Embora as coisas não estejam fáceis, não
podemos desanimar. Amanhã será um novo dia e, quem sabe, neste novo dia, um
renascimento acontecerá na empresa e neste ser que escreve.
sábado, 11 de maio de 2013
E se...
E se ...
você me ligar, procurar, o que é que eu faço?
Te aceito ou digo não!
Assim como eu, tu também me fizeste sofrer.
Tua ausência feriu mais do que as palavras não ditas
por mais amargas que as minhas tenham sido.
E se ...
você disse que me ama?
Acredito ou finjo que acredito!
Hoje não sei se confio em você
Tuas lindas palavras foram da boca para fora
Na primeira briga, vocês esqueceu todas.
E se ...
você disser que não quer mais me ver?
Eu acredito, tenha a certeza disso!.
Mas, você vai lembrar de mim, mesmo não querendo.
Foi pouco tempo, mas exato para deixar saudade.
Eu esperava mais de ti, menos da minha pessoa.
E se ...
eu disser que hoje sou eu que não quero mais você?
Você acreditaria ou não!
Sim, falhaste comigo e eu contigo.
Tentamos e não deu certo.
Partimos para outra, então.
terça-feira, 7 de maio de 2013
Não é mais um cartão de aniversário e sim, o cartão.
É necessário muita criatividade
para escrever um cartão de aniversário para você Helena Horácia, afinal são 72 anos de vida festejados hoje e, no
mínimo, uns 65 cartões escritos por este ser maravilhoso, bonito, querido,
gordinho e modesto que lhe escreve. Haja inspiração para escrever tanto sobre
você.
Com certeza, você deve ter guardado uns cinco
ou dez cartões apenas, não mais do que isso. Mas, isso se justifica: foram tantas
as mudanças de cidade, de casa que é quase impossível guardar tanto papel.
Aliviei para você mãe!
Um fato curioso e engraçado é que os cartões,
na maior parte, ou quase todos, foram escritos pelos homens, ou seja, eu e o
Rodolfo. A Jeanine e a Fernanda não são muito boas com as palavras para não
dizer outra coisa.
Mãe, você sabe, tá enrugada de saber que eu
amo você, melhor: que nos amámos você! Tu é nosso alicerce, nosso castelo que
pedimos abrigo sempre que a vida nos dá uma rasteira ou nos oferece uma festa e
caímos na candaia.
Você é que faz os chazinhos e as comidinhas deliciosas
para curar nossa ressaca e o fígado destruído (exclusivamente para Fe). E, de
quebra, dá aquele colinho quando mais precisamos. Às vezes, tenta dizer as
palavras certas, mas, por ser muito moderna e liberal, ficamos meio sem jeitos,
envergonhados e encabulados, mas escutamos e rimos muito depois. Nem sempre dá
para seguir teus conselhos a risca.
Apartamento de mãe, de vó, mesmo pequeno e
apertado, é o melhor lugar para se estar, receber carinho e muitas guloseimas.
É impossível não engordar ou ficar quieto perto de você, afinal, você cozinha
divinamente e fala, fala muito, sua marca registrada. Quando está quieto é
sinal de perigo. Alguma coisa não vai bem!
Helena Horácia, ou HH
como costumo escrever, fique tranquila, não vamos te enviar para casa de
Repouso Heloisa Tramontina, em Carlos Barbosa. Você ficará conosco mesmo. Mas,
quando incomodar muito aqui em Caxias do Sul, eu e a Fernanda te encaminharemos
para São Marcos, para casa da Jeanine.
Mas, deixando as gracinhas de lado, de todo
coração, saiba que você foi e será sempre meu primeiro e maior amor, mesmo
quando estiveres lá no ceú tagarelando com Jesus. Mas, enquanto este dia não
chega – e ainda vai demorar -, continue tagarelando e zelando por nós, filhos e
netos por aqui mesmo. Precisamos muito de você ainda!
Feliz Aniversário velinha!
domingo, 21 de abril de 2013
Zanga de amor
O amor parece estar de zangado comigo.
Conheço pessoas fascinantes, encantadoras, mas nada vai adiante.
Inicialmente acreditei que o problema estava
com as outras pessoas, mas, após alguns dias pensando, descubro que o problema
sou eu.
Sim, sou exigente, seleto. Não é qualquer
pessoa que roupa minha paz, meu coração. Me valorizo muito. É, pra se
corresponder, enamorar comigo, tem que ser especial.
Me conquistar não é fácil! Um simples deslize
faz tudo ir por água baixa.
Recentemente, um simples estresse no trânsito
levou o fim de uma paquera. Não era um grande amor, do contrário, não teria
terminado. Melhor assim, penso!
Um simples jantar também foi motivo para
encerrar um novo romance que iniciava. O encontro começou com um jantar em um
restaurante árabe. Foi perfeito, redondinho, com direito a troca de olhares,
beijos e mão na mão.
No dia seguinte, sou informado que ela tinha
um jantar com amigos. Levei um banho de água fria! Percebi que não agradei tanto
assim nem o jantar não foi tão especial como pensei.
E, mais recentemente, em Porto Alegre, envio
um torpedo para uma amiga do Facebbok a convidando
para um jantar. Recebo um de volta que ela tem janta com amigas. Respeito, afinal,
enviei o msn muito tarde.
Cheguei em Porto Alegre, muito tarde. Devia
ter me programado mais, não simplesmente ter ido achando que seria recebido de
braços abertos. Não posso esquecer que as pessoas tem compromissos e, esqueci!
Até aí, tudo bem!
Fiz
minha voltas, compras, passeios e voltei para o hotel. Lá pela meia noite recebo
outro torpedo me convidando para sair. Já estava deitado, dormindo. Levei
bronca atráves do celular. Talvez merecida, mas, acho que não.
Recordo que respondi, educamente, dizendo já
estar dormindo e sugeri um café ou chimarrão. Não obtive resposta. Mas, até
entendo, como disse, ninguém precisa estar a nossa disposição. As pessoas tem
compromissos, seus afazeres.
São estas coisas que constatam que o errado
sou eu. Preciso ser mais flexível, tolerante. Quem sabe amanhã, hoje ainda
estou achando que o culpado desta zanga é o amor.
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